Rudson de Souza Publisher do OBemdito

A emocionante alta da pequena Malu após 94 dias no hospital em Umuarama

Maria Luiza, após uma longa jornada de cuidados e superação, agora vive em casa ao lado dos pais, cercada pelo carinho da família (Foto Família Bóis Matimoto)
OBemdito
Rudson de Souza - OBemdito
Publicado em 27 de agosto de 2026 às 11h57 - Modificado em 27 de agosto de 2026 às 12h04

Maria Luiza Bóis Matimoto chegou ao mundo antes do tempo, mas encontrou pelo caminho uma sucessão de cuidados, fé e esperança. Aos 103 dias de vida, a pequena Malu já carrega uma trajetória que começou em 15 de maio, quando nasceu com apenas 29 semanas de gestação.

A antecipação do parto ocorreu depois que a mãe, Gabriela Bruna Bóis Matimoto, enfrentou uma pré-eclâmpsia refratária ao tratamento. As primeiras alterações na pressão arterial haviam aparecido por volta da 24ª semana e foram controladas com medicamentos por algum tempo.

Uma consulta de rotina no sexto mês trouxe uma nova preocupação. A obstetra Ceres Giacometti identificou restrição de crescimento e queda no percentil da bebê, preparando a família para a possibilidade de um parto prematuro.

Maria Luiza foi batizada pelo Dom Frei Mamede Filho durante os primeiros dias de vida, em um momento de fé e significado para a família

A intenção era tentar levar a gestação até 34 semanas, mas Gabriela precisou ser internada quando estava com 28 semanas. Durante cinco dias, foram adotadas medidas para controlar a pressão, sem que o resultado esperado fosse alcançado.

Diante da situação, os médicos precisaram realizar uma cesárea de emergência, e Maria Luiza nasceu com 29 semanas.

Uma rotina de incertezas na UTI

Os primeiros dias foram especialmente difíceis para Phelipe Hydemy Saquetti Matimoto, o pai, e Gabriela. A cada visita, havia novas informações, possibilidades e mudanças no quadro da filha, fazendo os pais questionarem se a veriam novamente.

Maria Luiza passou os primeiros dias de vida na incubadora, sob cuidados da equipe médica durante a longa permanência no hospital

Foi nesse período que aprenderam a viver a internação sem tentar antecipar o dia seguinte. “Os primeiros dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) foram desafiadores. Nós tínhamos a coragem de dar um passo com a confiança de que Deus nos daria o chão para pisar”, lembram.

Maria Luiza permaneceu 75 dias na UTI e depois passou outros 19 dias na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI), totalizando 94 dias de internação. Para os pais, a melhora aconteceu continuamente, entre pequenas conquistas e novos desafios.

“É complicado dizer um momento que percebemos que ela estava melhorando, porque a luta de um prematuro é feita dia a dia, momento a momento”, relatam.

Pequena Maria Luiza segura o dedo do mãe, em um registro que revela a delicadeza dos seus primeiros dias de vida e o tamanho de sua mão diante da mão materna

A fé presente desde as primeiras horas

Com menos de duas horas de nascimento, Maria Luiza foi batizada por Dom Frei João Mamede Filho, em um momento especialmente significativo. Segundo os pais, a partir daquele momento, Malu evoluiu muito bem.

A fé, porém, não significou ignorar o medo ou as dificuldades. Para a família, esperança foi encontrar forças para acolher cada possibilidade, inclusive aquelas que não correspondiam ao que desejavam.

“O principal desafio é manter a esperança de que, com Deus, a vida sempre renasce. Não uma esperança vaga ou egoísta, mas abraçando tudo o que o Deus de eterna misericórdia nos concedesse”, afirmam.

Durante a gestação, Gabriela enfrentou oscilações na pressão arterial e, posteriormente, uma pré-eclâmpsia que não respondeu ao tratamento

O hospital virou uma extensão da casa

Ao longo de mais de três meses, o ambiente hospitalar passou a fazer parte da vida da família. Phelipe e Gabriela destacam o acolhimento da equipe do Hospital e Maternidade Norospar, que foi solícita, gentil e humanizada durante a internação.

Como a bebê precisou permanecer no hospital durante parte do período em que ainda deveria estar no ventre materno, eles enxergam nos profissionais uma continuidade desse cuidado.

A família encontra essa percepção nas palavras do Salmo 139, que fala sobre o ser humano ter sido tecido desde o ventre pelo Altíssimo.

Phelipe e Gabriela ao lado da pequena Maria Luiza, após 94 dias de internação, celebram a chegada da filha em casa

“Nós vemos toda a equipe do Norospar como uma continuação dessas mãos de Deus, pois ela precisou concluir seu desenvolvimento no hospital, cuidada e tecida pelas mãos de tantos profissionais”, dizem.

Aprender a lidar também com o medo

Na primeira visita à UTI, ouviram a orientação de que deveriam lutar como a filha, acompanhando a força de um bebê prematuro. A experiência também ensinou que não era necessário esconder os sentimentos difíceis.

Para a família, angústia, tristeza, sofrimento, agonia e dúvida precisavam ser reconhecidos e compartilhados com pessoas de confiança, capazes de ouvir sem julgamentos.

A mão da mãe segura delicadamente o pequeno pé de Maria Luiza, em um registro que traduz a delicadeza dos primeiros dias de vida da filha

“Quando os momentos de angústia, tristeza, sofrimento, agonia, dúvida baterem à porta, não tente maquiá-los ou escondê-los, fale a Deus o que vem ao seu coração”, aconselham.

Os pais também ressaltam a importância de conversar com alguém próximo e simplesmente ouvir como forma de apoio. “Até Jesus quis ser consolado, e foi. Como é bom ser e deixar ser consolado”, afirmam.

A alta que chegou sem aviso

Depois de tantos dias, a alta da UTI chegou de maneira inesperada, pois não existe uma data marcada com antecedência. Quando a equipe percebe a preparação da bebê, a família é comunicada, dependendo da evolução.

Depois de 94 dias de internação, Maria Luiza finalmente está em casa com os pais, cercada pelo carinho e pela alegria da família

Para Phelipe e Gabriela, a notícia trouxe uma mistura de sentimentos. Havia a alegria pela evolução da filha, mas também a insegurança diante de uma realidade diferente daquela vivida no hospital.

“Levar nossa pequena para casa era tão esperado e incerto, que não é possível descrever o misto de emoções”, contam.

No hospital, havia equipe disponível e monitoramento constante. Em casa, além das demandas de um recém-nascido, os cuidados passaram a depender diretamente dos pais, exigindo atenção ainda maior.

O retorno para casa trouxe à família a felicidade de finalmente viver ao lado de Maria Luiza os momentos tão esperados durante a longa jornada no hospital

Um reencontro esperado por 94 dias

A saída do hospital representou a chegada de Maria Luiza ao lugar que os pais esperaram durante toda a trajetória. Depois de 75 dias na UTI e 19 na UCI, Malu pôde seguir para casa com Phelipe e Gabriela.

A longa espera foi marcada por incertezas, orações, cuidados e pequenas conquistas que permitiram à família chegar a esse momento. A história da filha mudou a maneira como enxergam a esperança, que passou a representar a disposição para continuar acreditando e vivendo cada etapa.

E é dessa experiência que nasce a frase que sintetiza com tanta força os 94 dias de espera e a linda vitória da filha, ao lembrarem que “a esperança não decepciona, nunca decepciona!”

(Com imagens do arquivo da família Bóis Matimoto)

Participe do nosso grupo no WhatsApp e receba as notícias do OBemdito em primeira mão.