Rudson de Souza Publisher do OBemdito

Presos em Xambrê aliciavam apenas adolescentes do sexo masculino, aponta Gaeco

Vereador Edinalvo Lima Venturi é detido durante cumprimento de mandado da Operação Gomorra, em Xambrê (Foto MPPR)
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Rudson de Souza - OBemdito
Publicado em 11 de setembro de 2026 às 12h19 - Modificado em 11 de setembro de 2026 às 12h20

O modo como dois homens presos nesta sexta-feira (11) em Xambrê, no Noroeste do Paraná, se aproximavam de adolescentes e compartilhavam conteúdos investigados por crimes sexuais foi detalhado durante uma coletiva de imprensa realizada pela manhã, na sede do Ministério Público do Paraná (MPPR), em Umuarama.

Participaram da entrevista o promotor Guilherme Franchi, coordenador do Núcleo de Umuarama do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), e os delegados Matheus Prado Amui Rodrigues, do Gaeco, e Thiago Araium Pinheiro, da 7ª Subdivisão Policial de Umuarama.

A Operação Gomorra investiga suspeitas de exploração sexual, importunação sexual e produção e armazenamento de conteúdo envolvendo violência sexual contra crianças e adolescentes.

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Segundo Matheus, as investigações começaram depois que policiais encontraram, durante a análise de materiais apreendidos em outra operação do Gaeco, conversas relacionadas a possíveis crimes cometidos em Xambrê e região.

Abordagem começava em ambientes de convivência

De acordo com o delegado, um dos investigados utilizava a posição que ocupava na administração municipal e também a atuação em uma instituição religiosa para estabelecer contato com adolescentes.

A aproximação, segundo a investigação, avançava posteriormente para as redes sociais. Nesses contatos, os adolescentes eram convencidos a produzir e enviar conteúdos íntimos em troca de dinheiro ou outras vantagens.

“Eles aliciavam esses adolescentes por meio das redes sociais e, ali, com persuasão, convenciam esses adolescentes a fornecer, registrar, eles próprios registravam e enviavam esse material para os investigados.”

A polícia afirma que o conteúdo recebido era armazenado pelos investigados. Conforme explicado por Matheus durante a coletiva, o material era mantido para uso pessoal e também era compartilhado entre os dois.

Investigados não agiam juntos nas abordagens

Apesar da troca de informações e de conteúdos, a investigação não identificou, até o momento, uma atuação conjunta dos dois homens na abordagem das vítimas.

Segundo Matheus, cada um agia individualmente. Depois, porém, eles compartilhavam informações sobre os adolescentes, o que permitia que um tivesse conhecimento sobre possíveis vítimas que haviam sido abordadas pelo outro.

“Tudo indica que eles agiam individualmente, mas compartilhavam informações a respeito dessas vítimas.” O delegado afirmou ainda que a análise das conversas revelou uma conduta contínua de procura por novas vítimas.

Polícia identificou 16 potenciais vítimas

Até agora, os investigadores identificaram 16 potenciais vítimas. Segundo Matheus, todas são do sexo masculino e têm entre 13 e 17 anos.

A análise dos diálogos também indicou que as conversas relacionadas aos crimes começaram no início de 2021 e permaneceram até pelo menos o final de 2025.

A polícia ainda deverá ouvir os adolescentes em depoimentos especiais para esclarecer detalhes sobre as abordagens e identificar a extensão dos fatos.

Celular levou investigadores aos suspeitos

Um dos homens presos nesta sexta-feira já havia sido alvo de uma operação anterior do Gaeco. O aparelho celular apreendido naquela ocasião passou por perícia.

Foi durante a análise desse material que os investigadores encontraram conversas que deram origem à nova apuração. “Vieram à tona as provas relativas a esses crimes contra a dignidade sexual de adolescentes do município de Xambrê e região.”

A partir das conversas, segundo a polícia, foram identificadas possíveis vítimas, além de elementos que fundamentaram os pedidos de prisão preventiva e de busca e apreensão.

O vereador Edinalvo Lima Venturi e o ex-secretário municipal de Cultura Pedro Henrique da Silva Mota são alvos da Operação Gomorra, deflagrada em Xambrê (Foto Câmara e Prefeitura de Xambrê)

Prisões e apreensões

A Operação Gomorra cumpriu dois mandados de prisão preventiva, três de busca e apreensão e dois de busca pessoal em Xambrê. Foram presos Edinalvo Lima Venturi, presidente interino da Câmara Municipal de Xambrê, e Pedro Henrique da Silva Mota, que ocupava o cargo de secretário municipal de Cultura e já foi exonerado.

Também foram apreendidos celulares, documentos e anotações. O material será submetido a perícia e poderá contribuir para o avanço da investigação. Durante o cumprimento dos mandados, uma terceira pessoa foi presa em flagrante por posse ilegal de munições.

Promotor destaca ação conjunta

Na abertura da coletiva, Guilherme Franchi explicou que a operação foi realizada pelo Gaeco em conjunto com a Polícia Civil, por meio da 7ª Subdivisão Policial de Umuarama.

O promotor destacou que a ação desta sexta-feira teve como objetivo cumprir as ordens judiciais expedidas pela Justiça, incluindo as duas prisões preventivas. A investigação foi conduzida pelo Gaeco, com apoio da Polícia Civil nos cumprimentos dos mandados.

Polícia acredita que novas vítimas podem aparecer

Para os investigadores, a prisão dos dois suspeitos pode estimular outras pessoas a procurar as autoridades. Matheus afirmou que a influência exercida pelos investigados no município pode ter dificultado anteriormente a revelação de outros casos.

“Provavelmente outras vítimas não identificadas poderão surgir a partir de agora.” Os celulares e demais materiais recolhidos nesta sexta-feira serão novamente analisados. A polícia considera possível que os equipamentos revelem outros episódios relacionados aos investigados.

A apuração continua para identificar novas vítimas, esclarecer as circunstâncias dos fatos e verificar a eventual existência de outras pessoas envolvidas.

Os dois presos são investigados, e as suspeitas ainda serão analisadas no curso do processo. A investigação não representa condenação.

O OBemdito tenta contato com a defesa de Edinalvo Lima Venturi e Pedro Henrique da Silva Mota. O espaço permanece aberto para manifestação dos advogados.

(Com informações do Gaeco/MPPR)

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