Rudson de Souza Publisher do OBemdito

Médico investigado por ataque a tiros no Hospital Cemil pode ir a júri em Umuarama

Audiência de instrução e julgamento ouviu 13 testemunhas e contou com o interrogatório de Gabriel Damasceno Camargo (Foto Rede Social)
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Rudson de Souza - OBemdito
Publicado em 27 de agosto de 2026 às 19h06 - Modificado em 27 de agosto de 2026 às 19h28

A Justiça de Umuarama realizou nesta quinta-feira (27) a audiência de instrução e julgamento do processo envolvendo o médico residente Gabriel Damasceno Camargo, de 27 anos, investigado pelo ataque a tiros contra um médico ortopedista dentro do Hospital Cemil. Ao longo da audiência, foram ouvidas cinco testemunhas indicadas pelo Ministério Público e oito apresentadas pela defesa, além do interrogatório do réu.

O ato foi conduzido pela juíza Silvane Cardoso Pinto, da 2ª Vara Criminal de Umuarama. Depois da produção da prova oral e do interrogatório de Gabriel, a defesa solicitou a juntada de documentos complementares ao processo. A magistrada concedeu prazo de 48 horas para que o material seja apresentado.

Com o cumprimento dessa etapa, o processo seguirá para as manifestações finais do Ministério Público e da defesa. Depois disso, caberá à magistrada analisar o conjunto do processo e decidir se o caso deverá ser encaminhado para julgamento pelo Tribunal do Júri.

Defesa diz que depoimentos reforçaram tese

Procurada pelo OBemdito, a advogada de defesa Bruna Scremin afirmou que considera a audiência importante para o esclarecimento dos fatos e avaliou que os depoimentos apresentados durante a instrução reforçaram a versão sustentada pela defesa.

“A defesa considera que a audiência de hoje foi extremamente importante para o esclarecimento dos fatos. A prova oral produzida foi uníssona [em harmonia] em pontos essenciais e corroborou a tese sustentada desde o início do processo.”

Segundo Bruna, os depoimentos também confirmaram elementos considerados relevantes para a defesa. A advogada não detalhou esses pontos.

Gabriel segue internado em uma clínica psiquiátrica, onde realiza tratamento. A internação foi determinada pela Justiça em maio, quando a prisão preventiva foi substituída por uma medida cautelar de internação psiquiátrica provisória.

O ataque no Hospital Cemil

O caso ocorreu em 15 de maio, no Hospital Cemil, em Umuarama. Gabriel, então médico residente, é investigado por ter atirado contra um médico ortopedista durante um atendimento.

O disparo atingiu de raspão a cabeça de uma paciente de 58 anos que estava no local. Ela não sofreu ferimentos graves.

Segundo informações divulgadas pela Polícia Militar do Paraná na época, o ortopedista e a paciente não perceberam o momento em que Gabriel sacou a arma. Após o disparo, o médico deixou o hospital e, durante a fuga, rendeu um motorista e tentou roubar o veículo.

Gabriel acabou preso pouco tempo depois. Com ele, os policiais apreenderam um revólver calibre 32, munições intactas e cápsulas deflagradas. A polícia informou que a arma não possuía registro e que o médico não tinha porte legal.

Por causa da sequência dos acontecimentos, o caso passou a ser investigado como tentativa de homicídio e roubo, este relacionado à abordagem do motorista durante a fuga.

A advogada Bruna Scremin, que integra a defesa de Gabriel Damasceno Camargo, considerou a audiência importante para o esclarecimento dos fatos e afirmou que os depoimentos reforçaram a tese apresentada pela defesa (Foto Danilo Martins/OBemdito)

Defesa sustenta necessidade de tratamento

Desde a prisão, a defesa de Gabriel sustenta que ele apresentava um quadro psiquiátrico grave e precisava de acompanhamento especializado.

Em entrevista ao OBemdito em abril, a defesa afirmou que o médico tem transtorno bipolar tipo 1 e estaria em “surto psicótico”. A defesa disse, na ocasião, que Gabriel fazia acompanhamento psiquiátrico havia mais de um ano e recebia medicação diariamente desde a prisão.

A defesa apresentou à Justiça prontuários médicos, laudos psiquiátricos e a disponibilidade de vaga em uma clínica especializada. O primeiro pedido de substituição da prisão por internação foi negado, mas a Justiça determinou a realização de perícia médica judicial.

Em 25 de maio, a juíza da 2ª Vara Criminal de Umuarama autorizou a substituição da prisão preventiva pela internação psiquiátrica provisória em uma clínica particular indicada pela defesa. O Ministério Público havia se manifestado contra o pedido.

Na época, a advogada Bruna Scremin afirmou que a defesa não buscava uma soltura sem restrições. “Nós não pedimos soltura irrestrita. O que defendemos foi a substituição da prisão por uma medida capaz de resguardar também a saúde mental dele, com acompanhamento especializado e monitoramento judicial.”

Por questões de segurança, a cidade onde está localizada a clínica não foi divulgada.

Investigação também apura motivação

A motivação do ataque continua sendo investigada pela Polícia Civil. Conforme a defesa, não havia histórico de desentendimentos anteriores entre Gabriel e o médico ortopedista atingido.

O processo criminal agora entra em sua etapa final de instrução. Depois da apresentação dos documentos complementares pela defesa, serão realizadas as manifestações finais da acusação e da defesa.

Paralelamente à ação criminal, o Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) instaurou uma sindicância para apurar a conduta do residente. Gabriel também foi desligado do programa de residência médica do Hospital Cemil.l também foi desligado do programa de residência médica do Hospital Cemil.

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