Whatsapp Image 2025 02 14 At 17.17.45 Luiz Fernando Publisher do OBemdito

Brasileiro identifica 8 planetas com maior chance de ter água e vida

Planeta estudado pela possibilidade de água e vida.
Foto: Nasa
OBemdito
Luiz Fernando - OBemdito
Publicado em 19 de setembro de 2026 às 11h26 - Modificado em 19 de setembro de 2026 às 11h26

Um pesquisador brasileiro identificou oito planetas semelhantes à Terra que apresentam maior possibilidade de possuir água em estado líquido e, consequentemente, condições favoráveis ao desenvolvimento de vida. O levantamento analisou dados de mais de 6 mil exoplanetas já descobertos.

O estudo foi realizado pelo cientista Fábio Calabrio Evangelista da Silva, sob orientação do professor Marcelo Borges Fernandes, do Observatório Nacional. Para chegar à seleção, Silva utilizou um banco de dados da Nasa e comparou características como raio, densidade e distância entre cada planeta e a estrela que ele orbita.

O pesquisador buscou inicialmente planetas com raio e densidade semelhantes aos da Terra e que estivessem na chamada zona habitável. Essa é a região ao redor de uma estrela na qual as temperaturas podem permitir a existência de água líquida na superfície de um planeta.

Também foram estimadas características da atmosfera, pressão e temperatura da superfície. A combinação desses critérios permitiu selecionar os oito exoplanetas considerados mais parecidos com a Terra e, portanto, com maior possibilidade de manter água líquida e condições compatíveis com a vida como a conhecemos.

Planeta tem 98% de similaridade com a Terra

Entre os oito selecionados, o que mais se aproxima das características terrestres é o GJ 1002b. Segundo a pesquisa do Observatório Nacional, ele apresenta 98% de similaridade com a Terra.

Descoberto em 2022, o planeta está localizado a cerca de 16 anos-luz da Terra. Isso significa que a própria luz, viajando a aproximadamente 300 mil quilômetros por segundo, leva 16 anos para percorrer a distância entre os dois mundos.

O GJ 1002b orbita uma estrela anã vermelha, mais fria que o Sol, e completa uma volta ao redor dela em apenas dez dias.

Apesar das semelhanças, os pesquisadores ressaltam que estar na zona habitável ou possuir condições semelhantes às terrestres não significa que exista vida nesses planetas. A Terra continua sendo o único exemplo conhecido de um mundo habitado.

Além disso, a busca considera principalmente condições necessárias para formas de vida semelhantes às terrestres. Os cientistas não descartam a possibilidade de existirem organismos baseados em condições químicas e físicas diferentes das encontradas no nosso planeta.

Como cientistas procuram vida tão longe?

A distância impede que os exoplanetas sejam visitados com a tecnologia disponível atualmente. Por isso, boa parte da investigação é realizada indiretamente, por meio da observação das estrelas que eles orbitam.

Telescópios como o James Webb conseguem analisar a luz de uma estrela quando um planeta passa à sua frente. Ao atravessar a atmosfera do planeta, parte dessa luz sofre alterações que podem revelar quais substâncias químicas estão presentes.

É nesse ponto que entram as chamadas bioassinaturas. Os cientistas procuram substâncias ou combinações químicas que, na Terra, costumam estar relacionadas à atividade de seres vivos, como a presença simultânea de metano e oxigênio.

Encontrar essas substâncias, porém, não comprova sozinho a existência de vida. Processos geológicos, químicos ou atmosféricos também podem produzir algumas das moléculas consideradas potenciais bioassinaturas. Por isso, os pesquisadores defendem a necessidade de reunir diferentes linhas de evidência antes de qualquer confirmação.

Moléculas orgânicas também não são prova

A mesma cautela vale para os chamados “ingredientes da vida”. Aminoácidos e bases nitrogenadas que formam o código genético dos seres vivos podem existir sem que tenham sido produzidos por organismos.

Um exemplo veio das amostras coletadas no asteroide Bennu. Cientistas encontraram dezenas de moléculas orgânicas, incluindo componentes dos ácidos nucleicos e 14 dos 20 aminoácidos utilizados pelos organismos terrestres para produzir proteínas.

Essas moléculas, entretanto, também podem surgir por processos sem participação de seres vivos. Por isso, mesmo descobertas desse tipo não são consideradas confirmação de vida extraterrestre.

Próximas missões podem trazer respostas

Além dos exoplanetas, cientistas mantêm atenção sobre mundos bem mais próximos da Terra. Uma das principais apostas é Europa, lua de Júpiter que pode esconder um oceano de água salgada sob sua crosta de gelo.

A missão Europa Clipper deve chegar à região em 2030 para aprofundar os estudos sobre o satélite. Outra missão, a Dragonfly, tem lançamento previsto para 2028 em direção a Titã, lua de Saturno que possui atmosfera e metano líquido na superfície. A chegada está prevista para 2034.

Encélado, outra lua de Saturno que pode possuir um oceano sob sua camada de gelo, e Marte também permanecem entre os locais de interesse na busca por ambientes capazes de abrigar vida fora da Terra.

(Com informações Agência Brasil)

Participe do nosso grupo no WhatsApp e receba as notícias do OBemdito em primeira mão.