Presos em Xambrê usavam cargos e redes sociais para se aproximar de adolescentes, diz polícia
A forma de atuação de dois homens presos nesta sexta-feira (11), em Xambrê, no Noroeste do Paraná, começou a ser detalhada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pela Polícia Civil. Segundo os investigadores, os suspeitos se aproximavam de adolescentes por meio de ambientes nos quais exerciam influência e, depois, mantinham contato pelas redes sociais.
A investigação aponta que os dois tinham formas semelhantes de abordagem, embora, até o momento, não haja indicação de que atuassem juntos diretamente. Conforme o delegado do Gaeco Matheus Prado Amui Rodrigues, eles agiam individualmente, mas compartilhavam informações sobre as adolescentes e poderiam procurar vítimas conhecidas pelo outro.
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Um dos investigados, segundo a polícia, utilizava a atividade funcional exercida junto à administração municipal para estabelecer contato com adolescentes. Ele também mantinha atuação em uma instituição religiosa, ambiente no qual teria conhecido parte das vítimas.
A partir desses contatos, as conversas avançavam para as redes sociais. Segundo Matheus, os investigados faziam abordagens e ofereciam dinheiro ou outras vantagens para convencer as adolescentes a produzir e enviar conteúdos íntimos.
“Eles aliciavam esses adolescentes por meio das redes sociais e, ali, com persuasão, convenciam esses adolescentes a fornecer, registrar.”
Depois de receber os materiais, os investigados compartilhavam o conteúdo entre si, de acordo com a apuração. As conversas analisadas pela polícia também indicaram uma busca constante por novas vítimas.
Investigação identificou 16 potenciais vítimas
Até o momento, 16 adolescentes foram apontadas como potenciais vítimas. Conforme o delegado, nenhuma vítima com menos de 12 anos foi identificada. As idades encontradas na investigação estão entre 13 e 17 anos.
A análise de conversas também permitiu estabelecer um período para as condutas investigadas. Os diálogos examinados começaram no início de 2021 e seguiram, pelo menos, até o fim de 2025.
Ainda não foi possível determinar quantas vítimas tiveram contato com os investigados por meio de atividades públicas ou religiosas. Segundo Matheus, essa definição dependerá dos depoimentos especiais que serão realizados posteriormente.
Influência era usada para criar aproximação
A polícia identificou que um dos investigados se aproveitava dos ambientes religiosos para iniciar a aproximação com adolescentes. Depois, levava a conversa para as redes sociais, onde, segundo a investigação, a relação evoluía para pedidos de conteúdo íntimo acompanhados de promessas de vantagens.
O delegado afirmou que os investigados mantinham informações sobre as adolescentes e que esse material era compartilhado entre eles. “Eles tinham essa conduta predatória, estavam sempre em busca de novas vítimas.”
Apesar do compartilhamento de informações, a investigação não aponta, até o momento, que os dois tenham executado conjuntamente as abordagens.

Presos ocupavam cargos públicos em Xambrê
Os dois homens presos preventivamente são Edinalvo Lima Venturi, presidente interino da Câmara Municipal de Xambrê, e Pedro Henrique da Silva Mota, que ocupava o cargo de secretário municipal de Cultura e já foi exonerado. A investigação também apura a utilização da influência decorrente dessas posições para facilitar a aproximação com adolescentes.
Operação começou a partir de outra investigação
A Operação Gomorra surgiu a partir de provas encontradas durante a análise de materiais apreendidos na Operação Res Privata, deflagrada pelo Gaeco em 4 de março deste ano.
Segundo Matheus, um dos atuais alvos já havia sido investigado naquela operação. O celular apreendido com ele foi submetido a perícia. Durante a análise do aparelho, os investigadores encontraram conversas que levaram aos crimes agora apurados.
“Ali vieram à tona as provas relativas a esses crimes contra a dignidade sexual de adolescentes do município de Xambrê e região.”
A partir desse material, os investigadores identificaram as possíveis vítimas e reuniram elementos que embasaram os pedidos de prisão preventiva e das demais medidas judiciais.
Gaeco e Polícia Civil apreenderam celulares e documentos
A operação cumpriu três mandados de busca e apreensão, dois de busca pessoal e dois mandados de prisão preventiva em Xambrê. Os mandados foram autorizados pelo Juízo de Garantias da comarca. Durante a ação, foram apreendidos celulares, documentos e anotações. O material será submetido a novas perícias e análises.
Para a polícia, os aparelhos podem revelar outros episódios e até apontar novas vítimas ou possíveis envolvidos. “Provavelmente ali também serão evidenciadas novas condutas ilícitas”, afirmou Matheus. Uma terceira pessoa foi presa em flagrante durante o cumprimento das ordens judiciais por posse ilegal de munições.
Polícia espera que novas vítimas procurem as autoridades
Com os dois investigados presos, a expectativa dos responsáveis pela apuração é de que outras vítimas ou testemunhas se sintam mais seguras para procurar as autoridades.
O delegado afirmou que a influência exercida pelos suspeitos na comunidade poderia ter dificultado a revelação de outras situações.
A investigação continua para identificar eventuais novas vítimas, esclarecer a extensão das condutas e analisar o conteúdo apreendido nesta sexta-feira.
Os crimes investigados envolvem, em tese, exploração sexual, importunação sexual e produção e armazenamento de conteúdo de violência sexual envolvendo crianças ou adolescentes. As acusações ainda estão sob investigação e não representam condenação dos presos.
Como a Operação Gomorra ainda está em andamento, novas informações poderão ser divulgadas pelas autoridades ao longo das próximas horas. O OBemdito acompanha a apuração e busca esclarecer outros detalhes sobre o caso.
O OBemdito também tenta contato com a defesa de Edinalvo Lima Venturi e Pedro Henrique da Silva Mota. O espaço permanece aberto para que os advogados apresentem suas versões e eventuais esclarecimentos sobre as acusações investigadas.
(Com informações do Gaeco/MPPR)
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