Umuarama

Umuaramense revela santuário subaquático com peixes gigantes no Rio Paraná; vídeo

Vídeos que mostram grandes peixes e paisagens submersas pouco conhecidas do Rio Paraná têm chamado a atenção nas redes sociais nos últimos dias. Os registros são feitos pelo mergulhador de resgate Raphael Zardeto, de 38 anos, integrante do grupo “Os Biguás do Rio Paraná”.

O grupo formado por amigos que há cerca de 15 anos exploram, de forma recreativa e segura, trechos profundos do rio na região entre Porto São José e Rosana, municípios que ficam a cerca de 200 quilômetros de Maringá.

Raphael é mergulhador há 15 anos e possui formação avançada até o nível de mergulho de resgate, que inclui cursos de primeiros socorros, busca e localização subaquática e mergulho noturno. Apesar da alta qualificação, ele reforça que a atividade não tem fins comerciais.

“O mergulho, para mim, é hobby. Não trabalho profissionalmente com isso. A gente mergulha por paixão”, disse ao Portal GMC Online.

Um ponto raro e pouco conhecido do Rio Paraná

Segundo Raphael, os vídeos que viralizaram foram gravados em um trecho específico conhecido como “Fundão”, localizado no chamado Canalão, próximo ao Porto São José, sentido Rosana. O local é considerado um dos pontos mais profundos do Rio Paraná enquanto ele ainda corre em leito natural, antes das áreas alagadas por usinas hidrelétricas.

“Nesse trecho, a gente chega a cerca de 20 metros de profundidade, o que é raro no rio. Além disso, a correnteza é forte e o fundo é todo de pedra, o que favorece a concentração de peixes grandes”, explica.

É justamente nessas condições que se forma um verdadeiro santuário subaquático. No local, é possível encontrar espécies como jaú, pintado e dourado, alguns deles de grandes proporções. Segundo o mergulhador, há jaús que podem chegar perto dos 100 quilos.

“Essa concentração de espécies todas juntas só existe ali, em um trecho de três a quatro quilômetros”, destaca.

Mergulhador de resgate Raphael Zardeto, integrante do grupo “Os Biguás do Rio Paraná”, durante exploração do trecho conhecido como “Fundão” (Foto Rede Social)

Experiência única, diferente do mar

Mesmo com experiência em mergulhos no Brasil e no exterior, incluindo México, Equador e Colômbia, Raphael garante que o mergulho nesse ponto do Rio Paraná é único.

“As pessoas estão acostumadas a pensar em mergulho só no mar, mas ali é diferente de tudo. Corrente forte, peixes grandes, visibilidade boa. É uma experiência que só aquele pedaço do rio proporciona”, afirma.

Com a divulgação crescente nas redes sociais, mergulhadores de várias partes do Brasil já procuraram o grupo para conhecer o local. As imagens são publicadas principalmente na página do Facebook “Os Biguás do Rio Paraná”, onde o grupo compartilha registros de mergulhos ao longo do rio.

Segurança e preparação são essenciais

Raphael explica que cada mergulho exige planejamento rigoroso. O tempo médio submerso é de cerca de 40 minutos, incluindo a chamada parada de segurança, necessária para a eliminação do nitrogênio acumulado no corpo devido à pressão.

“A partir dos 15 metros, não dá para subir de uma vez. A subida precisa ser lenta, senão há risco de doença descompressiva”, explica.

Por isso, ele reforça que não leva pessoas sem formação adequada.

“Quem quer mergulhar precisa procurar uma escola de mergulho. Eu só mergulho com amigos que já são certificados ou com profissionais da imprensa, sempre com todos os cuidados”, afirma.

Morador de Umuarama, Raphael atua profissionalmente no ramo de alimentação, com negócios também em Cianorte, e segue tratando o mergulho como paixão.

“A gente viaja o mundo mergulhando, mas sempre volta para o Rio Paraná. Aquilo ali é único”, conclui.

(Com informações e imagens do Portal GMC Online)

Rudson de Souza

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