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Delegado explica por que a fronteira preocupa nas buscas por suspeitos da chacina de Icaraíma

Delegado explica por que a fronteira preocupa nas buscas por suspeitos da chacina de Icaraíma
Rudson de Souza - OBemdito
Publicado em 7 de julho de 2026 às 11h28 - Modificado em 7 de julho de 2026 às 15h09

Onze meses após a chacina que deixou quatro homens mortos em uma propriedade rural de Icaraíma, a Polícia Civil do Paraná voltou a se manifestar publicamente sobre um dos principais desdobramentos da investigação.

Depois de OBemdito divulgar, nesta segunda-feira (6), a confirmação de que Antônio Buscariollo, de 67 anos, e o filho dele, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, de 23 anos, passaram a integrar oficialmente a Difusão Vermelha da Interpol, a corporação publicou uma nota explicando os detalhes do procedimento e, na manhã desta terça-feira (7), o delegado Thiago Andrade Inácio gravou um vídeo reforçando a importância da medida.

Quatro homens foram mortos após emboscada em área rural de Icaraíma; caso segue sem prisões nove meses depois (Foto rede social)

Responsável pelo inquérito, o delegado destacou que a inclusão dos investigados na lista internacional de procurados representa um avanço relevante nas buscas, principalmente em razão da localização geográfica do Paraná.

“Essa medida é de suma importância, pois o Estado do Paraná faz fronteira com outros países. Ela permite que os órgãos de segurança dessas nações tenham ciência de que os dois estão foragidos e, caso sejam localizados, possam efetuar a prisão e encaminhá-los à Justiça brasileira”, afirmou.

Embora não cite diretamente um país específico, a manifestação ocorre em um contexto em que a Polícia Civil trabalha com a possibilidade de que os investigados tenham deixado o Brasil, especialmente em razão da proximidade da região de Icaraíma com a fronteira paraguaia.

Antônio Buscariollo e o filho Paulo Ricardo Costa Buscariollo são apontados como principais suspeitos do crime e seguem foragidos (Foto rede social)

Procedimento foi concluído

No vídeo, Thiago Andrade também esclareceu que todas as etapas legais necessárias para a inclusão dos nomes na Difusão Vermelha já foram concluídas.

“Primeiramente, a autoridade policial representa ao Poder Judiciário. Após o deferimento, a decisão é encaminhada à Polícia Federal, que realiza todos os trâmites junto à Interpol para a inclusão dos foragidos na lista internacional”, explicou.

Segundo ele, esse processo já foi finalizado. “Esclareço que esse procedimento encontra-se encerrado e que Paulo Ricardo Costa Buscariollo e Antônio Buscariollo já estão oficialmente incluídos na lista internacional de procurados pela Interpol.”

O delegado também ressaltou que as buscas permanecem em andamento. “A Polícia Civil do Paraná, juntamente com os demais órgãos de segurança pública e com o apoio integral da Secretaria de Segurança Pública do Estado, vem realizando diligências diuturnamente para a localização, prisão e responsabilização de todos os envolvidos nesses crimes.”

Área rural de Icaraíma onde, segundo a Polícia Civil, ocorreu a emboscada que resultou na morte de quatro homens em agosto de 2025 (Foto Rudson de Souza/OBemdito)

Polícia Civil detalha como funciona a Difusão Vermelha

Além do vídeo, a Polícia Civil divulgou uma nota oficial após a repercussão do caso esclarecendo como funciona o procedimento para inclusão de um investigado na lista internacional de procurados.

Conforme a corporação, a medida não ocorre automaticamente. Inicialmente, a autoridade policial precisa representar ao Poder Judiciário, assumindo formalmente o compromisso de requerer a extradição caso o investigado seja localizado e preso no exterior.

Depois da autorização judicial, a decisão é encaminhada à Polícia Federal, autoridade central brasileira responsável por intermediar o pedido junto à Interpol. Somente após a conclusão de todas essas etapas administrativas ocorre a inclusão oficial na Difusão Vermelha.

Segundo a Polícia Civil, esse procedimento foi integralmente cumprido no caso de Antônio Buscariollo e Paulo Ricardo Costa Buscariollo, que agora constam oficialmente na lista internacional de procurados.

Na prática, a medida amplia significativamente o alcance das buscas e permite que forças policiais de diversos países localizem e prendam os investigados, caso estejam fora do território brasileiro. Se isso ocorrer, o Brasil poderá solicitar formalmente a extradição para que ambos respondam à Justiça.

Delegado Thiago Andrade Inácio afirmou que a inclusão dos investigados na lista da Interpol amplia as possibilidades de localização e prisão em outros países (Foto Reprodução/Polícia Civil)

Quase um ano de buscas

Antônio Buscariollo e Paulo Ricardo Costa Buscariollo estão com prisão preventiva decretada desde 8 de agosto de 2025 e permanecem foragidos desde então. Eles são apontados pela Polícia Civil como os principais suspeitos da execução de quatro homens em uma propriedade rural de Icaraíma, em um caso considerado um dos mais graves e de maior repercussão da história recente do Noroeste do Paraná.

Apesar das diversas diligências realizadas ao longo dos últimos onze meses, os investigados ainda não foram localizados. O inquérito permanece sob sigilo.

LEIA TAMBÉM: Onze meses após chacina de Icaraíma, foragidos passam a integrar lista da Interpol

Famílias aguardam justiça

Enquanto as buscas continuam, familiares das vítimas seguem acompanhando cada etapa da investigação.

Foram mortos Alencar Gonçalves de Souza Giron, Diego Henrique Affonso, Rafael Juliano Marascalchi e Robishley Hirnani de Oliveira. A investigação revelou um caso envolvendo uma negociação de propriedade rural, desaparecimento das vítimas, homicídios e suspeitas de ocultação de provas.

Entre os familiares está Meire Marascalchi, viúva de Rafael Juliano Marascalchi, que, em entrevistas anteriores ao OBemdito, afirmou que a dor permanece diária e que a expectativa é pela prisão dos responsáveis.

Relembre o caso

Segundo a Polícia Civil, o crime teve origem em um conflito envolvendo a negociação de uma propriedade rural de aproximadamente cinco alqueires, avaliada em cerca de R$ 750 mil, no distrito de Vila Rica do Ivaí.

As investigações apontam que Alencar Gonçalves de Souza Giron havia adquirido o imóvel mediante o pagamento inicial de R$ 255 mil, ficando o restante condicionado à aprovação de um financiamento bancário, que acabou não sendo liberado. Posteriormente, teria sido firmado um distrato prevendo a devolução dos valores pagos, o que, conforme o inquérito, não ocorreu.

A cobrança desse dinheiro teria motivado Alencar a retornar à propriedade acompanhado de Diego Henrique Affonso, Rafael Juliano Marascalchi e Robishley Hirnani de Oliveira.

Laudos da Polícia Científica apontam que os quatro foram executados por volta das 12h30 do dia 5 de agosto de 2025 com disparos de armas de calibres diferentes, indicando a participação de mais de um atirador.

Onze meses após a chacina, os principais investigados continuam foragidos, agora com alerta internacional de captura emitido pela Interpol, enquanto familiares das vítimas seguem aguardando que o caso tenha um desfecho e os responsáveis sejam levados à Justiça.

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