Ítalo Fábio Casciola Publisher do OBemdito

Serraria Mineira foi a precursora da rica indústria madeireira dos Anos Dourados

A pequena Serraria Mineira, em 1953, onde foram beneficiadas madeiras para as primeiras construções de Umuarama - Fotos: Acervo histórico de Italo Fábio Casciola
Serraria Mineira foi a precursora da rica indústria madeireira dos Anos Dourados
Ítalo Fábio Casciola - OBemdito
Publicado em 26 de abril de 2026 às 12h38 - Modificado em 26 de abril de 2026 às 15h43

Era a época dos Anos Dourados, na década de 1950, quando vivíamos uma fase em ritmo frenético da abertura do território onde em 1955 seria fundada a nova cidade paranaense: Umuarama!

Disse “Anos Dourados” porque para os desbravadores era um período de otimismo e sonhos com a futura prosperidade econômica que viria na pós-fundação. E já naquele momento nascia uma poderosa mina de ouro industrial – a indústria madeireira.

E dessa fase memorável merece ser resgatada a saga da Serraria Mineira, ícone inconteste dos primórdios da História de Umuarama, pois ela iniciou suas atividades como mola-mestre da colossal derrubada da mata para abrir os terrenos para a construção da futura Capital da Amizade e para a abertura de gigantescos espaços a serem ocupados por fazendas para a cafeicultura. Isso tudo somado contabilizava milhares de quilômetros quadrados…

E depois da Serraria Mineira entrar em ação é que começaram todas as outras atividades marcando o pioneirismo de todos os setores, entre os quais o comércio.

Outro ângulo da pequena serraria que marcou o início da indústria madeireira em Umuarama no início da década de 1950

Marco zero de Umuarama

Ali eram beneficiadas as tábuas de peroba usadas na construção das primeiras casas, inclusive da lendária Pensão Mineira, considerada pelos antepassados como o marco zero de Umuarama, onde se hospedavam os precursores que iam chegando para iniciar uma nova vida nesta região.

Naquele período a primeira serraria era tosca, instalada num galpão não muito grande, onde havia algumas máquinas para serrar as toras, fatiar as tábuas e ripas, enfim, nada de grande porte industrial para atender em grande escala o consumo que viria anos depois. Tinha uma meia dúzia de operários e dois velhos caminhões para transportar toras.

A peroba era a “pedra preciosa” durante toda a era que durou o desmatamento na fase da pré-fundação e urbanização de Umuarama. Foram mais de vinte anos derrubando as florestas que aqui existiam no século passado…

Início da colonização

Quando a colonizadora deu início ao plano de urbanização de Umuarama, derrubando a mata e abrindo terrenos, ruas e avenidas no meio da terra arrasada numa ampla clareira, é que ela investiu pesado equipando a Serraria Mineira.

Mas, segundo relatos esparsos que aglutinamos através de entrevistas feitas no decorrer da década de 1970, a Serraria Mineira supriu com madeira beneficiada os primeiros moradores e comerciantes que foram se instalado ao redor da Praça Arthur Thomas a partir do final de 1953.

Inclusive, a madeira para a construção do “Sobradinho”, primeiro escritório e os pavilhões de serviços da colonizadora Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, saiu da Serraria Mineira.

Troncos gigantes eram transportados das matas para as serrarias que a cada ano aumentaram e fortaleceram a indústria madeireira. Umuarama chegou a ter dezenas de serrarias de grande porte que trabalhavam dia e noite na produção de madeira para as construções de casas e fabricação de móveis

Mas essa acanhada indústria madeireira, localizada próxima ao antigo aeroporto (não é possível a localização atual exata, mas podemos calculá-la ali pela rodovia PR-323 em direção a Umuarama, entre o trevo do Gauchão rumo à cabeceira da pista de vôos), não teve vida muito longa não, atendendo apenas a CMNP.

Acontece que, quando se preparava para inaugurar Umuarama, a colonizadora fez um grande estardalhaço divulgando as vendas de terras rurais e na zona urbana e, isso, obviamente, atraiu interessados na instalação de outras madeireiras.

Depois de derrubadas, as árvores eram impressionantes pelo seu tamanho e peso, fato que exigia equipes numerosas para o corte e transporte delas para as serrarias

Nova fronteira agrícola

Em pouco tempo, Umuarama tinha mais de quinze serrarias de grande porte, que trabalhavam dia e noite, para retirar e beneficiar a floresta que estava sendo devastada por todos os lados para a ocupação de sitiantes e grandes fazendeiros que chegavam para plantar café, algodão e cereais, vislumbrando uma nova fronteira agrícola, o futuro Eldorado do Sul brasileiro.

E esse número de novas serrarias foi aumentando cada vez mais, chegando inclusive indústrias madeireiras mais modernas vindas de São Paulo e com grande poder econômico para investir alto em instalações, equipamentos e com numerosas equipes especializadas no ramo moveleiro.

Da mesma maneira que surgiu, antes da colonização, a Serraria Mineira desapareceu, relegada ao esquecimento pela mesma leva de colonizadores que usufruíram dela para dar início à construção da cidade de Umuarama.

Outra imagem impressionante de uma peroba. Dependendo do tamanho, um caminhão suportava o peso de apenas uma árvore. E o transporte era sacrificado e perigoso entre as matas e a cidade pois as estradas eram de terra, esburacadas ou cobertas de barro depois das chuvas…

Sumiu, literalmente, do mapa e hoje não há sequer vestígios de que um dia, no passado distante mais de meio século, tenha existido a tal Serraria Mineira, assim batizada pelos desbravadores vindos lá das Minas Gerais no começo da década de 1950 para abrir a floresta paranaense…

Esta crônica tem o valor de resgatar esse “personagem”, a Serraria Mineira, que chegou antes de todos e abriu o caminho para a indústria madeireira que encontrou aqui uma gigantesca “mina de ouro” em forma de florestas que foram derrubadas no decorrer de vinte anos. Entre as árvores consideradas “preciosas” estava a peroba, que valia ouro ao ser vendida no Paraná e era a preferida para exportações.

Então vocês imaginem os “rios de dinheiro” que essas atividades geraram para as serrarias que trabalhavam dia e noite beneficiando madeira para edificar casas residenciais e comerciais e mobiliário nesse setor nos primeiros tempos da história de Umuarama.

Vejam outra cena nostálgica registrando para a posteridade um tronco de peroba gigante cortado e pronto para “seguir viagem” para virar madeira para construções na cidade…
Na fase inicial de urbanização pós-fundação de Umuarama todas as casas foram construídas de madeira. Anos mais tarde, no final da década de 1970, é que as edificações passaram a fazer uso de tijolos e cimento, sistema conhecido como alvenaria

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