Entidades repudiam charge sobre juíza de 34 anos que morreu desejando ser mãe
O Ministério Público do Paraná (MPPR) divulgou uma nota pública neste sábado (9) em que repudia uma charge publicada pelo jornal Folha de S. Paulo após a morte da juíza Mariana Francisco Ferreira, que atuava em na Comarca de Sapiranga, no Vale do Sinos (RS). A manifestação acompanha posicionamento do Conselho Nacional de Procuradores-Gerais e de entidades da magistratura.
A magistrada, de 34 anos, veio a óbito na última quarta-feira (6) em decorrência de uma hemorragia após um procedimento de coleta de óvulos para fertilização in vitro, devido ao seu desejo de ser mãe. Ela foi velada e sepultada em São Paulo na sexta (8).
No sábado (9), a Folha de S. Paulo publicou uma charge que utilizou a imagem de uma lápide para criticar a remuneração da magistratura. Com a charge, entidades como o MPPR, o Conselho Nacional de Justiça, a Associação dos Magistrados Brasileiros e a Associação dos Juízes Federais do Brasil se manifestaram publicamente contra a publicação.

Solidariedade e apelo por sensibilidade
Na manifestação, o MPPR expressou solidariedade a familiares, amigos e colegas, destacando a comoção no sistema de Justiça. O órgão afirmou que temas sensíveis, especialmente ligados à maternidade, às carreiras jurídicas e à dignidade humana, devem ser tratados com responsabilidade e respeito.
A nota também ressalta que o debate público e a liberdade de expressão são valores fundamentais em uma sociedade democrática, mas que situações marcadas pelo luto exigem empatia e compromisso ético.
Trecho da nota do CNPG
O CNPG declarou “veemente repúdio” à publicação, classificando a charge como desprovida de empatia diante da perda precoce da magistrada. O conselho reiterou que reconhece a importância da liberdade de imprensa e do direito à crítica institucional, mas destacou que isso não afasta a necessidade de responsabilidade e sensibilidade em episódios de dor e luto.
A entidade ainda manifestou solidariedade aos familiares da juíza e a mulheres que enfrentam os desafios de conciliar carreira e projetos pessoais.





