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Defesa pede internação psiquiátrica de médico que atirou em hospital de Umuarama; entrevista

Defesa pede internação psiquiátrica de médico que atirou em hospital de Umuarama; entrevista
Rudson de Souza - OBemdito
Publicado em 20 de abril de 2026 às 16h07 - Modificado em 20 de abril de 2026 às 19h03

A defesa do médico residente Gabriel Damasceno Camargo, 27, afirmou nesta segunda-feira (20) que vai insistir na substituição da prisão preventiva por internação psiquiátrica. Em entrevista concedida ao OBemdito e a imprensa de Umuarama, as advogadas Jaqueline Vilela e Bruna Scremin disseram que o cliente enfrenta um “surto psicótico” e precisa de tratamento urgente.

A defesa não pede a liberdade para que Gabriel saia e vá para o seu lar. Não. A defesa quer que o Estado resguarde também a saúde de Gabriel”, afirmou Bruna Scremin. Segundo ela, a estratégia neste momento não é evitar a responsabilização penal, mas garantir que ele seja encaminhado a um ambiente adequado.

Gabriel está preso desde quinta-feira (16), após audiência de custódia que converteu o flagrante em preventiva. Antes disso, a defesa apresentou laudos médicos, prontuários psiquiátricos e até uma declaração de vaga em uma clínica em Cascavel, pedindo que a prisão fosse substituída por internação.

Apresentamos prontuários, laudos e uma vaga em clínica psiquiátrica. Pedimos o internamento como substituição da prisão, mas o pedido foi indeferido”, disse Scremin. A juíza determinou, porém, a realização de uma perícia médica judicial em até dois dias.

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De acordo com as advogadas, Gabriel faz acompanhamento psiquiátrico há mais de um ano e foi diagnosticado com transtorno bipolar tipo 1. “Ele está em nítido surto psicótico. Relatou não ter detalhes, não recordar o que aconteceu”, afirmou Jaqueline Vilela, referindo-se ao depoimento na audiência de custódia.

Ainda na sexta-feira (17), o médico foi levado escoltado para avaliação com sua psiquiatra, que reforçou a necessidade de internação imediata. Mesmo assim, o Ministério Público se manifestou pela manutenção da prisão preventiva.

A defesa diz que o estado de saúde do residente permanece delicado. “Ele não responde quando é indagado. Permanece em estado de choque, sendo medicado diariamente”, afirmou Vilela.

As advogadas também destacaram que não há, até o momento, motivação clara para o ataque. “Não existe qualquer desentendimento anterior com o médico preceptor. A motivação não foi esclarecida”, disse Scremin. Segundo ela, a hipótese de premeditação ainda é considerada prematura.

Sobre a arma utilizada, um revólver calibre 32, a defesa afirmou que se trata de um objeto de “histórico familiar” e que a análise sobre o fato de ele estar armado no hospital será feita ao longo do processo. “No momento, isso está ligado ao transtorno dele”, declarou.

As advogadas também rechaçaram qualquer relação com uso de drogas. “Não há uso de substância ilícita. Isso foi relatado inclusive pela própria médica dele”, disse Jaqueline.

Elas ressaltaram que o trabalho da defesa não busca afastar a gravidade do caso. “O fato é grave, aconteceu, e não estamos aqui para tirar a responsabilidade. Mas é preciso olhar o lado humano e garantir tratamento adequado”, afirmou Scremin.

Médico residente Gabriel Damasceno Camargo, de 27 anos, foi preso após atirar durante atendimento em hospital de Umuarama; defesa pede internação psiquiátrica (Foto Rede Social)

O caso

O médico residente atirou contra um ortopedista durante um atendimento no Hospital Cemil, em Umuarama, na tarde de quarta-feira (15). O disparo atingiu de raspão a cabeça de uma paciente de 58 anos, que não corre risco de morrer.

Segundo a Polícia Militar, nem o médico nem a paciente perceberam o momento em que Gabriel sacou a arma. Após o tiro, ele fugiu do hospital, rendeu um motorista, roubou um carro e acabou preso em flagrante pouco depois.

Com ele, foram apreendidos um revólver calibre 32, seis munições no tambor, outras 17 intactas e duas já deflagradas. A polícia informou que a arma não tinha registro e que o residente não possuía porte.

O caso é investigado pela Polícia Civil como tentativa de homicídio e roubo. A motivação ainda não foi esclarecida.

O Hospital Cemil classificou o episódio como “incidente isolado” e informou que o médico será desligado do programa de residência. O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) abriu sindicância e poderá cassar o registro profissional, dependendo do resultado das apurações.

Nota do Hospital Cemil

“A Associação Beneficente São Francisco de Assis / Hospital CEMIL vem por meio desta Nota Oficial informar incidente isolado ocorrido em suas dependências na tarde de hoje, envolvendo um disparo de arma de fogo. A Polícia Militar foi imediatamente acionada e o caso está sendo devidamente apurado pelas autoridades competentes, com as quais esta instituição de saúde colabora integralmente. O hospital reforça que repudia qualquer tipo de violência e/ou conduta que contrarie seus princípios institucionais e informa que medidas cabíveis estão sendo tomadas, também, no âmbito interno. Por respeito aos direitos dos envolvidos e ao sigilo das investigações, não serão fornecidos detalhes adicionais neste momento. A instituição permanece à disposição para prestar esclarecimentos às autoridades e reafirma seu compromisso com a segurança, a ética e a qualidade no atendimento”, diz a nota.

Revólver calibre 32 apreendido com o médico residente após o ataque em hospital de Umuarama; arma não tinha registro, segundo a polícia (Foto PMPR)

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