Bebê com cardiopatia é transferido de Umuarama para Campina Grande do Sul; vídeo
Um recém-nascido foi transferido na tarde desta quinta-feira (5) da maternidade Norospar, em Umuarama, para o Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, em uma aeronave do Governo do Paraná. O bebê, um menino nascido com 36 semanas de gestação, apresentou uma cardiopatia congênita diagnosticada logo após o parto, o que exigiu encaminhamento imediato para um centro de referência em cardiologia pediátrica.
A operação mobilizou equipes médicas locais e o serviço aeromédico do Estado, garantindo rapidez no transporte e estabilidade clínica durante o trajeto até a capital. A mãe da criança é uma adolescente de 16 anos, mas, segundo os médicos, a idade materna não tem relação direta com o surgimento da cardiopatia.
De acordo com o pediatra e neonatologista Eduardo Jorge Verdelho, da UTI neonatal da Norospar, o aumento no número de diagnósticos de cardiopatias em recém-nascidos não significa que os casos estejam mais frequentes, mas que a medicina avançou na identificação dessas doenças.

“Hoje temos novas tecnologias, exames e equipamentos que permitem manter o bebê em boas condições até a realização de cirurgias ou procedimentos. Antes, muitas crianças morriam sem que se soubesse a causa”, afirmou.
O médico explicou que o hospital integra o projeto Bate Bate Coração, uma iniciativa que envolve cinco maternidades do Paraná, entre elas a Norospar, em parceria com o Hospital Pequeno Príncipe. O programa promove capacitação contínua das equipes de obstetrícia, pediatria e UTI neonatal para a identificação precoce de cardiopatias congênitas e para a organização de transferências rápidas quando necessário.
“Os profissionais participam de treinamentos integrados com a equipe do Pequeno Príncipe para reconhecer sinais precoces dessas doenças e encaminhar as crianças o quanto antes. Algumas cardiopatias não são percebidas imediatamente e o bebê pode até ir para casa, mas apresentar complicações graves depois”, disse Verdelho.

O projeto também atua desde o pré-natal, com foco na identificação intrauterina de malformações cardíacas, permitindo que o nascimento já ocorra com uma estrutura preparada para o atendimento especializado. Nos casos registrados nesta semana, o de quarta-feira (4) e o desta quinta, as cardiopatias foram detectadas logo após o nascimento, o que agilizou a tomada de decisão médica.
Na véspera, outro recém-nascido, de apenas 14 dias de vida, também foi transferido de Umuarama em uma operação aeromédica. Diagnosticado com uma má formação congênita no coração, o bebê precisou de cirurgia cardíaca urgente e foi encaminhado para Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, onde há estrutura adequada para o procedimento.
Segundo o neonatologista, ainda existem linhas de pesquisa em andamento para compreender as causas das cardiopatias congênitas, mas muitas delas não são previsíveis e podem ocorrer mesmo em gestantes sem fatores de risco aparentes. “O que mudou foi a nossa capacidade de enxergar o problema a tempo e salvar mais vidas”, destacou.
(Com imagens de Danilo Martins/OBemdito)





