Rudson de Souza Publisher do OBemdito

Troca de figurinhas da Copa transforma Umuarama em ponto de encontro entre gerações

Troca de figurinhas da Copa transforma Umuarama em ponto de encontro entre gerações
Rudson de Souza - OBemdito
Publicado em 21 de maio de 2026 às 19h19 - Modificado em 22 de maio de 2026 às 09h21

A febre do álbum da Copa do Mundo voltou a movimentar crianças, adultos e famílias inteiras em Umuarama. Muito além da disputa pelas figurinhas raras, os encontros de troca têm transformado espaços da cidade em pontos de convivência, conversa e nostalgia, a partir de um costume que atravessa gerações e ganha força a cada Mundial.

Em diferentes regiões da cidade, grupos se reúnem semanalmente para negociar cromos repetidos, comparar coleções e compartilhar histórias ligadas ao futebol. Entre mesas espalhadas por livrarias, corredores de shopping e até quadras esportivas, o clima é de amizade e descontração.

A tradição, que acompanha os brasileiros desde os antigos álbuns das Copas do Mundo, ganhou novo fôlego com a edição de 2026, considerada uma das maiores já produzidas. No país inteiro, encontros organizados em praças, shoppings e cafeterias têm reunido milhares de colecionadores.

O futebol e o encontro entre gerações

Em Umuarama, o Gela Boca tem se tornado um dos principais pontos de encontro. As trocas acontecem às sextas-feiras, após as 18h, na unidade da Avenida Castelo Branco, e aos sábados, depois das 14h, na matriz da Avenida Maringá. Para Milena Romero Teles, de 28 anos, sócia proprietária da franquia, o movimento vai muito além do futebol.

“É muito bacana porque conseguimos proporcionar interação e vínculo afetivo entre pais e filhos, grupos de amigos e famílias. As pessoas esquecem o celular, deixam um pouco de lado a correria do dia a dia e vivem aquele momento imerso no universo do futebol. É uma troca que vai muito além das figurinhas, porque aproxima as pessoas e cria memórias afetivas”, afirma.

Segundo ela, os encontros acabam reunindo diferentes gerações em torno de uma mesma paixão. “Vai vó com neto, pai e filho, mãe e filho, grupos de amigos. É muito legal ver todo mundo junto, conversando, negociando figurinha e compartilhando histórias. Além de conhecer os jogadores atuais, muita gente acaba descobrindo atletas que marcaram outras épocas do futebol”, diz.

Lotando a avenida Paraná com mesas e famílias

A Livraria Paraná é um tradicional ponto de troca de figurinhas da Copa do Mundo na Capital da Amizade. No local, os encontros acontecem aos sábados, durante todo o dia, e aos domingos, das 9h às 12h30. A gerente Mayara Malfato, de 32 anos, conta que a movimentação já virou uma tradição entre os clientes da livraria.

“Já virou meio que uma tradição, porque a gente sempre organizou as trocas lá. E dá muita família mesmo. É até bonito de ver”, relata. Segundo ela, muitos frequentadores acompanham os encontros desde edições anteriores da Copa. “É legal ver a evolução desses clientes desde a última Copa. Já tem gente completando álbum”, afirma.

O envolvimento dos colecionadores é tão grande que nem mesmo o frio ou a chuva têm afastado o público dos encontros. Segundo Mayara, a movimentação surpreende a cada fim de semana e mostra como a tradição continua forte entre crianças e adultos. “No último sábado estava frio e chovendo. A gente tinha fechado a loja, mas deixou as mesas lá fora. Estava lotado”, lembra.

Shopping Palladium na onda das trocas de figurinhas

No Shopping Palladium Umuarama, o espaço “Torcida Palladium 2026” também entrou no clima do álbum. O ambiente funciona diariamente ao lado da loja Ri Happy, das 10h às 22h, reunindo troca de figurinhas, futebol de botão, pebolim e espaço para fotos com a taça do hexa.

A Ri Happy realiza um encontro especial no sábado (23), das 13h às 17h. Já a Cia da Leitura promove trocas todas as sextas-feiras, das 18h às 21h.

Até pelas quadras esportivas da febre do Beach Tennis

Até as quadras esportivas aderiram à febre do álbum da Copa. Na Isla Beach Tennis, os encontros de troca de figurinhas acontecem todos os domingos, às 16h30, reunindo atletas, famílias e frequentadores do espaço em um ambiente descontraído.

Entre uma partida e outra, crianças e adultos espalham os cromos sobre as mesas e aproveitam o momento para procurar as figurinhas que faltam, mostrando como a paixão pelo futebol acabou se misturando também aos momentos de lazer e convivência.

Para muitos participantes, a tradição das figurinhas acaba funcionando como uma ponte entre pais e filhos. O proprietário Isla Beach Tennis Wiliam Oliveira conta que a experiência dentro de casa foi além da simples coleção do álbum e acabou despertando novas conversas em família. “Sobre a troca das figurinhas, não é só futebol. Essa interação entre pais e filhos é muito legal”, afirma.

Segundo ele, o envolvimento das filhas com o álbum chamou a atenção justamente por elas não acompanharem o esporte no dia a dia. “No meu caso principalmente, porque tenho duas meninas que não são do mundo do futebol. Ver despertar nelas essa curiosidade sobre qual jogador é de cada seleção foi muito interessante”, relata.

Wiliam também afirma que alguns nomes acabam se tornando os mais procurados durante os encontros de troca. Entre os cromos mais disputados, ele cita jogadores como Neymar, Lionel Messi, Cristiano Ronaldo, Haaland, Yamal e Bellingham.

Atualização após a convocação da Seleção Brasileira

Outro assunto que também passou a dominar as rodas de conversa entre os colecionadores foi a atualização das figurinhas da Seleção Brasileira. Após a convocação oficial feita pelo técnico Carlo Ancelotti nesta semana, a Panini anunciou que fará mudanças em alguns cromos do álbum.

A editora informou que lançará um “pacote de atualização” para substituir jogadores que ficaram fora da Copa do Mundo por atletas convocados para o torneio. A empresa, porém, ainda não detalhou quais figurinhas serão alteradas nem quando os novos pacotes chegarão ao mercado.

A versão inicial do álbum trouxe 18 jogadores brasileiros, mas parte deles acabou fora da lista final da Seleção. Entre os nomes que não disputarão o Mundial estão Éder Militão, Rodrygo e Estêvão, ausentes por lesão. Além deles, o goleiro Bento e o atacante João Pedro também aparecem na coleção, apesar de não terem sido convocados.

Situações assim costumam acontecer em álbuns de Copa do Mundo, já que a produção gráfica é iniciada meses antes da convocação oficial. Ainda assim, esta edição registra o maior número de mudanças desde a Copa de 1986, quando cinco jogadores estampados nas figurinhas acabaram fora da lista definitiva.

Expansão da Copa do Mundo para 48 seleções

O tamanho da coleção também ajudou a impulsionar a movimentação em torno das trocas. A edição de 2026 será a maior já lançada pela Panini, acompanhando a expansão da Copa do Mundo para 48 seleções. Ao todo, o álbum terá 980 figurinhas distribuídas em 112 páginas, bem acima das 670 da edição de 2022.

Custo total pode ultrapassar R$ 1 mil

Os preços desta edição também passaram a fazer parte das conversas entre os colecionadores. O álbum oficial é comercializado em versões que variam de R$ 24,90 a R$ 79,90, enquanto a edição premium pode chegar a R$ 359,90. Já os tradicionais envelopes com sete figurinhas custam R$ 7 cada, valor acima das edições anteriores e que aumentou ainda mais o investimento necessário para quem pretende completar a coleção.

Na prática, completar a coleção se tornou um desafio financeiro ainda maior para os apaixonados pelo álbum. Mesmo recorrendo às tradicionais trocas de figurinhas para evitar repetidas e reduzir gastos, o valor necessário para preencher todas as páginas pode ultrapassar R$ 1 mil, especialmente por causa do aumento no número de cromos e do preço dos pacotes.

Figurinha mais valiosa da Copa da Mundo de 2026

Entre os itens mais cobiçados pelos colecionadores estão as figurinhas raras da categoria “Legend”. A versão dourada, considerada uma das mais valiosas do álbum da Copa do Mundo de 2026, reúne nomes históricos do futebol mundial, como Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, e virou alvo de uma verdadeira caça entre os fãs desde o lançamento da coleção.

No mercado de colecionadores, algumas unidades chegam a ser anunciadas por valores que variam entre R$ 300 e R$ 4,9 mil, dependendo do estado de conservação e da raridade da peça. A valorização transformou determinadas figurinhas em verdadeiros objetos de desejo entre os fãs, aumentando ainda mais a corrida pelas versões raras durante os encontros de troca realizados em diferentes pontos da cidade.

Mesmo em uma rotina cada vez mais marcada pelas telas e pelas interações virtuais, a tradição de espalhar figurinhas sobre a mesa, procurar a peça que falta e negociar repetidas segue atravessando gerações. Em meio à correria do dia a dia, os encontros acabam transformando o álbum da Copa em algo maior do que uma coleção, é uma oportunidade de convivência, conversa e memória afetiva em torno do futebol.

(Com imagens cedidas gentilmente pela Gela Boca e Livraria Paraná)

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