Nova usina vai processar resíduos e gerar energia em Umuarama; investimento é de R$ 30 milhões
Um investimento de R$ 30 milhões vai implantar em Umuarama uma usina para processamento de resíduos, produção de energia e de combustível. Nesta quinta-feira (27), aconteceu o lançamento da pedra fundamental da usina da Central de Tratamento de Resíduos Sólidos Industriais e Comerciais (Cetric).
A unidade será instalada às margens da PR-323, próxima ao trevo de acesso ao distrito de Lovat, e deverá gerar cerca de 54 empregos diretos na operação. O lançamento da obra contou com a presença do governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior, o prefeito de Umuarama, Fernando Scanavaca, o CEO da Cetric, Gustavo Baldissera, entre outras autoridades.
Conforme Ratinho Junior, a nova estrutura alia o tratamento adequado dos resíduos à produção de energia e combustível. “Nós estamos falando aqui de energia limpa, que ajuda, inclusive, a dar um destino para resíduos de indústria, resíduos de comércio e resíduos, por exemplo, de tratamento de esgoto, que muitas vezes são um problema ambiental. Aqui essa usina passa a processar tudo isso, gera o biogás, o gás metano e gera energia elétrica também. Então, é uma solução sustentável”, afirmou.
Ele também destacou a escala do empreendimento e o potencial de geração de novos negócios. “O investimento vai chegar a R$ 120 milhões. A primeira etapa é de R$ 30 milhões. É geração de emprego. Onde tem gás, onde tem energia, tem indústria. Então, aqui também vai atrair muita indústria. Aqui também vai ser um polo industrial porque você tem energia, tem infraestrutura e tem mão de obra boa. Tudo que é necessário para atrair investimentos”, acrescentou.
Com previsão de construção de 12 meses, a planta será estruturada para receber e processar resíduos e transformá-los em produtos de maior valor agregado, com destaque para a produção de gás metano, que poderá ser utilizado como combustível para veículos e na geração de energia.
O projeto combina tratamento ambiental, geração de energia e aproveitamento de resíduos dentro de um modelo de economia circular.

Para o prefeito de Umuarama, Fernando Scanavaca, a instalação da unidade também representa uma mudança na logística de destinação dos resíduos produzidos pelas empresas da região.
“Hoje as indústrias pagam muito caro para levar esse resíduo para outras cidades. Cada indústria de Umuarama e da região está pagando em torno de R$ 150 por tonelada para levar esse resíduo para ser comercializado e tratado. Então, Umuarama e a nossa região têm a oportunidade de ter um desenvolvimento fora do comum a partir dessa indústria”, salientou.

Fundada em Chapecó (SC), a Cetric atua na coleta, transporte, tratamento e destinação de resíduos orgânicos e industriais. A empresa trabalha com soluções de economia circular que permitem transformar resíduos em biometano e biocombustíveis, energia renovável elétrica e térmica, fertilizantes bioquímicos e outros produtos.
De acordo com o CEO da Cetric, Gustavo Baldissera, a unidade de Umuarama será a primeira operação da empresa no Paraná voltada à produção de biometano e energia. A localização próxima à PR-323 também faz parte da estratégia para atender veículos de transporte que utilizem o combustível renovável.

“A gente vai pegar todos os resíduos, principalmente das agroindústrias, e começar a produzir o biometano. Por isso, estamos escolhendo locais também próximos às rodovias, para poder comercializar e atender todas as frotas nessa mudança de descarbonização, para emitir menos carbono nas operações”, explicou Baldissera.
Segundo ele, quando a usina estiver pronta, a produção inicial será de 20 mil metros cúbicos por dia, o suficiente para abastecer uma frota de até 300 caminhões.

PARANÁ E O BIOMETANO
A chegada da empresa a Umuarama ocorre em um momento de expansão do mercado paranaense de biometano. O Estado vem estruturando uma cadeia que envolve produção, infraestrutura de abastecimento e estímulo ao consumo do combustível renovável, especialmente no transporte de cargas.
Uma das frentes são os chamados Corredores Rodoviários Sustentáveis, que ampliam a oferta de gás natural e biometano para abastecimento de caminhões e diversificam a matriz energética do transporte.
Em 2024, a Compagas iniciou a operação da primeira rota desse modelo, entre Londrina e Paranaguá. Atualmente, 13 postos estão preparados para atender caminhões em pontos estratégicos, conectando o Paraná a rotas com São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.

A estratégia também avança para o Interior, onde a disponibilidade de biomassa e resíduos da produção agropecuária cria condições para novas plantas de produção de biometano. O combustível é obtido a partir da digestão de resíduos como dejetos de suínos, frangos e bovinos, vinhaça de cana e resíduos de aterros sanitários.
A expansão dessa cadeia é acompanhada por outras iniciativas do Governo do Estado para estimular a produção e criar demanda para o combustível. Entre elas está o programa RenovaPR.
A iniciativa oferece financiamento e equalização de juros para implantação de biodigestores, além de incentivos fiscais para aquisição de equipamentos. O Estado também mantém parceria com o setor de transporte para estimular a migração de frotas para veículos híbridos ou movidos a gás.

A criação de um mercado consumidor é fundamental para ampliar a produção. A estimativa apresentada pelo RenovaPR é de que, até 2035, o biometano possa substituir cerca de 15% do diesel consumido no Paraná.
O combustível também pode reduzir em até 60% o custo do quilômetro rodado quando utilizado no modo puro, além de contribuir para diminuir emissões e aumentar a competitividade da produção paranaense.

(OBemdito com AEN)
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