Rudson de Souza Publisher do OBemdito

Verão eleva risco de picadas de cobra no Paraná, que teve 863 casos em 2025

Serpentes ficam mais ativas no verão, período que concentra maior risco de acidentes no Paraná, segundo a Secretaria da Saúde (Emanuel Marques da Silva/SESA)
Verão eleva risco de picadas de cobra no Paraná, que teve 863 casos em 2025
Rudson de Souza - OBemdito
Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 16h27 - Modificado em 12 de janeiro de 2026 às 16h27

O aumento das temperaturas e da umidade durante o verão mantém em alerta as autoridades de saúde no Paraná diante do risco de acidentes com serpentes. Em 2025, o Estado registrou 863 ocorrências desse tipo, de acordo com dados preliminares da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).

As notificações mostram que os casos se concentram principalmente fora das áreas urbanas. Do total registrado no ano passado, 680 acidentes ocorreram na zona rural, enquanto 171 foram contabilizados em áreas urbanas e 12 em regiões periurbanas. O cenário reflete a maior exposição de trabalhadores e moradores a ambientes naturais e agrícolas.

Embora o número de casos em 2025 seja inferior ao observado em anos anteriores (foram 910 registros em 2023 e 918 em 2024), a Sesa avalia que o período mais quente do ano exige atenção redobrada, já que favorece a circulação e o comportamento defensivo das serpentes.

A maior parte das picadas envolve cobras do gênero Bothrops, como jararaca, urutu e jararacuçu, responsáveis por cerca de 85% das ocorrências. As cascavéis respondem por 12% dos casos, e as corais verdadeiras, por 3%. O perfil das vítimas aponta predominância masculina, que representa aproximadamente 70% dos atendimentos, com maior incidência entre pessoas de 15 a 49 anos.

Para o secretário estadual da Saúde, Beto Preto, o enfrentamento do problema passa principalmente pela prevenção e pela resposta rápida do sistema público. Ele afirma que o Estado mantém investimento contínuo na capacitação de profissionais e na estrutura de atendimento. Segundo ele, a orientação à população é decisiva para reduzir a gravidade dos casos.

Como evitar e como agir

Dados da Divisão de Vigilância de Zoonoses e Intoxicações indicam que o uso de equipamentos de proteção individual, como botas de cano alto, perneiras e calçados fechados, pode evitar até 80% dos acidentes. O cuidado deve ser ampliado em atividades como jardinagem, trilhas, manejo de lavouras e limpeza de terrenos.

A recomendação é evitar o acúmulo de entulho, lixo, madeira e vegetação alta nos arredores das residências, locais que favorecem a presença de roedores e servem de abrigo para serpentes. A manipulação de lenha, palhas e materiais armazenados em locais escuros e úmidos exige atenção especial.

Em caso de picada, a orientação oficial é simples e direta: lavar o local com água e sabão e buscar atendimento médico imediato. Práticas como torniquete, cortes, sucção do veneno ou aplicação de substâncias caseiras são contraindicadas e podem agravar o quadro clínico.

O Paraná dispõe de 225 unidades de saúde habilitadas para atendimento de acidentes com animais peçonhentos, com acesso gratuito ao soro antiofídico pelo SUS. A produção do insumo é reforçada pelo Centro de Produção e Pesquisa de Imunobiológicos (CPPI), em Curitiba, que mantém um serpentário com cerca de 350 animais.

A população também pode buscar orientação junto ao Centro de Informação e Assistência Toxicológica do Paraná (CIATox), por meio do telefone 0800 0410 148 ou das unidades regionais.

– CIATox Paraná – 0800 0410 148
– CIATox Londrina – (43) 3371-2244
– CIATox Maringá – (44) 3011-9127
– CIATox Cascavel – (45) 3321-5261.

(Com informações da AEN)

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