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Gaeco revela esquema de grupo criminoso que levava drogas de Iporã ao estado de São Paulo

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Publicado em 6 de novembro de 2026 às 10h08 - Modificado em 6 de novembro de 2026 às 10h12

A Operação Ma’Avar, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) nesta sexta-feira (6), em Iporã, resultou na prisão de seis pessoas e revelou detalhes de um esquema suspeito de transportar grandes quantidades de drogas para outras regiões do país, principalmente o estado de São Paulo. Um sétimo investigado, que também teve a prisão temporária decretada, não foi localizado e continua sendo procurado.

As informações foram divulgadas durante uma coletiva de imprensa com o promotor de Justiça de Iporã, Felipe Rocha Silva, e o comandante do 25º Batalhão de Polícia Militar (25º BPM), tenente-coronel Carlos Cesar de Souza Peres.

Segundo o Ministério Público do Paraná (MPPR), as investigações começaram em 2025, a partir de informações sobre a possível atuação de um grupo envolvido com o tráfico de drogas em Iporã e região.

Durante as apurações, foram utilizadas técnicas como interceptações telefônicas e quebra de sigilo de dados telemáticos, que permitiram identificar indícios de uma estrutura criminosa dividida em diferentes funções.

A operação foi conduzida pelo Núcleo Regional do Gaeco de Umuarama e pela Promotoria de Justiça de Iporã, com apoio da Agência Local de Inteligência do 25º BPM.

Iporã era utilizada como entreposto para drogas

De acordo com o promotor Felipe Rocha Silva, as investigações identificaram duas frentes de atuação do grupo. A primeira estaria relacionada à comercialização de entorpecentes em Iporã, enquanto a segunda envolveria o transporte de grandes carregamentos para outros estados.

O município seria utilizado como um entreposto para drogas que chegavam principalmente por rios da região Noroeste do Paraná.

Parte dos entorpecentes seria comercializada localmente, enquanto o restante seguiria para outras regiões do país.

“Segundo o que a gente está apurando, essa droga teria como destino principal o estado de São Paulo”, explicou o promotor.

A investigação também relaciona o grupo a duas grandes apreensões realizadas em agosto e outubro de 2025, que totalizaram 3.339 quilos de maconha.

Conforme o representante do Ministério Público, os carregamentos foram encontrados em caminhões que transportavam produtos lícitos, como farinha de mandioca e fécula de mandioca.

Os motoristas responsáveis pelos veículos foram presos em flagrante nas respectivas ocasiões. Agora, os investigadores buscam aprofundar os elementos que possam comprovar a ligação deles com o grupo investigado em Iporã.

O promotor esclareceu que a forma como os caminhoneiros teriam sido envolvidos no transporte dos entorpecentes ainda está sendo apurada.

Seis presos e um investigado procurado

Durante a coletiva, o tenente-coronel Carlos Cesar de Souza Peres confirmou que seis dos sete mandados de prisão temporária expedidos pela Justiça foram cumpridos.

O sétimo investigado não foi encontrado durante as diligências. Segundo o comandante, as informações sobre o mandado foram repassadas a outras unidades policiais da região para auxiliar na localização do suspeito.

Além das prisões, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em residências e em um estabelecimento comercial, bem como sete medidas de busca pessoal.

Entre os materiais apreendidos estão 11 aparelhos celulares, balanças de precisão, um uniforme camuflado, drogas e munições.

As quantidades exatas de entorpecentes e munições apreendidas ainda estavam sendo contabilizadas no momento da coletiva.

O comandante informou também que houve situações de flagrante relacionadas às apreensões, mas não detalhou quantas pessoas foram autuadas nessas circunstâncias.

Uniforme camuflado e munições serão investigados

Um dos materiais encontrados durante a operação foi um uniforme camuflado, cuja finalidade ainda é desconhecida.

Questionado sobre a possibilidade de a vestimenta ser utilizada para simular a atuação de agentes de segurança, o comandante explicou que o uniforme não segue o padrão da Polícia Militar e que sua possível utilização será investigada.

Outra linha de apuração envolve a negociação de armas de fogo e munições.

Segundo o Ministério Público, foram identificados registros relacionados a armamentos e acessórios de uso restrito, além de conversas sobre a possível aquisição de munições para fuzil.

O promotor afirmou que as diligências realizadas nesta sexta-feira poderão ajudar a esclarecer se os investigados também participavam do comércio ilegal de armas e munições.

Possível ligação com facções criminosas

As investigações também buscam esclarecer a possível ligação do grupo com facções criminosas de atuação nacional.

De acordo com Felipe Rocha Silva, já existem informações sobre essas conexões, mas os elementos recolhidos durante a operação serão analisados para aprofundar essa linha investigativa.

O promotor explicou ainda que o grupo apresentava divisão de funções e que algumas das pessoas apontadas como possíveis lideranças foram alvo das medidas judiciais cumpridas nesta sexta-feira.

Entretanto, ele não divulgou nomes nem detalhes sobre a participação individual dos investigados, para preservar o andamento das apurações.

Investigações continuam após a operação

O comandante do 25º BPM destacou que a atuação integrada entre a Polícia Militar e o Gaeco permitiu reunir informações utilizadas na investigação.

Segundo ele, os materiais apreendidos, especialmente os dispositivos eletrônicos, poderão fornecer novos elementos sobre a atuação do grupo e eventuais outros crimes.

A Polícia Civil também participou da operação, atuando nos procedimentos de polícia judiciária relacionados às ocorrências.

O Ministério Público informou que as investigações continuam e que algumas diligências permanecem sob sigilo.

O nome Ma’Avar tem origem hebraica e significa passagem, travessia ou transição. A denominação faz referência à suspeita de utilização da região como ponto de passagem e distribuição de drogas.

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Luiz Fernando

Luiz Fernando é estudante de Jornalismo na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e trabalha há cinco anos no portal OBemdito auxiliando na cobertura de notícias em Umuarama e região.