Conselho de Medicina vai investigar morte de estudante de Psicologia ocorrida em Umuarama
O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) informou que vai instaurar uma sindicância para apurar a conduta do profissional envolvido no caso da morte da acadêmica de Psicologia Tayana Cristina Lopes de Toledo, de 37 anos, em Umuarama. O órgão também determinou uma fiscalização na instituição de saúde onde os fatos teriam ocorrido.
A medida foi tomada depois que o conselho tomou conhecimento das informações divulgadas sobre o caso. A apuração deverá verificar a conduta profissional e as circunstâncias relacionadas ao atendimento prestado à paciente.
Tayana morreu na madrugada de segunda-feira (24), depois de permanecer internada no Hospital e Maternidade Norospar desde a noite de quarta-feira (19), quando foi encaminhada em estado grave para atendimento hospitalar.
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A morte também é investigada pela Polícia Civil do Paraná, por meio da 7ª Subdivisão Policial (7ª SDP) de Umuarama. O procedimento está em fase de análise e, até o momento, a corporação não divulgou detalhes sobre as diligências.
Conselho vai fiscalizar instituição
Em nota, o CRM-PR informou que acompanha o caso e adotará as medidas previstas para apurar a atuação do profissional envolvido.
Além da sindicância, o conselho determinou uma fiscalização na instituição de saúde onde os fatos teriam ocorrido. O objetivo é reunir elementos para a apuração, sem antecipar qualquer conclusão sobre eventual responsabilidade.
Caso seja comprovada uma conduta que viole as regras éticas da profissão, as penalidades previstas na legislação que criou os Conselhos de Medicina podem variar de advertência confidencial até a cassação do exercício profissional. A aplicação da sanção dependerá do grau de culpa e da gravidade das consequências que forem apuradas.
O CRM-PR também ressalta que sindicâncias e processos ético-profissionais tramitam sob sigilo processual, conforme estabelece o Código de Processo Ético-Profissional, regulamentado pela Resolução CFM nº 2.306/2022. O procedimento garante às partes envolvidas o direito ao contraditório e à ampla defesa.
Saúde Municipal também analisa o atendimento
A Secretaria Municipal de Saúde de Umuarama informou que acompanha o caso e está analisando o prontuário médico de Tayana.
Segundo a pasta, a paciente começou a apresentar mal-estar depois de realizar exames de imagem em uma clínica privada na quarta-feira (19), conforme relatos dos familiares.
Por volta das 19h30, Tayana procurou o Pronto Atendimento (PA), onde recebeu atendimento médico. Depois da estabilização do quadro, ela foi encaminhada para uma unidade hospitalar por meio do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
A Secretaria Municipal de Saúde informou que a análise do prontuário busca avaliar de forma rigorosa os procedimentos adotados e a evolução do atendimento.
A pasta também manifestou solidariedade aos familiares e amigos de Tayana e desejou força e conforto neste momento de luto.
Família questiona o que aconteceu após exame
A morte passou a ser questionada pela família em razão da sequência de acontecimentos registrada depois de um exame de ressonância magnética com sedação realizado em uma clínica de Umuarama.
Segundo os familiares, Tayana estava bem antes do procedimento e havia procurado atendimento para investigar uma dor no joelho.
A estudante já havia tentado realizar o exame anteriormente, sem sedação, mas não conseguiu permanecer dentro do equipamento por causa da claustrofobia.
Conforme relato da prima, Sofia Fernanda Lopes Martins, feito ao OBemdito durante o velório, Tayana iniciou o procedimento por volta das 10h da quarta-feira (19).
Durante o exame, segundo a família, a paciente apresentou tremores fortes. Sofia foi chamada ao local depois que Tayana começou a passar mal. Mesmo com os tremores, o exame teria sido concluído.
Ainda conforme o relato familiar, Tayana sentiu muito frio enquanto estava dentro do equipamento e recebeu um cobertor. Depois de deixar o aparelho, continuou com frio intenso e recebeu outros cobertores. Na sequência, teria apresentado diarreia.

Segundo Sofia, a médica responsável pelo procedimento teria explicado que os sintomas poderiam ocorrer em razão da sedação.
Família afirma que Tayana foi liberada
Ainda de acordo com a prima, Tayana estava consciente depois do procedimento e teria manifestado vontade de voltar para casa para dormir.
A família afirma que ela foi liberada mesmo apresentando os sintomas. Em casa, porém, o quadro não teria melhorado. Os sintomas continuaram e, posteriormente, Tayana teria apresentado sangue na urina.
A médica teria sido informada pela família sobre a evolução do quadro. Segundo Sofia, a orientação recebida foi para que Tayana procurasse o Pronto Atendimento Municipal de Umuarama, onde o médico plantonista estaria ciente da situação.
Por volta das 19h30, conforme informado pela Secretaria Municipal de Saúde, a paciente procurou o PA, recebeu atendimento e foi encaminhada ao hospital após a estabilização do quadro.
Estado de saúde se agravou
Segundo a família, o médico plantonista avaliou que os sintomas poderiam estar relacionados ao procedimento realizado anteriormente.
O estado de saúde de Tayana, porém, teria se agravado ao longo das horas seguintes. Por volta das 22h, ela precisou ser intubada e, posteriormente, foi transferida para o Hospital e Maternidade Norospar.
A paciente permaneceu internada em estado grave até a madrugada de segunda-feira (24).
Durante a internação, conforme relato dos familiares, houve comprometimento pulmonar e foram retirados aproximadamente dois litros de líquido dos pulmões.
Hipóteses médicas ainda precisam ser esclarecidas
A família afirma que uma das hipóteses inicialmente consideradas foi a de choque anafilático, uma reação alérgica grave.
Posteriormente, segundo os familiares, também teria sido levantada durante a internação a possibilidade de hipertermia maligna, reação grave associada a determinados anestésicos e que pode ocorrer durante ou depois de procedimentos com anestesia.
As possíveis causas da reação e da evolução do quadro, no entanto, ainda precisam ser esclarecidas. Até o momento, não há conclusão oficial que estabeleça a causa da morte ou eventual relação entre o procedimento realizado e o agravamento da saúde da paciente.
Para a família, a principal dúvida está justamente na rápida mudança do quadro após a sedação. “A família quer saber por que houve esse excesso de medicação?”, questionou Sofia.
Médica afirma que não houve falha
A médica Ana Cláudia Abdo Lopes, afirmou em nota encaminhada na terça-feira (25) que não houve erro médico ou falha assistencial na condução do caso.
Segundo ela, todos os procedimentos e condutas adotados pela equipe de saúde seguiram os protocolos técnicos vigentes, a literatura médica e os padrões profissionais.
A médica também explicou que não pode divulgar prontuário, diagnósticos ou outros detalhes clínicos da paciente por causa das normas de privacidade, da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e do sigilo profissional previsto no Código de Ética Médica.
“Os esclarecimentos técnicos necessários já estão sendo direcionados e apresentados formalmente perante os órgãos competentes”, afirmou.
Norospar diz que paciente chegou em estado gravíssimo
O Hospital e Maternidade Norospar também foi procurado pelo OBemdito e informou que Tayana chegou à instituição em estado gravíssimo.
Em nota, o hospital afirmou que todos os recursos disponíveis foram utilizados no atendimento realizado no Pronto-Socorro e durante os dias em que a paciente permaneceu internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Apesar dos esforços, Tayana morreu na segunda-feira (24). “A instituição lamenta o falecimento e se solidariza com os familiares e amigos neste momento de dor”, informou o hospital.
Polícia Civil apura circunstâncias da morte
A Polícia Civil instaurou procedimento para investigar o caso. Segundo a corporação, a apuração está em andamento e permanece em fase de análise.
Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre as diligências ou sobre eventual responsabilização.
A investigação deverá reunir informações sobre a sequência dos acontecimentos, as condições clínicas apresentadas por Tayana após o exame e os atendimentos realizados antes e durante a internação hospitalar.
A apuração do CRM-PR seguirá de forma independente, dentro das regras aplicáveis aos procedimentos ético-profissionais.
Família busca respostas
Tayana era acadêmica do curso de Psicologia da Universidade Paranaense (Unipar), em Umuarama. A instituição comunicou a morte na segunda-feira (24) e suspendeu as aulas do curso naquele dia.
A estudante também era mãe de um casal de filhos gêmeos, de 7 anos. Segundo os familiares, as duas crianças têm Transtorno do Espectro Autista (TEA).
O velório começou às 21h30 de segunda-feira, no Memorial Umuprev. O sepultamento foi antecipado e ocorreu nesta terça-feira (25), às 15h, no Cemitério Municipal de Umuarama.
Agora, enquanto a Polícia Civil apura as circunstâncias da morte, o CRM-PR inicia a sindicância e prepara a fiscalização na instituição de saúde. A Secretaria Municipal de Saúde também analisa o prontuário do atendimento realizado no Pronto Atendimento.
Para a família, o objetivo é compreender o que aconteceu entre a realização do exame, que segundo os relatos tinha como finalidade investigar uma dor no joelho, e o agravamento que levou à internação e à morte de Tayana.
CONFIRA NOTA DO CRM-PR
O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) informa que está acompanhando o caso e instaurará sindicância para apurar a conduta do profissional envolvido. Após tomar conhecimento das informações relatadas no noticiário sobre o caso, o Conselho também determinou a realização de uma fiscalização na instituição de saúde onde os fatos teriam ocorrido.
Caso comprovada conduta violadora das regras éticas, as sanções previstas na Lei de criação dos Conselhos de Medicina vão desde advertência confidencial, podendo chegar à cassação do exercício profissional, a depender do grau de culpa e da gravidade das consequências apuradas.
Conforme estabelece o Código de Processo Ético-Profissional (Resolução CFM nº 2.306/2022), as sindicâncias e os processos ético-profissionais tramitam sob sigilo processual, garantindo às partes envolvidas os direitos constitucionais ao contraditório e à ampla defesa.
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