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Delegado diz que suspeitos de Xambrê tiveram relações sexuais com algumas vítimas

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Publicado em 11 de setembro de 2026 às 16h41 - Modificado em 14 de setembro de 2026 às 21h37

Uma nova informação apresentada pela Polícia Civil durante a coletiva sobre a Operação Gomorra ampliou a gravidade das suspeitas investigadas em Xambrê, no Noroeste do Paraná. Segundo o delegado do Gaeco Matheus Prado Amui Rodrigues, os dois homens presos preventivamente tiveram relações sexuais com algumas das vítimas identificadas na apuração.

A declaração foi feita na manhã desta sexta-feira (11), durante entrevista na sede do Ministério Público do Paraná (MPPR), em Umuarama.

Participaram da coletiva o promotor Guilherme Franchi, coordenador do Núcleo de Umuarama do Gaeco, e os delegados Matheus Prado Amui Rodrigues e Thiago Araium Pinheiro, da 7ª Subdivisão Policial de Umuarama.

De acordo com Matheus, a investigação não aponta apenas para a produção, o recebimento e o armazenamento de conteúdos de natureza sexual.

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Conforme relatado pelo delegado, em alguns casos os investigados também teriam consumado relações sexuais com adolescentes.

A informação foi apresentada ao explicar a dinâmica investigada pelos policiais e os elementos encontrados nas conversas analisadas durante a apuração.

Medicamento usado para disfunção erétil foi encontrado durante a apreensão realizada no curso da investigação (Foto MPPR)

Investigação aponta 16 potenciais vítimas

Até o momento, 16 adolescentes foram identificados como potenciais vítimas. Segundo o delegado, todos são do sexo masculino e têm entre 13 e 17 anos.

A investigação teve origem na análise de materiais apreendidos durante a Operação Res Privata, deflagrada pelo Gaeco em março deste ano.

Um dos atuais investigados havia sido alvo daquela operação, e o conteúdo encontrado em seu aparelho celular levou os investigadores a novas evidências.

Segundo Matheus, as conversas analisadas começaram no início de 2021 e seguiram pelo menos até o fim de 2025.

Aproximação ocorria por meio de redes sociais

Conforme a investigação, os adolescentes eram abordados e, posteriormente, os contatos avançavam para as redes sociais.

Um dos investigados, segundo o delegado, utilizava também um cargo eclesiástico para se aproximar de adolescentes. A partir desses contatos, as conversas prosseguiam pela internet.

Ainda de acordo com a polícia, havia oferta de dinheiro ou outras vantagens para que os adolescentes produzissem e enviassem conteúdos íntimos.

O vereador Edinalvo Lima Venturi e o ex-secretário municipal de Cultura Pedro Henrique da Silva Mota são alvos da Operação Gomorra, deflagrada em Xambrê (Foto Câmara e Prefeitura de Xambrê)

O delegado explicou que os investigados não atuavam necessariamente juntos. Cada um realizava suas próprias abordagens, mas eles compartilhavam informações e conteúdos relacionados às vítimas.

Material era armazenado e compartilhado

Durante a coletiva, Matheus também afirmou que os investigados armazenavam os conteúdos para uso pessoal. Parte desse material era compartilhada entre os próprios investigados.

A análise das conversas, segundo a polícia, também revelou que os homens mantinham informações sobre adolescentes e demonstravam interesse em novas vítimas. “Eles tinham essa conduta predatória, estavam sempre em busca de novas vítimas.”

Os celulares, documentos e anotações apreendidos durante a Operação Gomorra serão submetidos a novas análises. A expectativa dos investigadores é de que o material possa esclarecer outros episódios.

Dois homens foram presos preventivamente

Foram presos preventivamente Edinalvo Lima Venturi, presidente interino da Câmara Municipal de Xambrê, e Pedro Henrique da Silva Mota, que ocupava o cargo de secretário municipal de Cultura. Pedro foi exonerado do cargo nesta sexta-feira (11), conforme portaria assinada pelo prefeito Décio Jardim.

A operação cumpriu ainda três mandados de busca e apreensão e dois mandados de busca pessoal. Uma terceira pessoa foi presa em flagrante durante a ação por posse ilegal de munições.

Prefeitura de Xambrê publicou portaria que exonera Pedro Henrique da Silva Mota do cargo de secretário municipal de Cultura (Foto Danilo Martins/OBemdito)

Investigação pode revelar novos casos

O delegado Matheus afirmou que a apuração ainda não está encerrada. Segundo ele, a prisão dos investigados pode estimular outras vítimas ou testemunhas a procurar as autoridades.

A polícia também deverá realizar novas análises nos aparelhos apreendidos nesta sexta-feira e ouvir as vítimas por meio dos procedimentos previstos para casos envolvendo adolescentes.

A Operação Gomorra investiga, em tese, crimes de exploração sexual, importunação sexual e produção e armazenamento de conteúdo de violência sexual envolvendo crianças e adolescentes.

Os dois homens permanecem presos preventivamente e são investigados. As suspeitas ainda serão submetidas ao devido processo legal e não representam condenação.

O OBemdito busca ouvir a defesa de Edinalvo Lima Venturi e Pedro Henrique da Silva Mota sobre os fatos investigados na Operação Gomorra. Caso os advogados se manifestem, a reportagem será atualizada com os esclarecimentos apresentados.

(Com informações do Gaeco/MPPR)

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