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Mensagens no celular indicam que Vorcaro tentou contato com Moraes no dia da prisão

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Mensagens no celular indicam que Vorcaro tentou contato com Moraes no dia da prisão
Alex Nascimento - OBemdito
Publicado em 6 de março de 2026 às 10h55 - Modificado em 6 de março de 2026 às 10h58

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, teria enviado mensagens ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, horas antes de ser preso em 17 de novembro de 2025.

A conversa foi extraída pela Polícia Federal do celular apreendido do banqueiro. Os trechos estavam salvos no bloco de notas do aparelho e teriam sido enviados pelo WhatsApp no modo de visualização única.

As informações foram divulgadas pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo. As respostas atribuídas ao ministro não aparecem no material recuperado pelos investigadores, já que esse tipo de mensagem desaparece após ser aberto.

Em nota, Moraes afirmou que não recebeu as mensagens citadas.

Mensagens no dia da prisão

Segundo a investigação, Vorcaro enviou as mensagens no mesmo dia em que foi preso no Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos, quando tentava embarcar para Dubai.

Às 7h18, o banqueiro escreveu que tentava antecipar investidores e fechar parte de uma negociação envolvendo a venda do banco.

“Bom dia tudo bem? Estou tentando antecipar os investidores aqui, e tenho chances de conseguir assinar e anunciar ainda hoje uma parte”, escreveu.

Na mesma mensagem, Vorcaro citou vazamentos de informações sobre o caso e mencionou movimentações envolvendo o Banco de Brasília.

Às 7h19, segundo a anotação encontrada no aparelho, Moraes teria respondido. O conteúdo da resposta, porém, não foi recuperado.

Horas depois, às 17h22, Vorcaro voltou a enviar mensagem. “Fiz uma correria aqui pra tentar salvar. Fiz o que deu, vou anunciar parte da transação.”

Quatro minutos depois, às 17h26, ele perguntou: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”

Os registros indicam novas respostas atribuídas ao ministro às 17h31, 20h21 e 20h23, também no formato de visualização única.

Às 20h48, Vorcaro voltou a escrever. “Foi. Seria melhor na sexta junto com os gringos mas foi o que deu pra fazer dentro da situação. Acho que pode inibir.”

Moraes nega conversa

Procurado, o ministro Alexandre de Moraes negou a existência do contato.

“O ministro Alexandre de Moraes não recebeu essas mensagens referidas na matéria. Trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo Tribunal Federal”, afirmou em nota.

Suspeita de fraude e acesso ilegal

No mesmo dia em que as mensagens teriam sido enviadas, a Polícia Federal afirma ter identificado que Vorcaro já tinha conhecimento do inquérito que investigava possíveis fraudes envolvendo a venda de carteiras de crédito ao BRB.

De acordo com os investigadores, o banqueiro teria acessado ilegalmente sistemas da corporação para descobrir a existência da investigação.

A PF afirma ainda que a mesma estratégia teria sido usada para consultar dois procedimentos do Ministério Público relacionados às supostas irregularidades.

Menções a possível encontro

Mensagens interceptadas pela Polícia Federal também indicam que Vorcaro citou um encontro com alguém identificado como “alexandre moraes”.

O diálogo ocorreu em abril de 2025 entre o banqueiro e sua então noiva, Martha Graeff.

No dia 19 de abril, às 17h22, Vorcaro escreveu: “To indo encontrar alexandre moraes aqui perto de casa”.

Em seguida, Martha perguntou: “Como assim amor. Ele está em Campos???? Ou foi pra te ver?”

Vorcaro respondeu: “Ele ta passando feriado”.

Dez dias depois, em 29 de abril, o nome voltou a aparecer em outra conversa. Após uma chamada de vídeo com a noiva, ela perguntou quem era um dos homens presentes.

Vorcaro respondeu: “Alexandre moraes”.

Defesa pede investigação

A defesa de Daniel Vorcaro informou nesta sexta-feira (6) que solicitou ao STF a abertura de uma investigação para apurar a origem de supostos vazamentos de informações sigilosas extraídas dos celulares apreendidos pela Polícia Federal.

Os advogados afirmam que o objetivo é identificar como trechos do material investigado chegaram à imprensa.

Com informações: Metrópoles

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