Jovem cai do 14º andar ao fugir de tortura e 4 são denunciados pelo MPPR
O Ministério Público do Paraná (MPPR) denunciou quatro homens pela morte de um jovem de 27 anos que caiu do 14º andar de um prédio em Londrina enquanto tentava fugir após ter sido mantido em cárcere e submetido a agressões físicas e psicológicas. O caso aconteceu em 14 de agosto.
A denúncia foi apresentada pela 16ª Promotoria de Justiça de Londrina. Os quatro acusados, que tinham entre 22 e 24 anos na época dos fatos, são denunciados por tortura qualificada pelo resultado morte, com aumento de pena pelo sequestro ou cárcere privado, além de fraude processual.
Segundo o MPPR, os quatro moravam juntos no apartamento onde os crimes teriam ocorrido. A vítima frequentava o imóvel devido ao relacionamento afetivo que mantinha com uma das pessoas que residiam no local.
Vítima teria sido torturada por mais de quatro horas
As investigações apontam que o jovem foi mantido em cárcere privado desde 13 de agosto, em um dos quartos do apartamento. Durante esse período, teria sido submetido a ameaças e diferentes formas de violência física e psicológica.
De acordo com a acusação, os denunciados queriam obter informações sobre uma câmera fotográfica avaliada em R$ 12 mil que teria sido furtada pela vítima e estaria sendo anunciada na internet. Eles também cobravam a devolução de R$ 800 referentes a uma dívida que o jovem teria com um dos acusados.
Ainda segundo a denúncia, durante a madrugada os agressores obrigaram a vítima a ingerir comprimidos de um medicamento sedativo para mantê-la sob controle.
Após mais de quatro horas de agressões, o jovem conseguiu se soltar das amarras e tentou escapar do apartamento. Conforme o MPPR, ele cortou a tela de proteção de uma janela e tentou acessar a estrutura externa do edifício.
A Promotoria sustenta que, sob intenso abalo psicológico e efeito da medicação, a vítima perdeu o equilíbrio e caiu do 14º andar. O jovem morreu em decorrência da queda.
Denúncia aponta tentativa de simular suicídio
O Ministério Público afirma ainda que os quatro acusados alteraram a cena após a morte na tentativa de fazer a queda parecer um suicídio e esconder as agressões sofridas pela vítima.
Segundo a denúncia, objetos utilizados durante as sessões de tortura foram escondidos e fotografias que registravam as agressões teriam sido apagadas dos celulares. Documentos pessoais da vítima também teriam sido descartados em uma lixeira pública.
Os acusados ainda teriam fechado a janela e colocado um colchão junto à porta de entrada do apartamento para dificultar o acesso das forças de segurança ao imóvel.
Além da condenação pelos crimes descritos na denúncia, o MPPR pede que seja estabelecido um valor mínimo de R$ 40 mil em reparação por danos morais aos familiares e herdeiros da vítima. O montante corresponde a R$ 10 mil para cada denunciado.
(Com informações MPPR)
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