“Assumiu o risco de matar”, afirma advogado em processo sobre morte de PM
O processo que apura a morte do soldado da Polícia Militar (PM) Ariel Julio Rubenich, ocorrida durante uma perseguição policial em Cascavel, no oeste do Paraná, segue em tramitação e teve novos desdobramentos. Na manhã desta segunda-feira (26), o advogado criminalista Luciano Katarinhuk confirmou que foi habilitado como assistente de acusação no caso, a pedido da família do policial.
O crime ocorreu na noite de 25 de novembro de 2025, quando Rubenich morreu após ser atingido durante uma perseguição a um veículo que fugia em alta velocidade pela cidade. De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, o motorista Edson Ferreira da Cruz conduzia o carro sob efeito de drogas, sem habilitação e realizou manobras perigosas, culminando na colisão que resultou na morte do policial.
O réu foi denunciado por homicídio qualificado e resistência à prisão. Segundo o advogado, a acusação é de homicídio quadruplamente qualificado, além de desobediência e outros delitos acessórios, cuja pena, em caso de condenação, pode ultrapassar 30 anos de reclusão.
Katarinhuk afirmou que foi procurado pela família de Rubenich para reforçar a atuação no processo. “Fomos procurados pela família da vítima, que busca que verdadeiramente seja feita justiça, com a gravidade que o caso exige e com o rigor da lei. A denúncia foi oferecida e já foi recebida pelo juiz. Agora aguardamos a resposta à acusação. Nosso intuito é fazer com que a lei seja cumprida em todo o seu rigor”, disse.
Segundo o advogado, laudos anexados ao processo apontam que o veículo era conduzido a mais de 170 km/h. Também constam nos autos declarações atribuídas ao réu em redes sociais, nas quais ele teria afirmado que, caso fosse abordado pela Polícia Militar, “passaria por cima”.
“Isso demonstra que existia, sim, uma intenção de matar no caso, se fosse com ele, como acabou acontecendo. Não foi um mero acidente; foi algo grave”, afirmou.
A morte do soldado Rubenich causou comoção em Cascavel. Ele foi sepultado com honras. Deixou a esposa, um filho de seis meses e outro de quatro anos. Segundo o advogado, um dia antes do fato a família havia recebido a chave da casa onde passaria a morar.
“Temos todo o desenrolar desse fato documentado. Como assistentes de acusação, buscaremos a punição do réu pela culpabilidade que ele praticou, com o rigor da legislação, visando a uma condenação de 30 anos em regime fechado”, declarou.
O réu permanece preso preventivamente. De acordo com Katarinhuk, o juiz manteve a prisão ao receber a denúncia. Agora, aguarda-se a apresentação da resposta à acusação para que seja marcada a audiência de instrução.
“Nessa audiência serão ouvidas as testemunhas de acusação, as testemunhas de defesa e será realizado o interrogatório do réu. Esperamos que ele permaneça preso durante todo o processo e, ao final, seja pronunciado e encaminhado ao Tribunal do Júri, com todas as qualificadoras”, afirmou.
Representando a família, o advogado disse que a atuação seguirá respeitando o contraditório e a ampla defesa. “Nós vamos apoiar o Ministério Público em nome da família. Seremos os olhos, os ouvidos e a voz deles dentro desse processo.”
Por fim, ele reiterou a expectativa de aplicação da pena máxima. “Trinta anos de condenação, pela gravidade e pela forma como os fatos foram narrados. Foi intencional, assumiu o risco de matar, e precisa ser condenado pelo Tribunal do Júri”, concluiu.

(Com informações da CGN)





