Rudson de Souza Publisher do OBemdito

PF em Guaíra recebe nova embarcação para reforçar segurança na fronteira

Nova embarcação entregue ao Nepom da Polícia Federal em Guaíra será usada em operações no Rio Paraná e no Lago de Itaipu (Foto Polícia Federal)
PF em Guaíra recebe nova embarcação para reforçar segurança na fronteira
Rudson de Souza - OBemdito
Publicado em 23 de agosto de 2025 às 11h42 - Modificado em 23 de agosto de 2025 às 13h07

A Polícia Federal em Guaíra recebeu nesta sexta-feira, 22, uma nova embarcação para reforçar as ações de segurança e repressão a crimes de fronteira na região Oeste do Paraná. O equipamento será utilizado pelo Núcleo Especial de Polícia Marítima (Nepom) em operações de bloqueio fluvial no Rio Paraná e seus afluentes, a partir da Base Caronte, além de atividades no Lago de Itaipu.

A entrega da embarcação ocorreu por meio de parceria entre a PF, o Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), por intermédio da comarca de Terra Roxa, e o Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) do município.

Segundo a Polícia Federal, o investimento deve ampliar a capacidade de pronta resposta em ações de combate a redes criminosas que atuam na região de fronteira, além de gerar impactos positivos para a comunidade náutica local, como maior segurança para atividades sociais, culturais e turísticas.

Lago de Itaipu

O lago de Itaipu, um dos maiores reservatórios artificiais do mundo, formado pela usina hidrelétrica no Rio Paraná, na fronteira entre Brasil e Paraguai, possui características geográficas que, paradoxalmente ao seu propósito de gerar energia e desenvolvimento, também o tornam um ambiente propício para atividades criminosas.

Sua vasta extensão territorial, com mais de 1.350 quilômetros quadrados de superfície aquática e uma costa recortada que se estende por centenas de quilômetros, oferece inúmeras enseadas, canais secundários e áreas de difícil acesso.

Essa complexidade hidrográfica, somada à densa vegetação ripária em várias regiões, cria uma topografia ideal para a ocultação de operações ilícitas.

O tráfico internacional de drogas é a principal ameaça, utilizando o lago como corredor logístico para o transporte de cargas ilegais, especialmente cocaína e maconha provenientes do Paraguai, que é um grande produtor.

As embarcações utilizadas variam desde barcos pesqueiros aparentemente comuns, com compartimentos ocultos, até lanchas rápidas que operam sob o cover da noite ou em condições de baixa visibilidade, como sob neblina, para cruzar o lago em direção ao território brasileiro.

Além do narcotráfico, há registros de contrabando de cigarros, armas e mercadorias em geral, além de crimes ambientais, como pesca predatória e extração irregular de madeira.

A vigilância desse enorme corpo hídrico é um desafio monumental para as agências de segurança, que empregam patrulhas navais conjuntas da Polícia Federal, Polícia Militar e Força Nacional, com apoio de radares, sensores e inteligência, inclusive com cooperação binacional entre Brasil e Paraguai.

No entanto, a vastidão da área often supera a capacidade operacional contínua, permitindo que os criminosos encontrem brechas. Assim, o lago de Itaipu simboliza o duelo constante entre a lei e o crime, onde a geografia impõe obstáculos que exigem investimento constante em tecnologia, efetivo e estratégias integradas para ser vencida.

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