Paraná chega a 17 aplicações de polilaminina para lesão medular
O Paraná alcançou a marca de 17 aplicações da polilaminina, uma terapia experimental desenvolvida por pesquisadores brasileiros para o tratamento de lesões medulares agudas. Os procedimentos são realizados em Curitiba com apoio da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), por meio do Complexo Hospitalar do Trabalhador (CHT).
Além da aplicação da proteína, o protocolo inclui um amplo processo de reabilitação realizado no Centro Hospitalar de Reabilitação Ana Carolina Moura Xavier, unidade especializada que integra o complexo e oferece atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo o secretário estadual da Saúde, César Neves, a iniciativa une inovação científica e atendimento especializado.
“Esse esforço conjunto reforça o compromisso do Governo do Paraná em alinhar o atendimento humanizado do SUS às mais modernas inovações científicas do cenário nacional”, afirmou.
Caminhoneiro recebeu terapia após diagnóstico de tetraplegia
Um dos pacientes mais recentes a receber a aplicação foi o caminhoneiro Divonzir Senca Cardozo, de 64 anos, morador de Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba.
Ele sofreu uma queda de cerca de 80 centímetros enquanto preparava as grades de sua carreta, em fevereiro deste ano. O acidente provocou uma fratura na vértebra C3 e resultou em um diagnóstico inicial de tetraplegia.
Após passar por cirurgia no Hospital do Trabalhador e superar um quadro de infecção, Divonzir recebeu a aplicação da polilaminina.
“Quando recebi a notícia que eu ia receber a aplicação, fiquei muito feliz. Foi uma bênção. Agora é fazer fisioterapia, reabilitação e, se Deus quiser, voltar a andar”, disse.
Reabilitação é parte fundamental do tratamento
Após a aplicação da proteína, os pacientes seguem um protocolo de internamento de três semanas no Hospital de Reabilitação.
O tratamento inclui sessões de fisioterapia três vezes ao dia, além de acompanhamento multidisciplinar com profissionais das áreas de clínica médica, nutrição, fonoaudiologia e outras especialidades.
Segundo o médico ortopedista Bruno Bodanese, gerente técnico do Centro Hospitalar de Reabilitação, a recuperação depende de diversos fatores e o acompanhamento intensivo é fundamental para a evolução dos pacientes.
Primeiro paciente de Curitiba apresenta avanços
O aposentado João Luiz Micheline, de 71 anos, foi o primeiro paciente a receber a aplicação da polilaminina em Curitiba, em março deste ano.
Ele sofreu uma lesão medular após uma queda em dezembro de 2025 e, desde então, participa de um intenso programa de reabilitação.
A equipe médica relata avanços no quadro clínico, incluindo melhora da sensibilidade em membros inferiores e recuperação de funções fisiológicas.
Apesar dos resultados animadores, os especialistas ressaltam que ainda é cedo para determinar qual parcela da evolução está diretamente relacionada à polilaminina.
Jovem atingida por galho também recebeu tratamento
Entre os casos de maior repercussão está o da jovem Ana Beatriz Cruz, de 22 anos, atingida por um galho de árvore em Curitiba no último dia 13 de junho.
Ela deu entrada no Hospital do Trabalhador em estado gravíssimo, com risco de morte. Após estabilização e recuperação inicial, recebeu a aplicação da proteína e já teve alta hospitalar. Agora, iniciará a etapa de reabilitação.
O que é a polilaminina
A polilaminina é uma proteína experimental brasileira derivada da laminina, substância encontrada na placenta humana.
O composto foi desenvolvido para estimular a regeneração de nervos lesionados na medula espinhal, funcionando como uma espécie de suporte para facilitar a reconexão neural.
Embora seja considerada uma das principais promessas para o tratamento de paraplegia e tetraplegia, a terapia ainda está em fase de pesquisa clínica e não possui aprovação definitiva da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso amplo.
(Com informações AEN)





