Mais de R$ 1 milhão em espécie foram apreendidos nesta quarta-feira (5), durante a Operação Metástase, em Umuarama. O dinheiro estava guardado em bolsas e malas na casa de empresários detidos logo nas primeiras horas da manhã. Não havia valores com os servidores municipais.
A suspeita dos investigadores é que a quantia seja proveniente de desvios do Fundo Municipal de Saúde, conforme informou a OBemdito o promotor Diogo Araújo de Lima, do Gepatrias (Grupos Especializados na Proteção do Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa).
A equipe composta por Lima permaneceu até as 20h na agência central da Caixa, em Umuarama, cuidando do bloqueio preventivo de contas dos envolvidos. O objetivo é fazer com que pelo menos parte do dinheiro originado do esquema volte para os cofres públicos.
As sete pessoas presas na operação teriam se apropriado de pelo menos R$ 19 milhões de recursos repassados pelos governos estadual e federal desde 2020, quando uma ação civil pública foi aberta pelo Ministério Público do Paraná. O montante seria suficiente para vacinar toda a população local.
O esquema foi irrigado na crise instalada pela pandemia do coronavírus, iniciada em março do ano passado. Devido a urgência de investimentos, foi derrubada a obrigatoriedade de licitação para alguns tipos de compras e contratações.
Segundo a promotora Juliana da Costa, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), há provas robustas de transferências bancárias entre os envolvidos.
O Ministério Público dispõe, ainda, de centenas de horas de gravações telefônicas entre os presos e outras pessoas investigadas. Juliana da Costa descartou novos mandados de busca e apreensão nesta semana.
Dos sete presos, os seis de Umuarama continuam na Delegacia da cidade. Entre eles estão dois servidores da Prefeitura. Os outros cinco são empresários, que ofereciam produtos e serviços pagos com recursos do Fundo Municipal de Saúde.
Uma outra prisão aconteceu em Brasília. Trata-se de um secretário parlamentar dono de uma empresa de consultoria em contabilidade no Paraná. Ele foi exonerado na quarta-feira, após ser levado pelos policiais.
Juliana da Costa afirmou que nenhum dos alvos da operação reagiu à ordem de prisão. Ao serem questionados sobre as quantias em dinheiro, todos optaram pelo silêncio.
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