Justiça autoriza internação de médico que atirou dentro de hospital em Umuarama
A Justiça de Umuarama determinou nesta segunda-feira (25) a substituição da prisão preventiva do médico residente Gabriel Damasceno Camargo, de 27 anos, por uma medida cautelar de internação psiquiátrica provisória em uma clínica particular indicada pela defesa.
A decisão foi tomada pela juíza da 2ª Vara Criminal de Umuarama, após análise do pedido protocolado pelas advogadas Bruna Scremin e Jaqueline Vilela. Gabriel estava preso na Penitenciária Estadual de Campo Mourão desde a conversão do flagrante em prisão preventiva, decretada após audiência de custódia.
Segundo a defesa, a decisão representa o reconhecimento da necessidade de tratamento médico especializado diante do quadro psiquiátrico apresentado pelo residente.
“A Justiça compreendeu que a situação exige acompanhamento clínico imediato e contínuo. Desde o início, a defesa sustentou que Gabriel precisava de tratamento psiquiátrico adequado, sem afastar a gravidade dos fatos investigados”, afirmou a advogada Bruna Scremin em entrevista ao OBemdito.
Ela acrescentou que o pedido nunca teve como objetivo simplesmente colocar o médico em liberdade. “Nós não pedimos soltura irrestrita. O que defendemos foi a substituição da prisão por uma medida capaz de resguardar também a saúde mental dele, com acompanhamento especializado e monitoramento judicial”, disse.
Por questões de segurança, a reportagem optou por não divulgar a cidade onde fica a clínica psiquiátrica para a qual Gabriel será encaminhado.

O Ministério Público se manifestou de forma contrária ao pedido de substituição da prisão preventiva. Ainda assim, a magistrada acolheu os argumentos apresentados pela defesa e autorizou a transferência do médico para internação.
O caso ganhou repercussão estadual após o episódio registrado no Hospital Cemil, em Umuarama, no último dia 15 de maio. Gabriel é investigado por atirar contra um médico ortopedista durante um atendimento. O disparo atingiu de raspão a cabeça de uma paciente de 58 anos, que não sofreu ferimentos graves.
Segundo informações da Polícia Militar, nem o ortopedista nem a paciente perceberam o momento em que o residente sacou a arma. Após o tiro, o médico fugiu do hospital, rendeu um motorista, roubou um veículo e acabou preso pouco tempo depois.
Com ele, os policiais apreenderam um revólver calibre 32, munições intactas e cápsulas deflagradas. A polícia informou na ocasião que a arma não possuía registro e que Gabriel não tinha porte legal.
Desde a prisão, a defesa sustenta que o médico enfrenta um quadro psiquiátrico grave. Em entrevista concedida ao OBemdito ainda em abril, as advogadas afirmaram que Gabriel sofre de transtorno bipolar tipo 1 e estaria em “surto psicótico”.
Na ocasião, a defesa apresentou prontuários médicos, laudos psiquiátricos e até a disponibilidade de vaga em clínica especializada para pedir a substituição da prisão por internação. O pedido havia sido negado inicialmente, embora a Justiça tenha determinado perícia médica judicial.
As advogadas também afirmaram anteriormente que o residente fazia acompanhamento psiquiátrico havia mais de um ano e que vinha sendo medicado diariamente desde a prisão.
A motivação do ataque ainda segue sob investigação da Polícia Civil. Conforme a defesa, não havia histórico de desentendimentos anteriores entre Gabriel e o médico ortopedista atingido na ocorrência.
O caso é investigado como tentativa de homicídio e roubo. Paralelamente, o Conselho Regional de Medicina do Paraná instaurou sindicância para apurar a conduta do residente, que também foi desligado do programa de residência médica do Hospital Cemil.
(Com imagem de Danilo Martins/OBemdito)





