Leonardo Revesso Publisher do OBemdito

Paraná tem duas das cidades mais caras do mundo para se viver

Centro de Foz do Iguaçu, cidade que, conforme estudo, está entre as mais caras do mundo para se viver (FOTO: DIVULGAÇÃO/ITAIPU)
Paraná tem duas das cidades mais caras do mundo para se viver
Leonardo Revesso - OBemdito
Publicado em 18 de agosto de 2025 às 18h12 - Modificado em 20 de agosto de 2025 às 21h00

O Paraná tem duas das cidades mais caras do mundo para se viver. É o que mostra o levantamento da plataforma colaborativa Expatistan. De acordo com o estudo, Curitiba e Foz do Iguaçu aparecem na lista das 140 cidades com maior custo de vida global em 2025.

A capital paranaense ocupa a 116ª posição, atrás apenas de São Paulo e Florianópolis no ranking nacional, enquanto Foz aparece na 133ª colocação.

O estudo considera despesas com moradia, transporte, alimentação, saúde, vestuário e lazer — todos fatores que pesam diretamente no orçamento das famílias. No Brasil, além das duas paranaenses, também figuram na lista cidades como Campinas, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Rio Preto, Salvador e Bauru.

Apesar do alto custo, especialistas destacam que, no país, os preços elevados nem sempre caminham lado a lado com qualidade de serviços públicos e infraestrutura, o que leva muitas pessoas a reconsiderarem seus planos de moradia.

Por que Curitiba e Foz do Iguaçu são tão caras?

De acordo com o professor Sérgio Czajkowski, da UniCuritiba, o encarecimento dessas cidades é resultado de um conjunto de fatores como valorização imobiliária, turismo, qualidade de vida e fluxo internacional.

“Curitiba deixou de ser uma cidade industrial para se consolidar como polo de serviços, inovação e turismo de negócios, o que atrai profissionais qualificados e com alto poder aquisitivo. Isso gera um ciclo de valorização imobiliária e pressiona custos básicos”, explica.

Já em Foz do Iguaçu, a presença de atrativos internacionais como as Cataratas, a Usina de Itaipu e a tríplice fronteira estimula investimentos e aquece a economia, mas também encarece o cotidiano dos moradores.

O turismo de massa, somado à expansão de hospedagens por plataformas digitais, pressiona o mercado de imóveis e empurra famílias de baixa renda para regiões mais afastadas.

Pesquisas apontam que o custo médio mensal de uma família de quatro pessoas em Foz ultrapassa R$ 10 mil. Muitos moradores recorrem ao Paraguai ou à Argentina para comprar combustível, alimentos e eletrônicos mais baratos, aproveitando a diferença cambial.

Essa dinâmica de integração entre fronteiras aquece a economia local, mas também cria distorções no comércio.

Impactos e perspectivas

O alto custo de vida pode afastar famílias de renda média e baixa, mas não desestimula investidores, segundo Czajkowski. “Para quem não tem recursos, o efeito é a exclusão das áreas mais valorizadas. Já o investidor enxerga oportunidades e retroalimenta o crescimento urbano e econômico”, avalia.

Curitiba e Foz exemplificam como planejamento urbano, infraestrutura consolidada e inserção internacional podem transformar cidades em polos de atração — ainda que a conta para os moradores seja cada vez mais salgada.

(Com Bem Paraná)

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