Paraná

Deflagrada 2ª fase da Operação Força e Honra, que apura recebimentos de propina por policiais

O Ministério Público do Paraná, em conjunto com a Polícia Militar, deflagrou na manhã desta segunda-feira (9) a segunda fase da Operação Força e Honra, que investiga diversos crimes de corrupção e desvio de bens apreendidos envolvendo policiais rodoviários estaduais no Noroeste do estado.

Foram cumpridos um mandado de prisão preventiva, um de suspensão do exercício da função e três de sequestro de veículos.

Um policial militar que atuava em Cianorte foi preso nesta segunda. Segundo o MP, no dia da operação ele estava em férias e não foi localizado. Ele é acusado de desviar tabletes de drogas que haviam sido apreendidos, em uma ação no posto rodoviário.

As investigações foram iniciadas em agosto de 2020 e apuram possíveis crimes de concussão, corrupção passiva, peculato, prevaricação, falsidade ideológica, lavagem de ativos e eventual receptação realizados por organização criminosa.

Levantamento preliminar demonstrou incompatibilidade do patrimônio dos policiais – que chega a R$ 6 milhões – com seus rendimentos lícitos.

A primeira fase da operação foi realizada em 14 de julho. Quando 14 policiais rodoviários estaduais foram presos. As investigações começaram a partir do Posto Rodoviário de Cruzeiro do Oeste. Outros policiais investigados foram afastados das funções.

Tráfico 

Dentre os motivos que ensejaram a expedição do novo mandado de prisão, destaca-se o possível envolvimento de um dos policiais rodoviários com o tráfico de drogas, na medida em que houve a apreensão em sua residência de aproximadamente 2,180 quilos de pasta base de cocaína e de um quilo de haxixe, por ocasião do cumprimento dos mandados de busca e apreensão na primeira fase da operação.

A droga teria sido desviada pelo investigado durante duas apreensões de grande carga de substâncias entorpecentes no posto da Polícia Rodoviária de Cianorte.

É investigado principalmente o possível recebimento sistemático de “propinas” por parte de policiais rodoviários estaduais para permitirem a passagem de veículos transportando mercadorias de origem estrangeira sem o devido pagamento de tributos (descaminho) e, em outros casos, para facilitação do tráfico de drogas.

Eventualmente, os policiais investigados liberariam infratores que não acertavam o pagamento de propina depois de ficarem com parte dos produtos, revendidos posteriormente para empresas especializadas no comércio de equipamentos eletrônicos e outras.

Em muitas situações, os boletins de ocorrência eram registrados de modo genérico, para facilitar a apropriação das mercadorias apreendidas. Está sendo investigado também o possível favorecimento na indicação de policiais para trabalhar nos postos de fiscalização, em troca de repasse de propinas.

(Com Assessoria MPPR)

Redação

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