Rudson de Souza Publisher do OBemdito Oposição pede impeachment de Santiago Peña após crise no banco Ueno, no Paraguai
A crise do banco digital Ueno, no Paraguai, chegou ao centro da disputa política do país. Parlamentares da oposição apresentaram nesta quarta-feira (4) um pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña, a quem atribuem responsabilidade pela situação que deixou milhares de clientes sem acesso aos próprios recursos.
A iniciativa reúne 35 deputados, que solicitaram ao presidente da Câmara a convocação de uma sessão extraordinária para esta quinta-feira (5). A abertura do processo depende do apoio de dois terços dos integrantes da Casa. Até o momento, não há definição sobre a posição dos parlamentares governistas.
Peña, economista conservador que assumiu a Presidência em 2023, foi acionista do grupo proprietário do Ueno até março de 2025. A instituição pertence ao Grupo Vázquez e tinha cerca de 3 milhões de clientes, além de aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, entre eles recursos do Instituto de Previdência Social.
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Intervenção e investigação
O banco fechou as portas na terça-feira (3), após o Banco Central do Paraguai iniciar o processo de liquidação. A autoridade monetária identificou falta de recursos para cobrir as obrigações da instituição. O problema estaria relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao próprio banco.
Na acusação apresentada ao Congresso, a oposição aponta possíveis conflitos de interesses, manipulação de regras e desvio de recursos previdenciários. Os parlamentares também questionam a atuação do Banco Central e afirmam que a autoridade teria encoberto irregularidades.
Durante a sessão, antes da apresentação formal do pedido, a deputada oposicionista Rocío Vallejo criticou a atuação do presidente.
“Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente. O senhor é a origem desse monstro que criou”, afirmou.
Peña ainda não se manifestou diretamente sobre o pedido de impeachment. Em publicação na rede social X, porém, declarou que os responsáveis pelas irregularidades serão levados à Justiça, sem exceções.
A manifestação ocorreu pouco antes de o presidente promulgar uma lei que busca acelerar a devolução dos valores aos clientes do Ueno. Na ocasião, ele também pediu que os setores políticos priorizem os poupadores.
“Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, declarou.
Dirigentes presos e temor no sistema financeiro
A crise também provocou mudanças na estrutura de fiscalização bancária. Carlos Carvallo deixou a presidência do Banco Central, enquanto oito diretores do Ueno foram presos, entre eles o presidente-executivo da instituição, Miguel Vázquez.
Os executivos se apresentaram às autoridades após a emissão de mandados de prisão pela Procuradoria. O órgão também formalizou acusações contra 27 pessoas ligadas ao banco e pediu medidas para bloquear os bens dos investigados.
O episódio aumentou a preocupação dos clientes com o sistema financeiro paraguaio. Nesta quarta-feira, circularam relatos de instabilidade nos aplicativos de outras instituições bancárias.
A Associação de Bancos do Paraguai (Asoban) informou que as instituições trabalhavam para atender ao aumento da procura, provocado por clientes que transferiam suas contas do Ueno. A entidade afirmou, porém, que o sistema bancário permanecia “operando normalmente”.
(Com informações do ABC Color do PY)
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