“Acordei com ele nu me tocando”: Vítimas relatam abusos de dentista preso no Paraná
Vítimas relataram detalhes dos abusos atribuídos ao dentista investigado por crimes sexuais contra mulheres e crianças da própria família no Paraná. O suspeito, identificado como Luis Alberto Zurita Pohlmann Júnior, foi preso preventivamente na última terça-feira (3) após investigação da Polícia Civil.
Segundo a polícia, ele é investigado por estupro, estupro de vulnerável e importunação sexual em casos que teriam ocorrido em Curitiba e também no interior do estado.
De acordo com as investigações, os abusos teriam ocorrido ao longo de mais de 20 anos. No entanto, os casos vieram à tona apenas no fim de 2025, quando uma das vítimas procurou uma delegacia para registrar boletim de ocorrência.
A polícia apurou que muitos episódios teriam acontecido em uma chácara da família localizada no município de Teixeira Soares, nos Campos Gerais, a cerca de 139 quilômetros de Curitiba.
Uma das vítimas, que preferiu não se identificar, afirmou que os abusos começaram ainda na infância e continuaram durante a adolescência.
“Eu acordei com ele nu, me tocando. Ele acabou interrompendo um sonho. Fui morar para Curitiba e voltei embora devido a esse abuso”, relatou.
Ela contou ainda que o suspeito se aproveitava de momentos de convivência familiar para cometer os crimes.
“Eram situações que ele usava para abusar da gente. Assistindo filme, quando deitávamos juntos, ou na piscina, quando estávamos brincando. Tinha também a brincadeira do ‘gato mia’. A gente ficava no escuro e ele tocava para identificar quem era. Nessas situações, abusava da gente”, afirmou.
Outra vítima, hoje com 27 anos, relatou que também sofreu abuso quando ainda era criança.
“Ele me levou até o fundo da piscina e passou a mão por dentro da calcinha do biquíni. Lembro que me incomodou e fiquei tão assustada que saí da piscina”, disse.
Decisão pela denúncia
Segundo as vítimas, a decisão de formalizar as denúncias foi tomada em conjunto no ano passado. Após o primeiro boletim de ocorrência, outras pessoas da família procuraram a polícia.
O delegado Rafael Mota, responsável pelo caso, afirmou que o primeiro relato incentivou novas denúncias.
“Quando a primeira vítima veio até a delegacia no final do ano passado e relatou o caso, acabou encorajando outras cinco vítimas a também procurarem a polícia”, explicou.
Durante as investigações, a Polícia Civil também constatou que o suspeito já havia sido denunciado anteriormente por crimes semelhantes e respondia a outros processos.
Atualmente, o dentista permanece preso preventivamente e está à disposição da Justiça. A polícia ainda investiga os casos e não há estimativa de pena em caso de eventual condenação.
Uma das vítimas afirmou que decidiu falar publicamente para incentivar outras pessoas que sofreram abusos a denunciar.
“Um dos objetivos de falar é alertar outras vítimas para que tenham força e voz. Nem falo só desse caso, mas de outras pessoas que foram abusadas e carregam esse trauma. Verbalizar isso é libertador”, declarou.
(Com informações RIC Record e Banda B)





