Família da menina morta em São Manoel do Paraná não tem dinheiro para o velório
A família da menina Miratzi Kaireles Perez Mejia, de 8 anos, encontrada morta em São Manoel do Paraná, no noroeste do Estado, na noite deste domingo (15), não tem recursos para custear o velório e o sepultamento da criança. Todos são venezuelanos e deixaram o país de origem para fugir da crise e tentar reconstruir a vida no Brasil. Na região, passaram a trabalhar em olarias e na indústria de aves.
Diante da situação, o prefeito Hugo Lazinho informou que o município assumirá as despesas por meio de um fundo social. “É o mínimo que podemos fazer. A cidade inteira está em luto. Há uma clima de forte comoção diante de tudo o que aconteceu nesses últimos dias, terminando de uma forma tão trágica, tão dolorosa”, disse Lazinho.
O corpo de Miratzi ainda aguarda liberação do Instituto Médico Legal (IML) de Paranavaí. A principal linha de investigação aponta que a menina foi morta por estrangulamento. Peritos também apuram se houve violência sexual enquanto ela ainda estava viva. O velório será realizado na capela mortuária do município.

“Deixamos tudo arrumado, mas ainda não dá para saber a hora (do velório e do sepultamento). Acredito que será algo rápido, pelo estado de decomposição em que o corpo foi encontrado. Mas vai ser uma despedida digna, uma última despedida, ao lado da família da menina”, afirmou o prefeito.
Sepultamento do assassino
Daniel Luiz Ferrari, 33 anos, foi sepultado por volta das 9h desta segunda-feira (16), no Cemitério Municipal de São Manoel do Paraná. Não houve velório. O corpo seguiu diretamente para o jazigo, com a presença de poucos familiares.
A sequência de crimes
A sequência de crimes teve início na quinta-feira (12). No fim da manhã, Daniel invadiu a casa da ex-companheira, que está grávida de sete meses, pulando o muro da residência. Ele desferiu diversos golpes de faca contra a mulher, que já possuía medida protetiva contra ele.
A vítima foi socorrida e encaminhada para cirurgia em Cianorte. Apesar da gravidade dos ferimentos, o bebê não precisou ter o parto antecipado. A mulher segue internada na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) porque teve grande perda de sangue e também por conta dos ferimentos.
Após a tentativa de feminicídio, Daniel deixou o local e entrou em contato com a atual namorada, Deyanira Mejias Pérez. Disse que havia comprado uma bicicleta para a filha dela e pediu que fosse até sua casa com a menina. No imóvel, solicitou que a mulher saísse para comprar cigarros. Quando ela retornou, ele já havia fugido com Miratzi em um Ford Del Rey azul, pertencente ao pai dele.
Na manhã de sexta-feira (13), o veículo foi encontrado abandonado em uma área rural do município. As buscas mobilizaram policiais militares, civis, bombeiros e voluntários, com apoio de cães farejadores e drones.
Na noite de sexta-feira, Daniel voltou à casa dos pais, onde teria jantado e tomado banho. Segundo familiares, afirmou que tinha ido se despedir, mas não revelou onde estava a criança. Saiu novamente antes da chegada das viaturas.
Durante o sábado e o domingo, o cerco policial foi ampliado em áreas de mata próximas à cidade. Na tarde de domingo (15), ele foi localizado. De acordo com a Polícia Militar, reagiu à abordagem com uma faca e avançou contra um dos agentes. Os policiais atiraram e ele morreu no local.
Horas depois, equipes encontraram o corpo de Miratzi em meio à vegetação, encerrando de forma trágica quatro dias de buscas que mobilizaram a cidade e comoveram a região.





