Achaditos em breve
Danilo Martins Publisher do OBemdito

Dor crônica afeta 40% da população: especialista alerta sobre riscos e explica a “memória da dor”

Dor crônica afeta 40% da população: especialista alerta sobre riscos e explica a “memória da dor”
Danilo Martins - OBemdito
Publicado em 4 de agosto de 2026 às 12h34 - Modificado em 4 de agosto de 2026 às 12h34

A dor deixa de ser apenas um sinal de alerta do corpo para se transformar em uma doença quando persiste por mais de três meses. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Sociedade Mundial de Estudo da Dor indicam que cerca de 40% da população mundial sofre com algum tipo de dor, seja ela aguda ou crônica.

O dado acende um alerta vermelho para a prática comum e perigosa da automedicação. Para detalhar o cenário, tirar dúvidas e apresentar as novidades em diagnósticos e terapias, o médico Leonardo Jesus, especialista em tratamento da dor e pioneiro na área em Umuarama (PR), foi o convidado de estreia do podcast OBemdito Saúde que será comandado pela jornalista Graça Milanez.

O perigo silencioso da automedicação

Frente a uma dor persistente, a reação de grande parte das pessoas é recorrer a remédios indicados por conhecidos ou comprados sem receita nas farmácias. No entanto, o uso contínuo de analgésicos e anti-inflamatórios sem supervisão médica traz sérios riscos à saúde.

“Medicamentos para dor aguda, como anti-inflamatórios, são feitos para serem usados de 7 a 10 dias. Mas as pessoas passam o ano inteiro tomando por conta própria”, alerta o Dr. Leonardo Jesus.

O cérebro pode aprender a sentir dor? Entenda a “memória da dor”

Uma das revelações mais impressionantes sobre a dor crônica é a sua capacidade de criar raízes no sistema nervoso central. Quando a dor persiste por muito tempo, ocorre um fenômeno chamado de sensibilização central.

O médico explica que o cérebro acaba criando uma “memória” da dor:

  • Rotina do cérebro: Assim como memorizamos um caminho ou o nome de colegas de trabalho, o cérebro se acostuma com o estímulo doloroso diário.
  • A “dor fantasma”: Mesmo após a cura ou remoção da lesão física (como no caso de amputações de membros), o cérebro pode continuar disparando sinais de dor porque a memória do estímulo permanece registrada.
  • Como tratar: Nesses casos, a estratégia médica muda para focar na dessensibilização central, “reprogramando” a forma como o sistema nervoso processa esses sinais.

Mudanças bruscas de tempo e choque térmico

Outra queixa frequente é a piora do quadro de dor em dias frios ou durante mudanças repentinas de clima. Segundo o médico, mais do que o frio isolado, o choque térmico é um grande vilão.

A queda brusca de temperatura (por exemplo, passar de 30 °C para 15 °C no dia seguinte) provoca a contração involuntária dos músculos e a diminuição da circulação sanguínea nas articulações, desencadeando ou intensificando crises dolorosas.

Medicina Regenerativa: o futuro das terapias musculares e articulares

A medicina regenerativa utiliza os próprios recursos do organismo do paciente para restaurar tecidos e cicatrizar articulações sem a necessidade de cirurgias invasivas:

  • Bio Gel e Ácido Hialurônico: Indicados para desgastes como a artrose no joelho, ajudando a regenerar a cartilagem, melhorar a lubrificação e aliviar a dor.
  • Plasma Rico em Plaquetas (PRP): Concentrado obtido a partir da centrifugação do sangue do próprio paciente, rico em fatores de crescimento para cicatrização de tendões e músculos.
  • Células de Gordura e Medula Óssea: As células de gordura são extraídas por uma micro-lipoaspiração. Por serem células jovens que não envelhecem, possuem alto poder regenerativo para lesões graves.
  • Laser de Alta Potência: Penetra até 10 centímetros abaixo da pele, atuando na regeneração tecidual de regiões profundas, como a coluna lombar.

Estilo de vida e a regra “8-8-8” para prevenir a dor

Além de procedimentos médicos, o Dr. Leonardo ressalta que o controle do metabolismo e os hábitos de vida são fundamentais para evitar que o corpo permaneça em um estado inflamatório.

O consumo de alimentos ultraprocessados, o sedentarismo e a falta de água ou vitaminas (como D e B12) pioram drasticamente os quadros de dor.

Para manter o equilíbrio e alcançar uma longevidade com autonomia, o médico sugere a regra do 8-8-8:

[8 Horas de Sono] + [8 Horas de Trabalho] + [8 Horas de Lazer] = Equilíbrio do Corpo

“Viver com qualidade é ter autonomia para realizar as tarefas do dia a dia sem depender de ninguém. A verdadeira pílula da saúde é buscar o equilíbrio, cuidar do corpo e viver feliz”, conclui o médico.

Participe do nosso grupo no WhatsApp e receba as notícias do OBemdito em primeira mão.