El Niño de alta intensidade deve trazer temporais, granizo e fortes ondas de calor
A notícia não é das mais animadoras: meteorologistas já consideram cada vez mais provável a volta do El Niño neste segundo semestre de 2026, com potencial para atingir intensidade forte ou até muito forte. Na prática, isso significa aumento do risco de temporais, vendavais, granizo e períodos de calor acima da média, especialmente entre a primavera e o verão.
A informação foi divulgada pela Climatempo com base em modelos meteorológicos internacionais e confirma uma tendência que vem sendo observada desde o início do ano. Segundo os especialistas, a influência do fenômeno deverá ser sentida principalmente a partir da primavera, com reflexos importantes sobre o clima em diversas regiões brasileiras.
Para o Paraná, estado agrícola que abastece grandes áreas brasileiras e também comércios internacionais, os impactos podem ser significativos.
O que é o El Niño
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais da região central e leste do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica em várias partes do planeta e modifica os padrões de chuva, temperatura e ventos.
Embora ocorra naturalmente a cada poucos anos, sua intensidade pode variar. Em eventos mais fortes, os efeitos costumam ser mais expressivos e provocar extremos climáticos em diferentes continentes.
Segundo os meteorologistas, o fenômeno de 2026 deverá ser oficialmente caracterizado ao longo de junho e permanecer ativo até o início de 2027.
Mais chuva e risco de tempestades no Sul
Historicamente, o El Niño favorece o aumento das chuvas na Região Sul do Brasil. Quando o fenômeno é intenso, cresce também a frequência de temporais, rajadas de vento, granizo e episódios de chuva volumosa.
De acordo com a Climatempo, um El Niño forte aumenta significativamente o risco de tempestades já durante o inverno, mas principalmente na primavera, período em que os sistemas atmosféricos costumam ficar mais ativos sobre o Sul do país.
Na região de Umuarama, isso pode significar maior ocorrência de eventos severos semelhantes aos registrados nos últimos anos, com queda de árvores, destelhamentos e prejuízos às lavouras.
El Niño traz calor acima da média
Outro efeito esperado é o aumento das temperaturas. As projeções indicam maior número de dias muito quentes durante a primavera e o verão em boa parte do Brasil. O calor excessivo pode afetar a produção agrícola, elevar o consumo de energia elétrica e aumentar os riscos à saúde, especialmente entre idosos e crianças.
Para municípios do noroeste paranaense, onde as temperaturas já costumam ultrapassar facilmente os 35°C durante os meses mais quentes, a combinação entre calor intenso e umidade elevada pode tornar os períodos de desconforto ainda mais frequentes.
El Niño e reflexos no campo
O setor agropecuário acompanha a evolução do fenômeno com atenção. Apesar de a chuva beneficiar algumas culturas em determinadas fases do desenvolvimento, o excesso de precipitação pode dificultar plantios, colheitas e o manejo das lavouras. Além disso, temporais severos costumam provocar perdas em áreas de milho, soja e hortifrutigranjeiros.
A pecuária também pode sentir os efeitos do calor prolongado, com redução no conforto térmico dos animais e impactos na produtividade. Ainda não é possível prever com exatidão quais regiões serão mais afetadas ou a intensidade dos eventos extremos. No entanto, os principais centros meteorológicos já consideram praticamente certa a influência do El Niño sobre o clima brasileiro no segundo semestre deste ano.
Por enquanto, especialistas recomendam acompanhar os boletins meteorológicos e os alertas oficiais, especialmente à medida que a primavera se aproxima. Se as projeções atuais se confirmarem, o Brasil poderá enfrentar um dos episódios mais intensos de El Niño dos últimos anos.





