Foto de Paula Damacena Paula Damacena Publisher do OBemdito

Moradora de Cafezal do Sul morre após procedimento estético em clínica de Maringá

Moradora de Cafezal do Sul morre após procedimento estético em clínica de Maringá
Foto de Paula Damacena
Publicado em 3 de novembro de 2026 às 18h18 - Modificado em 3 de novembro de 2026 às 18h51

A professora aposentada Rosângela de Oliveira Coiado, de 61 anos, morreu após sofrer uma parada cardiorrespiratória durante a realização de um procedimento estético no rosto, em uma clínica de Maringá, no norte do Paraná. O procedimento ocorreu em 28 de outubro e não chegou a ser concluído, segundo relato da sobrinha da paciente e advogada da família.

Conforme informações registradas no prontuário hospitalar, Rosângela realizava um lifting facial, procedimento de rejuvenescimento da face, e uma blefaroplastia, cirurgia destinada à correção das pálpebras.

Segundo a sobrinha, a cirurgia foi interrompida após a intercorrência. Ela relatou que, durante o velório, ainda era possível observar uma incisão em apenas uma das pálpebras da professora, indicando que a intervenção não havia sido concluída.

De acordo com informações apuradas pelo OBemdito, o filho da professora procurou a Polícia Civil de Maringá para registrar um boletim de ocorrência após a morte da mãe.

Em nota encaminhada à reportagem, a Polícia Civil do Paraná (PCPR) confirmou que investiga o caso. Segundo a corporação, a equipe aguarda o resultado do laudo de necropsia para identificar a causa da morte. A Polícia Civil também informou que todas as pessoas envolvidas serão ouvidas ao longo da investigação.

Como foi o dia do procedimento

Rosângela chegou à clínica por volta das 8h30 de quarta-feira (28), para realizar os procedimentos. Segundo o relato do marido, ele foi orientado pela equipe a não permanecer no estabelecimento durante a cirurgia.

Por volta das 16h, preocupado com a demora, ele retornou ao local. Algum tempo depois, foi chamado pelos profissionais e informado que a mulher havia sofrido uma parada cardiorrespiratória e seria encaminhada a um hospital.

Rosângela foi socorrida por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levada ao Hospital Bom Samaritano, em Maringá. Ela morreu na quinta-feira (29), por volta das 17h40.

O corpo da professora foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML) para a realização de necropsia. A família aguarda os resultados periciais para esclarecer o que provocou a parada cardiorrespiratória e se há relação entre o episódio ocorrido durante o procedimento e a morte.

“A família não medirá esforços para descobrir exatamente o que aconteceu e buscar todos os esclarecimentos necessários, inclusive quanto a eventuais responsabilidades dos envolvidos”, afirmou Ana Carolina, a sobrinha de Rosangela.

Em outra manifestação, Ana Carolina destacou que a dor da perda também se transformou em um compromisso de buscar respostas. “Como sobrinha, compartilho a dor dessa perda. Como advogada, conduzirei esse trabalho com rigor técnico e determinação para que a família tenha respostas e os direitos de Rosangela sejam respeitados”, declarou.

Comoção na família e na comunidade

Rosângela era casada havia 40 anos, morava em Cafezal do Sul e era professora aposentada, sendo muito conhecida e querida pela comunidade. Ela deixa o marido, dois filhos, uma nora, um genro e dois netos. Os filhos residem em Umuarama.

A morte também aprofundou o sofrimento de uma família que já enfrentava outras perdas recentes. O marido de Rosângela perdeu o irmão mais velho em 3 de maio e o pai em 6 de setembro. A morte da esposa, em 29 de outubro, representou o terceiro falecimento na família em menos de seis meses.

O velório e o sepultamento da professora aconteceram em Cafezal do Sul, nos dias 30 e 31 de outubro, respectivamente.

Em uma publicação nas redes sociais, a filha de Rosângela relatou que a mãe sempre dedicou grande parte da vida aos filhos e à família. Segundo ela, a realização do procedimento estético representava um sonho que a professora decidiu concretizar depois de muitos anos priorizando os desejos dos filhos.

“Só nós sabemos a dor que estamos sentindo, o quanto estamos em pedaços com a perda. Ela era uma mulher feliz, que se cuidava, era vaidosa, fazia atividade física, sempre foi um exemplo de mulher, esposa, mãe, tia, avó e amiga”, escreveu a filha.

O que diz a clínica

O procedimento foi realizado no Instituto Algarve, em Maringá, especializado em cirurgias faciais.

A equipe do OBemdito tentou contato com a clínica por meio de mensagens em aplicativos e ligações telefônicas, mas não obteve retorno. Posteriormente, o advogado do Instituto Algarve divulgou uma nota oficial nas páginas da instituição, com esclarecimentos sobre o atendimento prestado à paciente.

No comunicado, o Instituto manifestou pesar pela morte de Rosângela e afirmou que ela havia realizado exames laboratoriais pré-operatórios, todos dentro dos parâmetros de normalidade.

A clínica informou que, em 28 de outubro, durante um procedimento eletivo, a paciente apresentou uma intercorrência cardiorrespiratória súbita. Segundo a nota, ela estava sob monitorização contínua e acompanhada por uma médica anestesiologista.

Ainda conforme o Instituto, a equipe iniciou imediatamente as manobras de reanimação, com utilização de via aérea avançada e medicações de emergência. A nota afirma que houve retorno da circulação espontânea e que Rosângela foi removida pelo Samu ao hospital, onde chegou com vida e permaneceu internada.

O comunicado também informa que a paciente ficou hospitalizada por aproximadamente 20 horas, período em que apresentou oscilações no quadro clínico, incluindo um momento de estabilização.

Outro ponto abordado pelo advogado é a solicitação de um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Segundo o Instituto, o pedido foi feito pelo hospital na noite de 28 de outubro, mas só teria sido analisado pelo plano de saúde da paciente por volta do meio-dia do dia seguinte, quase 16 horas depois. Ainda de acordo com a nota, a solicitação foi negada.

O Instituto afirmou que esse episódio também deve ser rigorosamente apurado.

Sobre as circunstâncias da morte, a clínica declarou que, até a divulgação do comunicado, não havia documento oficial indicando a causa do óbito. Por isso, considerou precipitado estabelecer uma relação direta entre o procedimento e a morte da paciente.

A nota acrescenta que o procedimento foi coordenado por um cirurgião-dentista habilitado em Cirurgia Estética Orofacial e especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial. O Instituto também afirmou que a paciente havia sido previamente informada sobre os riscos inerentes a procedimentos cirúrgicos.

Por fim, a instituição declarou que presta apoio à família desde o início, que o responsável pelo Instituto, Alexandre Algarve, esteve pessoalmente no hospital e que colabora integralmente com as autoridades competentes.

O comunicado é assinado pelo advogado Dr. Arthur Sian.

OBemdito tentou contato telefônico com o Hospital Bom Samaritano de Maringá, mas não obteve êxito. O espaço está aberto para uma eventual manifestação da instituição.

Leia a nota na íntegra:

O Instituto Algarve manifesta seu profundo pesar pelo falecimento de sua paciente e se solidariza, de forma sincera, com seus familiares e amigos. Diante das informações divulgadas, esclarece:

A paciente realizou previamente os exames laboratoriais pré-operatórios, todos dentro dos parâmetros de normalidade.

O óbito não ocorreu no Instituto Algarve. Em 28 de outubro, durante procedimento eletivo, a paciente apresentou intercorrência cardiorrespiratória súbita. Estava sob monitorização contínua e acompanhada por médica anestesiologista. A equipe iniciou de imediato as manobras de reanimação, com via aérea avançada e medicações de emergência, obtendo o retorno da circulação espontânea. Foi removida pelo Samu ao hospital, onde chegou com vida e foi internada.

A paciente permaneceu internada por cerca de 20 horas, com oscilações do quadro clínico, inclusive período de estabilização. O falecimento ocorreu no hospital, na tarde de 29 de outubro.

O pedido de leito de UTI, feito pelo hospital na noite de 28 de outubro, só foi analisado pelo sistema de saúde da paciente por volta do meio-dia seguinte — quase 16 horas depois — e foi negado. O Instituto confia que esse ponto também será rigorosamente apurado.

Até o momento, não existe qualquer documento oficial que indique a causa da morte. Qualquer afirmação que relacione o óbito ao procedimento é, neste momento, precipitada e desprovida de respaldo técnico.

O procedimento esteve sob a coordenação de cirurgião-dentista habilitado em Cirurgia Estética Orofacial, também especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial e formador de cirurgiões que são referências em suas áreas por todo o país. Todo procedimento cirúrgico envolve riscos inerentes, dos quais a paciente foi previamente informada.

Desde o primeiro momento, o Instituto presta apoio à família. O Dr. Alexandre Algarve deslocou-se pessoalmente ao hospital e esteve à disposição da família e do corpo clínico para todo e qualquer auxílio necessário. O Instituto permanece à disposição da família.

O Instituto Algarve colabora integralmente com as autoridades competentes e, em respeito à família e ao sigilo profissional, não divulgará informações clínicas.

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