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Paraná

‘A gente não quer fechar as portas’, lamenta presidente do Canil de Pérola

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‘A gente não quer fechar as portas’, lamenta presidente do Canil de Pérola
Redação
OBemdito
10 de janeiro de 2023 10h25

A presidente do Canil de Pérola divulgou um vídeo através das redes sociais onde expõe a difícil situação que a ONG está enfrentando desde o último ano. De acordo com ela, além da falta de incentivo do poder público, ela está enfrentando problemas de saúde que a impossibilitam de abrigar mais animais além de dificultar a manutenção do espaço dos animais já abrigados.

Em conversa ao OBemdito, a presidente Ivone Terezinha Baú, de 67 anos, disse que o canil foi aberto há 12 anos, e para cuidar dos aproximadamente 60 animais, a ONG sobrevive de eventos, doações, ações especiais e vendas de pizza para custear as despesas com manutenção do local e veterinário para os animais.

Para piorar, Ivone – que tem ajuda somente de voluntários esporádicos e de um caseiro do local – foi proibida pelos médicos de fazer esforço físico devido à problemas ósseos em ambos os braços. Ela também de recém descobriu um câncer de mama e foi submetida a tratamentos como radioterapia para tentar combater o tumor.

A situação ficou tão apertada que no final de 2021 Dona Ivone foi forçada a fechar as portas para novos animais. Desde então várias pessoas ainda entram em contato e reclamam vendo a situação dos animais de rua da cidade. “Pra gente é muito sofrido porque a gente não quer fechar das portas de um canil aberto há tantos anos, ainda mais a gente que gosta tanto dos animais”, lamentou.

A recomendação foi feita pelo Dr. Tales Alves Paranahiba, o promotor de Justiça da Comarca de Pérola, que orientou para que ela não pegasse outros animais, somente cuidasse dos que já estão sob sua responsabilidade. “Então eu estou respeitando o que ele falou, mas está sendo um sofrimento para a gente. Porque as pessoas ficam pedindo, insistindo e os animais estão sofrendo pela rua”.

PEDIDO DE SOCORRO

A cuidadora então pediu ajuda à Prefeita do município, Valdete Cunha, porém de acordo com ela a resposta obtida foi no mínimo, frustrante.

“Eu já conversei com a prefeita, e ela disse que do mesmo jeito que a gente ‘inventou’ o canil a gente tem que dar um destino pra ele”, disse. “Não tem como dar um destino, ela quer que eu mesma arrume alguém pra fazer o trabalho que eu faço, é um trabalho voluntário, eu não ganho nada, eu só gasto do meu bolso, tiro um monte pra tratar desses animais”.

Ainda de acordo com Dona Ivone, outra resposta obtida pela prefeita foi de que a própria população tem que lidar com os animais desabrigados. “Ela disse também que Pérola não precisa de canil, que a própria população se vira com os animais. Mas eu venho vendo o sofrimento que está sendo depois que eu parei de pegar os animais”, relatou.

O OUTRO LADO

OBemdito entrou em contato com a Prefeita Valdete Cunha para obter uma resposta sobre a posição oficial do município sobre o caso. A chefe do executivo municipal disse que as afirmações são infundadas, pois somente no ano de 2022 o município conseguiu o repasse de R$ 15 mil reais para o canil, além do CastraPet ser contemplado para o município.

“A prefeitura tem sido uma ajuda, a prefeitura é parceira. No ano passado nós também arrecadamos junto ao IAP 2 mil quilos de ração que foram entregues”, afirmou. “Mas uma vez que você tem uma ONG a responsabilidade é sua”, acrescentou.

A prefeita ainda afirma que está programando para 2023 um repasse ainda maior do que o ano passado. “O canil não é da prefeitura. Eles precisam arrecadar, precisam ir atrás também. A gente tem arrecadado da forma com que pode, mas elas não entendem, acham que a prefeitura tem que manter o canil”, completou.

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