Rudson de Souza Publisher do OBemdito

Bactéria encontrada em produtos da Ypê pode ser até 100 vezes mais resistente a antibióticos

Anvisa determinou recolhimento de produtos da Ypê após risco de contaminação microbiológica (Foto Rudson de Souza/OBemdito)
Bactéria encontrada em produtos da Ypê pode ser até 100 vezes mais resistente a antibióticos
Rudson de Souza - OBemdito
Publicado em 8 de maio de 2026 às 15h56 - Modificado em 8 de maio de 2026 às 15h56

A bactéria Pseudomonas aeruginosa, encontrada em lotes de produtos suspensos da Ypê, é considerada uma das mais perigosas em ambientes hospitalares e pode ser até 100 vezes mais resistente a antibióticos do que bactérias comuns, segundo especialistas e estudos científicos.

A preocupação ganhou força após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinar, na quinta-feira (7), o recolhimento de detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes da marca. A medida vale para todos os lotes com numeração final 1.

Segundo a agência, inspeções identificaram falhas em etapas críticas de produção e controle de qualidade, elevando o risco de contaminação microbiológica.

Especialistas alertam que a disseminação em larga escala da Pseudomonas aeruginosa representa um grave problema de saúde pública, principalmente por causa da resistência da bactéria e do potencial de provocar infecções severas.

Um estudo publicado pela Universidade Politécnica de Hong Kong na revista científica Microorganisms classificou a bactéria como uma das principais causas de infecções hospitalares no mundo.

A pesquisa aponta que a Pseudomonas aeruginosa possui capacidade de formar biofilmes, que sao estruturas viscosas que funcionam como um escudo protetor e permitem que o microrganismo sobreviva até em ambientes hostis, incluindo recipientes de produtos de limpeza.

LEIA MAIS: Ypê se manifesta após recolhimento dos produtos pela Anvisa

Segundo os pesquisadores, essa característica dificulta o combate à bactéria e favorece o surgimento de cepas multirresistentes, deixando médicos com poucas alternativas eficazes de tratamento.

A biomédica Daiane Ribeiro afirma que, em ambientes domésticos, o contato com a bactéria pode causar irritações na pele, alergias, coceiras, ardência nos olhos, dermatites e até problemas respiratórios.

Ela explica, porém, que pessoas saudáveis normalmente possuem barreiras naturais suficientes para evitar infecções graves.

“A Pseudomonas aeruginosa é considerada uma bactéria oportunista. Ela geralmente causa infecções quando encontra alguma fragilidade nas defesas do organismo”, afirma.

O maior risco envolve pessoas imunossuprimidas, pacientes internados em UTIs, transplantados, idosos, pessoas em tratamento contra câncer ou portadores de doenças que comprometem o sistema imunológico.

O infectologista Leonardo Ruffing, do Hospital Vera Cruz, alerta que a gravidade depende da quantidade de bactérias presentes e da forma de exposição.

“Se o produto for utilizado para higienizar um cateter, uma sonda ou um inalador, por exemplo, a bactéria pode ter um acesso facilitado e causar uma infecção indireta”, explica.

Especialistas também ressaltam que produtos contaminados podem perder parte da eficácia de limpeza e desinfecção.

SAIBA MAIS: Ypê se manifesta após recolhimento dos produtos pela Anvisa

Segundo Daiane Ribeiro, a presença da bactéria pode indicar falhas em conservantes, contaminação da água utilizada na fabricação ou problemas de higienização industrial.

“Neste caso específico, o que preocupa é justamente a presença da bactéria em produtos que deveriam combater microrganismos”, destaca.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a resistência antimicrobiana uma das dez maiores ameaças globais à saúde pública.

Produtos suspensos

A decisão da Anvisa determinou a suspensão de 23 produtos da Ypê, incluindo detergentes, desinfetantes e lava-roupas líquidos.

A orientação é para que consumidores interrompam imediatamente o uso dos lotes afetados e entrem em contato com a fabricante para informações sobre recolhimento ou troca.

Em nota, a Ypê afirmou possuir “fundamentação científica robusta” e laudos técnicos independentes que atestariam a segurança dos produtos comercializados.

(Com informações da Folha Press)

Participe do nosso grupo no WhatsApp e receba as notícias do OBemdito em primeira mão.