Rudson de Souza Publisher do OBemdito

MST denuncia intoxicação de famílias por agrotóxico em Perobal

Famílias relatam sintomas após pulverização de agrotóxico em área próxima a moradias rurais (Foto Danilo Martins/OBemdito)
MST denuncia intoxicação de famílias por agrotóxico em Perobal
Rudson de Souza - OBemdito
Publicado em 6 de abril de 2026 às 16h54 - Modificado em 6 de abril de 2026 às 19h06

Famílias do acampamento Benedito Gomes denunciam um caso de possível intoxicação por agrotóxicos ocorrido no município de Perobal, na região de Umuarama. O episódio, registrado no dia 28 de março, levanta preocupações sobre riscos à saúde e também sobre o uso de produtos químicos em áreas próximas a habitações.

Segundo os relatos, a pulverização teria sido realizada no fim da tarde, por volta das 18h, em uma área em disputa fundiária conhecida como Fazenda Tiburi. O produto aplicado teria atingido diretamente o acampamento, onde vivem cerca de 430 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Testemunhas afirmam que o cheiro do produto se espalhou rapidamente pelo local, indicando possível desvio da pulverização. Após o episódio, cerca de 20 pessoas passaram a apresentar sintomas como irritação na garganta, tosse e dores de cabeça. Também há relatos de possíveis impactos em uma lavoura coletiva de feijão mantida pelas famílias.

A aplicação teria sido feita com equipamento acoplado a trator e há suspeita de uso de herbicida, embora a substância não tenha sido identificada até o momento. A denúncia foi encaminhada a diversos órgãos, entre eles o Ministério Público.

A área onde ocorreu o episódio pertence ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e é alvo de disputa há cerca de duas décadas. O imóvel, com aproximadamente 215 hectares, é objeto de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal em 2022, após a identificação de irregularidades na tentativa de transferência da área para particulares.

De acordo com a denúncia, uma decisão judicial recente reconheceu a ocupação irregular por fazendeiros e determinou a desocupação do imóvel, com destinação para reforma agrária. Apesar disso, há relatos de descumprimento das determinações, incluindo a continuidade de atividades no local.

O Incra chegou a notificar os ocupantes irregulares no início de fevereiro para deixarem a área em até 30 dias, permitindo apenas a colheita da safra existente. No entanto, segundo os denunciantes, novos plantios estariam sendo realizados.

As famílias acampadas estão na área desde fevereiro deste ano, após deixarem outro local em Umuarama. No Paraná, estima-se que cerca de 5 mil famílias ligadas ao movimento vivam em acampamentos aguardando acesso à terra.

O OBemdito entrou em contato com o Incra para verificar se o órgão recebeu a denúncia e se houve encaminhamento a outras instituições, como o Ministério Público Federal, para apuração do caso. Até o momento, não houve retorno. Assim que houver manifestação, a informação será atualizada.

(Com informações da Campanha Contra os Agrotóxicos e Pela Viva)

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