Whatsapp Image 2025 02 14 At 17.17.45 Luiz Fernando Publisher do OBemdito

Operação Gomorra aponta que 16 vítimas de crimes sexuais em Xambrê tinham entre 13 a 17 anos

OBemdito
Luiz Fernando - OBemdito
Publicado em 11 de setembro de 2026 às 10h52 - Modificado em 11 de setembro de 2026 às 11h01

As 16 potenciais vítimas identificadas até o momento na Operação Gomorra têm entre 13 e 17 anos, conforme informações apresentadas pelas autoridades durante coletiva de imprensa na manhã desta sexta-feira (11). A investigação apura suspeitas de crimes de natureza sexual envolvendo adolescentes de Xambrê e região.

Dois investigados foram presos preventivamente: Edinalvo Lima Venturi, presidente interino da Câmara Municipal de Xambrê; e Pedro Henrique da Silva Mota, secretário municipal de Cultura. As prisões são cautelares e foram decretadas no curso da investigação, não representando condenação.

Segundo os responsáveis pela apuração, há indícios de que adolescentes teriam sido abordados e posteriormente mantido contato com os investigados pelas redes sociais. A suspeita é de que algumas das potenciais vítimas tenham sido persuadidas a produzir e enviar imagens e vídeos íntimos mediante promessa ou oferta de dinheiro, inclusive por Pix, ou de outras vantagens.

O Ministério Público do Paraná (MPPR) informou que a investigação abrange possíveis crimes de exploração sexual, importunação sexual, produção e armazenamento de conteúdo de violência sexual envolvendo criança ou adolescente.

As circunstâncias e a eventual responsabilidade dos investigados ainda são objeto de apuração.

Investigação analisa conversas desde 2021

A Operação Gomorra teve origem em elementos encontrados durante a análise pericial do celular de um dos investigados. O aparelho havia sido apreendido na Operação Res Privata, deflagrada em 4 de março de 2026. Conforme relatado na coletiva, a análise do dispositivo revelou conversas que levantaram suspeitas sobre possíveis crimes contra a dignidade sexual de adolescentes.

Os investigadores afirmam que as conversas analisadas abrangem um período iniciado em 2021 e que se estende até, pelo menos, o final de 2025.

Até agora, foram identificadas 16 potenciais vítimas. Segundo as autoridades, nenhuma delas tem menos de 12 anos, e os casos identificados envolvem adolescentes entre 13 e 17 anos.

O número, entretanto, ainda pode mudar com o avanço das investigações.

Investigadores apuram abordagem pelas redes sociais

Segundo a linha de investigação apresentada durante a coletiva, os dois suspeitos teriam atuado individualmente, embora existam indícios de que compartilhavam entre si informações relacionadas aos adolescentes. A apuração também busca esclarecer se houve compartilhamento de imagens e vídeos íntimos entre os investigados.

As autoridades afirmaram ainda que um dos investigados exercia atividades tanto na administração municipal quanto em uma instituição religiosa. A suspeita é de que ele tenha utilizado esses ambientes para estabelecer contato com adolescentes e, posteriormente, manter conversas pelas redes sociais.

Ainda não é possível determinar quantas das potenciais vítimas teriam conhecido o investigado por meio da atividade pública ou do ambiente religioso.

Presidente em exercício da Câmara e secretário estão presos preventivamente

Os dois investigados ocupam cargos públicos em Xambrê. Um deles é secretário municipal de Cultura, enquanto o outro é vereador e atualmente exerce a presidência da Câmara Municipal.

Ambos tiveram a prisão preventiva decretada pelo Judiciário. Durante o cumprimento das ordens nesta sexta-feira, um dos investigados também foi autuado em flagrante por posse ilegal de munições, segundo as autoridades.

Além das duas prisões preventivas, a Operação Gomorra cumpriu três mandados de busca e apreensão e dois mandados de busca pessoal.

Documentos, anotações e aparelhos celulares foram apreendidos. O material ainda será submetido à perícia e análise, podendo fornecer novos elementos à investigação.

As autoridades afirmaram também que trabalham com a possibilidade de identificar outras potenciais vítimas ou testemunhas. Essa hipótese dependerá do avanço das diligências e da análise dos materiais recolhidos.

A Operação Gomorra é conduzida pelo Núcleo de Umuarama do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná, em ação integrada com a Polícia Civil, por meio da 7ª Subdivisão Policial (7ª SDP) de Umuarama.

Os fatos permanecem sob investigação.

Participe do nosso grupo no WhatsApp e receba as notícias do OBemdito em primeira mão.