Gaeco confirma prisão de ex-secretário de Xambrê, empresário e policial da reserva em operação
O Núcleo de Umuarama do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público do Paraná, confirmou a prisão de prendeu três pessoas em flagrante nesta quarta-feira (4), durante o cumprimento de mandados da Operação Res Privata, que apura possíveis crimes de organização criminosa, peculato e fraude à licitação no município de Xambrê. Foram detidos o ex-secretário do município, um empresário da região e um policial militar rodoviário da reserva.
O ex-secretário é Dorival Pereira da Silva, conhecido como Doca, preso por porte ilegal de munição. Além dele, foi detido um empresário não teve o nome divulgado e o caseiro de uma chácara ligada ao ex-secretário, que é policial militar rodoviário estadual da reserva e foi preso com uma arma de fogo irregular. As prisões ocorreram em Pérola, no distrito de Eliza, em Umuarama, e em Umuarama.
Segundo o promotor de Justiça Guilherme Franchi da Silva Santos, em coletiva realizada no Fórum de Xambrê, a investigação começou em 2025 e ainda está em fase inicial e sob sigilo. Nesta etapa, o Gaeco cumpriu dez mandados de busca e apreensão, cinco mandados de busca pessoal e uma medida cautelar diversa da prisão.
A medida cautelar incluiu afastamento das funções públicas, proibição de contato com outros investigados e testemunhas, proibição de acesso a prédios do Município de Xambrê e suspensão da posse e do porte de armas de fogo para um dos investigados.
Durante as diligências, as equipes apreenderam dois celulares, documentos, três armas de fogo e 116 munições. As prisões em flagrante ocorreram exclusivamente por posse irregular de armas e munições, e os detidos foram conduzidos à sede do Gaeco para os procedimentos de polícia judiciária.

Cinco identificados
De acordo com o promotor, cinco pessoas físicas foram alvo dos mandados de busca e apreensão. Entre os investigados há servidores públicos e empresários. Um dos servidores é policial militar da reserva, mas, conforme ressaltou o Ministério Público, a função policial não foi utilizada para a prática dos crimes investigados.
As ordens judiciais também foram cumpridas na Prefeitura de Xambrê. O promotor afirmou que as buscas nos prédios públicos ocorreram porque o Portal da Transparência não continha todas as informações necessárias para quantificar os possíveis desvios.

Investigação
A linha investigativa aponta que, em tese, licitações eram direcionadas para determinadas empresas, que emitiam notas fiscais, mas entregavam bens e serviços em quantidade inferior à contratada. O objetivo das diligências desta quarta-feira foi reunir elementos para quantificar eventual prejuízo aos cofres públicos.
Há indícios de que os possíveis desvios teriam começado em 2021 e se estendido até 2025, hipótese que ainda será aprofundada no curso das investigações.
O promotor afirmou que, até o momento, o chefe do Poder Executivo municipal não é alvo das medidas e não foi citado na investigação.
As ordens judiciais foram cumpridas em Umuarama, Pérola, Xambrê e Esperança Nova. Segundo o Ministério Público, é prematuro afirmar se o suposto esquema atingiu outros municípios ou contratos administrativos mantidos pelas empresas investigadas em outras cidades. A apuração, neste momento, se restringe a procedimentos licitatórios e contratos firmados em Xambrê.





