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Mãe de Larissa Manoela é alvo de inquérito por crime de racismo religioso

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Mãe de Larissa Manoela é alvo de inquérito por crime de racismo religioso
Redação
OBemdito
1 de dezembro de 2023 20h21

A mãe de Larissa Manoela, Silvana Taques Santos, foi indiciada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro por racismo religioso contra o noivo da filha, André Frambach. De acordo com informações fornecidas pela Polícia Civil, Silvana foi indiciada por crimes de preconceito de raça ou cor, ao enviar uma mensagem à filha chamando a família de André de “macumbeira”.

O comunicado da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) destacou que o inquérito foi finalizado com o indiciamento da autora por intolerância religiosa.

A denúncia salientou que a mensagem escrita por Silvana pode ser considerada um “ato discriminatório travestido de formas contemporâneas de racismo”. Em declaração ao Splash, Maiko Roberto Maier, um dos membros da defesa de Silvana Taques Santos, afirmou que a mãe da atriz ainda não foi intimada.

Segundo ele, “as diligências da investigação não foram concluídas, especialmente aquelas solicitadas pela defesa e necessárias para apuração do vazamento e adulteração dos supostos diálogos”.

Larissa Manoela e André Luiz Frambach foram contatados pelo Splash para comentar sobre o indiciamento de Silvana Taques, mas informaram que não irão se manifestar.

Em um diálogo revelado pelo colunista do Uol Lucas Pasin, Silvana ironizou a religião do noivo da atriz. A frase polêmica foi: “Esqueci de te desejar… que você tenha um ótimo Natal aí com todos os guias dessa família macumbeira. kkkkkk” foi parte de um diálogo entre Silvana e Larissa, onde a mãe da atriz mandou a filha “ir à merda” após receber cumprimentos natalinos da artista e lamentações sobre a ausência dos pais na casa de Frambach.

Larissa Manoela possui antecedentes religiosos diversificados, com um pai evangélico, uma mãe católica e um histórico de estudo em um colégio adventista durante a infância. Já André Luiz Frambach e sua família seguem o espiritismo.

O programa Fantástico optou por não exibir a última fala de Silvana, evitando assim questões relacionadas ao “relacionamento familiar” e focando nas disputas financeiras, conforme relatado pelo colunista Lucas Pasin. A defesa da mãe de Larissa tentou o arquivamento da denúncia de racismo religioso em novembro do ano passado, alegando a ilegalidade da prova, originada a partir de prints de conversas do WhatsApp, cuja autenticidade não foi comprovada.

Em relação à possibilidade de prisão da mãe de Larissa Manoela, a advogada Luanda Pires, especialista em direito antidiscriminatório, cultura inclusiva e diversidade, destacou que quem trata alguém com escárnio, zomba ou faz chacota contra pessoas devido às suas crenças religiosas pode ser punido com pena de detenção. Ela citou a Lei 9.459 de 1997 e ressaltou que a prática de racismo religioso acarreta uma pena mais grave, de reclusão de 2 a 5 anos, conforme o Código Penal.

A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa do Estado do Rio de Janeiro formalizou a denúncia contra Silvana com base na lei de maio de 1997, que condena a prática de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

A especialista explicou que o racismo estrutural está intimamente ligado às discriminações contra praticantes de religiões de matrizes africanas, como o Candomblé e a Umbanda, e que, portanto, no caso da mãe de Larissa Manoela, a suposta fala configura racismo religioso, não apenas intolerância religiosa.

A Lei 14.532, sancionada em janeiro pelo presidente Lula, visa a impedir qualquer violência ou obstáculo às manifestações ou práticas religiosas, impondo punições severas contra o racismo religioso.

(Com informações Uol)

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