Jaqueline Mocellin Publisher do OBemdito

Bombeiros recebem capacitação para atender pessoas autistas em ocorrências

Foto: CBMPR
Bombeiros recebem capacitação para atender pessoas autistas em ocorrências
Jaqueline Mocellin - OBemdito
Publicado em 3 de abril de 2026 às 16h40 - Modificado em 3 de abril de 2026 às 16h40

O Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR) está capacitando os profissionais para ocorrências que envolvem pessoas autistas, com foco em um atendimento mais técnico, seguro e humanizado. A iniciativa reúne orientações operacionais, formação continuada e ações de conscientização dentro da corporação.

A preparação institucional teve início com a elaboração de uma Nota de Instrução (NI), em 2022, voltada aos procedimentos em ocorrências envolvendo pessoas com TEA. O documento estabelece diretrizes para abordagem, comunicação e condução das situações. E considera as particularidades sensoriais e comportamentais presentes dentro do espectro autista.

Além de padronizar o atendimento no Paraná, a normativa também serviu de base para outras corporações do país. Dessa forma, ampliando o alcance das boas práticas desenvolvidas no Estado.

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Preparo reduz riscos para autistas e bombeiros

O subcomandante-geral do CBMPR, coronel Jonas Emmanuel Benghi Pinto, responsável pela elaboração da NI, explica que o preparo é essencial para reduzir riscos durante as ocorrências. O militar que é pai de uma menina autista.

“Uma das principais questões é que a vítima autista percebe o mundo de uma forma bem específica. Estímulos que para nós bombeiros são bem assimilados, como som, luz e toque no corpo, para uma pessoa autista podem ser algo bastante desconfortável”, afirma.

Segundo ele, a capacitação contribui diretamente para a condução mais adequada das situações. “Basicamente, os procedimentos tendem a tranquilizar o ambiente geral do atendimento, acalmando e confortando a vítima autista. Bem como, entendendo e acolhendo os familiares e responsáveis”, destaca.

O coronel também cita exemplos práticos da aplicação das orientações. “Em uma colisão de veículos, por exemplo, desligar os sinais luminosos e reduzir o volume dos rádios pode diminuir significativamente a quantidade de estímulos presentes na cena. Assim, criando um ambiente mais tranquilo e estável para a vítima”, explica.

Foto: Roberto Dziura/AEN

Capacitação em EAD

Após a implementação da Nota de Instrução, o CBMPR lançou, em 2025, um curso na modalidade Ensino a Distância (EAD). A escola amplia a capacitação dos bombeiros e consolida a formação continuada sobre o tema. O conteúdo reúne protocolos operacionais baseados em boas práticas internacionais e orientações para diferentes tipos de ocorrências.

O responsável pela elaboração do curso é o major Murilo Sinque de Paula, também pai de uma criança com TEA. Ele relata que o curso foi estruturado de forma a poder ser realizado por profissionais de todas as forças de segurança. A capacitação possui com módulos específicos para cada área de atuação, permitindo a adaptação das orientações às particularidades operacionais de cada área.

A iniciativa também atende à exigência do Código Estadual da Pessoa Autista do Paraná (Lei nº 21.964). A legislação prevê a formação de agentes públicos para o atendimento adequado a pessoas com Transtorno do Espectro Autista.

Além disso, o CBMPR iniciou tratativas com a Escola de Governo do Paraná para ampliar a difusão do conteúdo entre servidores públicos, incluindo profissionais das áreas de saúde e educação.

O oficial ressalta que o preparo técnico impacta diretamente na segurança e eficiência da operação. “A capacitação auxilia o bombeiro na interpretação do comportamento da vítima, permitindo reconhecer sinais específicos, modular o ambiente e promover a desescalada da crise, protegendo simultaneamente a vítima, a equipe e terceiros”, afirma.

Abordagem humanizada

Até o momento, cerca de 95 bombeiros, entre militares e integrantes de brigadas comunitárias, já participaram da capacitação. Além disso, mais de mil pessoas de corporações e órgãos de outros estados também fizeram o curso.

Embora a capacitação ainda seja opcional, os resultados observados entre os participantes são positivos, com melhora na abordagem e maior segurança nas intervenções.

Para o major Sinque, a conscientização deve ser contínua. “O profissional de emergência frequentemente se depara com indivíduos em estado de elevada ativação emocional. É imprescindível que o interventor mantenha controle emocional, leitura situacional qualificada. Bem como, postura técnica para conduzir a ocorrência de forma segura e humanizada”, destaca.

Com as ações desenvolvidas e a ampliação da capacitação, o CBMPR reforça o compromisso com um atendimento cada vez mais inclusivo. Esta é uma das propostas do Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo: promover informação, respeito e inclusão em todos os espaços da sociedade.

A data foi celebrada na última quinta-feira (2 de abril) e reforça a importância da inclusão, do combate ao preconceito e da garantia de direitos às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

A Organização das Nações Unidas (ONU) intituiu a data para chamar a atenção para a necessidade de preparo de profissionais que atuam diretamente com o público, como os bombeiros, que frequentemente lidam com situações de emergência envolvendo pessoas neurodivergentes.

(Informações: AEN)

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