Nascimento raro e história de fé marcam parto de gêmeas em Umuarama
Um parto raro e emocionante marcou a equipe médica do Hospital Cemil, em Umuarama. As gêmeas Lívia e Laís nasceram na terça-feira (10), e uma delas surpreendeu ao vir ao mundo empelicada — ainda completamente envolvida pela bolsa amniótica intacta.
Filhas do casal Renata e Leandro Dias, de Iporã, as meninas chegaram após uma longa espera. Casados há 13 anos, os dois tentavam engravidar há mais de uma década. Passaram por diversos tratamentos sem sucesso.
Diante das frustrações e após receberem recomendação médica para partir para fertilização in vitro, decidiram interromper as tentativas. “Nós chegamos num consenso: se não deu para engravidar de forma natural, aceitaríamos a vontade de Deus e não tentaríamos mais”, relembra a mãe.
Cinco meses depois da decisão, ela começou a se sentir excessivamente sonolenta. O marido sugeriu um teste de gravidez. Mesmo descrente, ela fez e o resultado: positivo. “Foi uma enorme surpresa. Nós esperamos por tantos anos e quando já havíamos desistido, engravidamos naturalmente”, conta.
No primeiro ultrassom, veio uma surpresa ainda maior: eram dois bebês.

A gravidez evoluiu de forma tranquila, dentro dos parâmetros esperados. As bebês compartilharam uma placenta e se desenvolveram em duas bolsas amnióticas.
Mas durante o parto, mais uma surpresa: Lívia nasceu primeiro, com a bolsa rompida como ocorre na maioria dos partos. Laís veio em seguida, ainda protegida pela bolsa amniótica — um nascimento considerado raro.

Parto é considerado raríssimo para medicina
O chamado parto empelicado é considerado raro, com estimativa de ocorrência em cerca de um a cada 80 mil nascimentos. Quando se trata de gêmeos, a ocorrência se torna ainda mais impressionante.
O procedimento foi conduzido pelo obstetra Carlos Lisboa, médico com 30 anos de experiência. Segundo ele, mesmo após décadas acompanhando partos, presenciar um nascimento empelicado continua sendo algo especial.
“Durante a gestação, o bebê permanece dentro da bolsa amniótica, que funciona como um ambiente de proteção, com líquido que absorve impactos e permite o desenvolvimento adequado. Na maioria dos partos, essa bolsa se rompe naturalmente antes ou durante o nascimento. Quando o bebê nasce com a bolsa ainda íntegra, chamamos de parto empelicado. É uma situação rara e emocionante, porque vemos o bebê ainda dentro do seu ambiente original”, explicou o médico.

Para Renata, o nascimento tem um significado que vai além da medicina. “As nossas meninas são um milagre que eu tenho certeza que Deus e Nossa Senhora nos concederam. Nós vamos contar esse testemunho por onde passarmos. Queremos dar o testemunho desse milagre de Deus na nossa vida,” emocionou-se.
Texto: Heloiza Vieira de Oliveira





