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Família da menina morta em São Manoel do Paraná não tem dinheiro para o velório

Área em que o corpo da menina Miratzi foi encontrado, às margens de um rio, na área rural de São Manoel do Paraná (FOTO: LEONARDO REVESSO/OBEMDITO)
Família da menina morta em São Manoel do Paraná não tem dinheiro para o velório
Leonardo Revesso - OBemdito
Publicado em 16 de fevereiro de 2026 às 10h28 - Modificado em 16 de fevereiro de 2026 às 12h48

A família da menina Miratzi Kaireles Perez Mejia, de 8 anos, encontrada morta em São Manoel do Paraná, no noroeste do Estado, na noite deste domingo (15), não tem recursos para custear o velório e o sepultamento da criança. Todos são venezuelanos e deixaram o país de origem para fugir da crise e tentar reconstruir a vida no Brasil. Na região, passaram a trabalhar em olarias e na indústria de aves.

Diante da situação, o prefeito Hugo Lazinho informou que o município assumirá as despesas por meio de um fundo social. “É o mínimo que podemos fazer. A cidade inteira está em luto. Há uma clima de forte comoção diante de tudo o que aconteceu nesses últimos dias, terminando de uma forma tão trágica, tão dolorosa”, disse Lazinho.

O corpo de Miratzi ainda aguarda liberação do Instituto Médico Legal (IML) de Paranavaí. A principal linha de investigação aponta que a menina foi morta por estrangulamento. Peritos também apuram se houve violência sexual enquanto ela ainda estava viva. O velório será realizado na capela mortuária do município.

A menina Miratzi Kaireles Perez Mejia, brutalmente assassinada na área rural do município

“Deixamos tudo arrumado, mas ainda não dá para saber a hora (do velório e do sepultamento). Acredito que será algo rápido, pelo estado de decomposição em que o corpo foi encontrado. Mas vai ser uma despedida digna, uma última despedida, ao lado da família da menina”, afirmou o prefeito.

Sepultamento do assassino

Daniel Luiz Ferrari, 33 anos, foi sepultado por volta das 9h desta segunda-feira (16), no Cemitério Municipal de São Manoel do Paraná. Não houve velório. O corpo seguiu diretamente para o jazigo, com a presença de poucos familiares.

A sequência de crimes

A sequência de crimes teve início na quinta-feira (12). No fim da manhã, Daniel invadiu a casa da ex-companheira, que está grávida de sete meses, pulando o muro da residência. Ele desferiu diversos golpes de faca contra a mulher, que já possuía medida protetiva contra ele.

A vítima foi socorrida e encaminhada para cirurgia em Cianorte. Apesar da gravidade dos ferimentos, o bebê não precisou ter o parto antecipado. A mulher segue internada na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) porque teve grande perda de sangue e também por conta dos ferimentos.

Após a tentativa de feminicídio, Daniel deixou o local e entrou em contato com a atual namorada, Deyanira Mejias Pérez. Disse que havia comprado uma bicicleta para a filha dela e pediu que fosse até sua casa com a menina. No imóvel, solicitou que a mulher saísse para comprar cigarros. Quando ela retornou, ele já havia fugido com Miratzi em um Ford Del Rey azul, pertencente ao pai dele.

Na manhã de sexta-feira (13), o veículo foi encontrado abandonado em uma área rural do município. As buscas mobilizaram policiais militares, civis, bombeiros e voluntários, com apoio de cães farejadores e drones.

Na noite de sexta-feira, Daniel voltou à casa dos pais, onde teria jantado e tomado banho. Segundo familiares, afirmou que tinha ido se despedir, mas não revelou onde estava a criança. Saiu novamente antes da chegada das viaturas.

Durante o sábado e o domingo, o cerco policial foi ampliado em áreas de mata próximas à cidade. Na tarde de domingo (15), ele foi localizado. De acordo com a Polícia Militar, reagiu à abordagem com uma faca e avançou contra um dos agentes. Os policiais atiraram e ele morreu no local.

Horas depois, equipes encontraram o corpo de Miratzi em meio à vegetação, encerrando de forma trágica quatro dias de buscas que mobilizaram a cidade e comoveram a região.

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