Rudson de Souza Publisher do OBemdito

Ratinho ganha força no PSD e visita à Expo reforça cenário de pré-campanha ao Planalto

Governador Ratinho Junior visita a Expo Umuarama, anuncia recursos e comenta cenário político de olho nas eleições de 2026 (Foto Danilo Martins/OBemdito)
Ratinho ganha força no PSD e visita à Expo reforça cenário de pré-campanha ao Planalto
Rudson de Souza - OBemdito
Publicado em 13 de março de 2026 às 16h13 - Modificado em 13 de março de 2026 às 18h41

A visita do governador Carlos Massa Ratinho Junior a Umuarama, nesta quinta-feira (12), durante a abertura da Expo Umuarama 2026, teve dois eixos evidentes. No campo institucional, o anúncio de obras e investimentos para a região.

No plano político, movimentações que já apontam para o cenário das Eleições de 2026, quando estarão em disputa cargos estratégicos como presidente da República, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais.

Enquanto no palco oficial foram anunciados recursos e obras para a região, nos bastidores o debate girou em torno das articulações que envolvem a corrida presidencial de 2026 e a sucessão no governo do Paraná.

Durante a agenda na feira, Ratinho Junior (PSD) confirmou a destinação de recursos estaduais para a construção da cobertura metálica da arena de shows e rodeios do Parque Internacional Dario Pimenta da Nóbrega.

Os recursos incluem também pavimentação de estradas rurais e aquisição de maquinário para as prefeituras dentro do programa Estrada Boa.

Mas, apesar dos anúncios administrativos, o que dominou as conversas entre lideranças políticas e dirigentes partidários foi o futuro político do governador.

Ratinho entra no jogo nacional

Ratinho Junior se tornou uma das principais apostas do Partido Social Democrático (PDS) para disputar a Presidência da República em 2026.

A legenda vive neste momento uma disputa interna entre três os governadores Ratinho Junior, Eduardo Leite e Ronaldo Caiado.

Os três pressionaram o comando nacional do partido para que a definição do nome aconteça antes do prazo máximo de desincompatibilização dos cargos públicos, em 4 de abril.

A decisão ficará nas mãos do presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, e o mais cotado é o governador do Paraná.

Nos bastidores do partido, Kassab tem reforçado a dirigentes que o PSD terá candidatura própria ao Palácio do Planalto.

A escolha levará em conta principalmente o desempenho nas pesquisas eleitorais e capacidade de construir alianças partidárias nacionais.

Dentro dessa equação, Ratinho Junior é visto como um nome de centro, capaz de dialogar com partidos da centro-direita e ampliar alianças estaduais.

Caiado é considerado mais alinhado à centro-direita, enquanto Leite ocupa uma posição mais próxima da centro-esquerda dentro da legenda.

Em pesquisas recentes, o governador paranaense aparece como o melhor colocado entre os três nomes do PSD.

Levantamento do Datafolha realizado entre 3 e 5 de março mostra Ratinho com entre 7% e 11% das intenções de voto, dependendo do cenário. Caiado aparece com 4%, enquanto Leite marca 3%.

Na pesquisa Genial/Quaest, feita entre 6 e 9 de março, Ratinho registra 7%, também liderando o grupo de pré-candidatos da sigla.

Mesmo assim, os números ainda estão distantes dos líderes nacionais, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, que dominam os cenários simulados para o primeiro turno.

Outro levantamento, do instituto Real Time Big Data, aponta que em um eventual segundo turno Lula teria 43% contra 39% de Ratinho Junior, dentro da margem de erro.

O discurso do “modelo Paraná”

Questionado pela reportagem do OBemdito durante a visita à Expo Umuarama sobre a possibilidade de disputar a Presidência, Ratinho Junior afirmou que vê a projeção nacional como reflexo da gestão estadual.

“Fico muito feliz do meu nome estar sendo lembrado nacionalmente, de alguma maneira estar sendo cogitado. Isso muito me honra. E claro que isso é muito do reflexo do que aconteceu aqui no Paraná. O Brasil tem acompanhado os números do Estado”, disse.

O governador citou indicadores econômicos e administrativos como credenciais políticas. “Hoje o Paraná tem o dobro de dinheiro que o Estado de São Paulo. Temos o maior volume de obras no país, o maior volume de estrada em concreto sendo construída no Brasil”.

Segundo ele, os números ajudam a colocar o Paraná em destaque nacional. “São números que credenciam o Paraná a ser um Estado respeitado. Eu fico feliz de, junto com o meu time, poder deixar um Estado melhor do que nós pegamos”, afirmou.

Pressão externa e disputa com o PL

O avanço da possível candidatura do governador também tem provocado movimentações fora do PSD. A pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro, do PL, chegou a pressionar Ratinho Junior a desistir da disputa presidencial.

Nos bastidores, o coordenador da pré-campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho, se reuniu com o governador em Brasília após insistir por um encontro. A conversa ocorreu na quarta-feira (11).

A equipe de Flávio chegou a sugerir que Ratinho integrasse a chapa como vice-presidente, proposta recusada pelo governador.

A tensão política também envolve o cenário estadual. Segundo aliados de Flávio Bolsonaro, caso Ratinho insista em disputar a Presidência, o PL poderia rever o acordo político firmado no Paraná.

Reflexos na sucessão estadual

A disputa nacional também impacta diretamente a sucessão no governo do Paraná. Ratinho Junior ainda não definiu quem apoiará para disputar o Palácio Iguaçu em 2026, mas alguns nomes já se movimentam.

Claramente entre os principais estão o secretário estadual das Cidades, Guto Silva, e o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi.

Ambos têm intensificado agendas políticas pelo Estado e participam de eventos regionais com frequência.

Nos últimos meses, inclusive, estiveram em compromissos públicos em Umuarama e em outras cidades do Noroeste, em agendas que já são interpretadas como movimentos de pré-campanha.

Outro nome citado nos bastidores é o ex-prefeito de Curitiba e atual secretário estadual Rafael Greca.

Questionado sobre a sucessão, Ratinho Junior evitou antecipar uma escolha, mas destacou que a prioridade é garantir continuidade administrativa.

“Mais do que o nome, a minha preocupação é entregar alguém que continue esse legado, que tenha capacidade de unir o Estado do Paraná e liderar um processo”, afirmou.

Ele também comentou o cenário político mais amplo. “Na política você precisa de alguém que tenha capacidade de unir o Estado e o Brasil também, que hoje está muito desunido e consiga liderar um processo.”, disse.

O governador ainda citou uma frase que, segundo ele, resume sua visão política. “O Paraná não precisa de super-herói. Na política, super-herói não resolve nada”, concluiu.

Disputa interna segue até o fim de março

Enquanto Ratinho articula sua posição, seus concorrentes internos também se movimentam. Caiado prepara um evento político em Goiás para reforçar sua pré-candidatura, enquanto Eduardo Leite lançou recentemente um “Manifesto ao Brasil”, defendendo uma alternativa política nacional.

Apesar da disputa interna, os três governadores firmaram compromisso de apoiar o nome que for escolhido pelo PSD.

A definição oficial do pré-candidato presidencial da legenda deve ocorrer até 27 de março, encerrando uma fase de articulações que, como ficou evidente na visita do governador à Expo Umuarama, já movimenta intensamente o cenário político paranaense e nacional.

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