Sthefanny Belthencoor defende inclusão, saúde e empregabilidade em entrevista
A candidata a deputada estadual Sthefanny Belthencoor, do Partido dos Trabalhadores (PT), participou nesta sexta-feira (11) da rodada de entrevistas promovida pelo OBemdito com candidatos de Umuarama e região. A série reúne nomes que disputam vagas para deputado estadual e federal nas eleições.
As entrevistas seguem até 23 de setembro e são transmitidas às 12h10 e às 18h30 pelas redes sociais do OBemdito. A programação reúne 12 candidatos e busca apresentar ao eleitor as trajetórias, propostas e prioridades de cada participante.
Aos 36 anos, Sthefanny nasceu e cresceu em Umuarama. Ela passou parte da infância no Jardim Panorama e mudou-se para o Conjunto Primeiro de Maio após a morte do pai. Sua trajetória política, segundo ela, nasceu da experiência com preconceito, exclusão e vulnerabilidade social.
Sthefanny se apresenta como uma mulher trans e negra. Durante a entrevista, relatou dificuldades enfrentadas desde o período escolar e defendeu políticas de inclusão para pessoas que vivem situações semelhantes.
“Minha trajetória vem pautada em resistência, em muita luta pelo preconceito, pela transfobia, pela exclusão da sociedade”, afirmou.
Segundo a candidata, a falta de respeito ao nome social ainda representa um problema em diferentes espaços. Ela também defendeu políticas de cotas como instrumentos de inclusão e garantia de direitos.
“Isso não é um favor, isso é direito”, disse Sthefanny ao comentar a necessidade de ampliar a participação de grupos historicamente excluídos.

Experiência como cuidadora aproximou candidata das dificuldades sociais
Antes de ingressar na disputa eleitoral, Sthefanny trabalhou durante dez anos como cuidadora de idosos. A experiência, segundo ela, permitiu acompanhar de perto as dificuldades enfrentadas por idosos, pessoas com deficiência e famílias.
Ela citou situações relacionadas ao acesso a medicamentos, consultas, exames e especialistas. Também apontou dificuldades enfrentadas por mães solo e pessoas que dependem do atendimento público.
Na avaliação da candidata, a experiência profissional ajudou a definir as pautas que pretende levar para a Assembleia Legislativa do Paraná. Entre elas estão saúde, inclusão, empregabilidade e cidadania.
Sthefanny também relatou que enfrentou dificuldades para ingressar no mercado de trabalho por ser uma mulher trans. Ela afirmou que algumas oportunidades foram fechadas durante sua trajetória profissional.
“Eu vivi essa realidade de exclusão, eu muitas vezes tive portas fechadas de emprego”, afirmou.
Candidata defende empregabilidade para população LGBTQIA+
A empregabilidade aparece entre as principais bandeiras apresentadas por Sthefanny durante a entrevista. Ela defende cursos de capacitação e maior abertura do mercado para pessoas LGBTQIA+ e outros grupos em situação de vulnerabilidade.
Em julho, segundo a candidata, ela participou da realização de um projeto voltado à empregabilidade e cidadania em Umuarama. A iniciativa contou com a Defensoria Pública do Paraná, Sesc, Senac e Agência do Trabalhador.
Sthefanny afirmou que pretende ampliar iniciativas desse tipo caso seja eleita. Para ela, a inclusão no mercado de trabalho pode reduzir situações de dependência e exclusão social.
“Inclusão, empregabilidade, eu acho que o foco é a empregabilidade”, afirmou durante a entrevista.
A candidata também comentou a situação de mulheres trans que trabalham nas ruas durante a noite. Na avaliação dela, muitas chegam à prostituição depois de enfrentar exclusão familiar e social.
Ela defendeu a criação de oportunidades para que essas mulheres tenham outras possibilidades de inserção profissional. Ao mesmo tempo, afirmou que não pretende julgar quem trabalha com prostituição.
Saúde regional está entre as prioridades apresentadas
A saúde pública também ocupou parte importante da entrevista. Sthefanny criticou dificuldades enfrentadas por moradores de Umuarama e da região para conseguir exames, consultas e atendimento especializado.
Ela citou a concentração de farmácias públicas em três pontos da cidade como uma preocupação para idosos, pessoas com deficiência e mães que precisam levar os filhos para atendimento.
“A gente precisa ver o dinheiro ser fiscalizado e de fato chegar a quem precisa”, afirmou.
A candidata defendeu uma política de saúde regional capaz de reduzir a espera por exames e consultas com especialistas. Segundo ela, moradores chegam a esperar meses por determinados procedimentos.
Sthefanny também questionou a necessidade de encaminhar demandas de Umuarama para a Central de Leitos localizada em Maringá. Ela afirmou que o modelo pode aumentar a burocracia para pacientes que precisam de internação.

Educação deve evitar abandono escolar após gravidez na adolescência
Na área da educação, Sthefanny afirmou que pretende defender medidas para evitar que adolescentes abandonem os estudos após uma gravidez.
Ela destacou a situação de meninas que engravidam aos 14 ou 15 anos. Segundo a candidata, muitas acabam interrompendo a formação escolar e enfrentam dificuldades para ingressar no mercado de trabalho.
Sthefanny defendeu políticas que permitam a permanência dessas jovens na escola. Entre as medidas citadas estão ações de apoio, acompanhamento e condições para conciliar a maternidade com os estudos.
A candidata também relacionou educação à ampliação de oportunidades. Para ela, garantir a continuidade da formação ajuda a reduzir situações de vulnerabilidade social e dependência financeira.
Segurança e combate ao feminicídio
Na segurança pública, Sthefanny destacou a necessidade de fortalecer políticas de prevenção à violência contra as mulheres. Ela citou dados apresentados durante a entrevista sobre feminicídios registrados no Paraná.
Segundo a informação mencionada pela candidata, foram registrados 55 feminicídios no Estado no primeiro semestre de 2026. Ela também afirmou que houve aumento de 14% em relação ao mesmo período de 2025.
Para Sthefanny, as políticas públicas precisam agir antes que a violência resulte em feminicídio. Ela defendeu maior atuação de profissionais das áreas social e psicológica no atendimento às mulheres.
“Essa política precisa chegar para prevenir, não após o acontecimento do feminicídio”, afirmou.
Representar grupos que se sentem excluídos
Apesar de apresentar pautas relacionadas à população LGBTQIA+, Sthefanny afirmou que sua candidatura não se limita a esse grupo. Ela citou trabalhadores, mulheres, população negra, idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade.
A candidata também destacou a importância da representatividade na política. Segundo ela, a Assembleia Legislativa ainda não teve uma mulher negra ou uma mulher trans ocupando uma cadeira.
“A política da Stephanny não é voltada só à população LGBTQIPN+”, afirmou. Segundo ela, a proposta envolve pessoas que não se sentem representadas nos espaços de poder.
Sthefanny disse ainda que esta é sua primeira eleição. Ela afirmou que começou a estudar política de forma mais intensa há cerca de quatro anos e passou a se preparar para uma eventual candidatura estadual.

“A gente está preparada para não abaixar a cabeça”, afirma
Durante a entrevista, Sthefanny também falou sobre a disposição para enfrentar debates políticos caso seja eleita. Ela afirmou que sua trajetória pessoal contribuiu para formar sua postura diante das dificuldades.
“Eu sofri tanto na minha vida, precisei abaixar a cabeça tantas vezes, que agora a gente está preparada para não abaixar a cabeça”, declarou.
A candidata disse que continua vivendo em uma casa humilde e que mantém contato com a realidade que pretende representar. Para ela, essa experiência reforça sua intenção de defender políticas voltadas às pessoas em situação de vulnerabilidade.
Sthefanny afirmou que pretende atuar na fiscalização dos recursos públicos e cobrar que as políticas sociais alcancem efetivamente a população.
Compromisso declarado é com dignidade e fiscalização
Ao final da entrevista, Sthefanny definiu como principal compromisso a defesa da dignidade humana e a fiscalização dos recursos públicos. Ela afirmou que pretende acompanhar a aplicação do dinheiro e cobrar resultados das políticas sociais.
“Quero ser a voz dos invisibilizados, mostrar que a periferia, as mulheres, as mães solo, os idosos e a comunidade LGBTQIA+ têm o direito e a capacidade de ocupar qualquer espaço de poder”, afirmou.
A candidata também pediu um voto de confiança aos eleitores que acreditam em uma política diferente. Ela defendeu uma atuação que, segundo suas palavras, seja humanizada e voltada à transformação da realidade social.
Veja as entrevistas anteriores da série:
Leia também: Sérgio Frederico defende representação regional e promete escritório político em Umuarama
Leia também: Em entrevista, Tião Medeiros defende corte de gastos, agricultura e critica apostas online
Leia também: Giuliano Turetta apresenta propostas para saúde e economia em entrevista ao OBemdito
Participe do nosso grupo no WhatsApp e receba as notícias do OBemdito em primeira mão.





