Graça Milanez

Idosos cuidam da saúde e se divertem em aulas de capoterapia

A Escola de Capoeira Chora Menino e a Fundação Cultural de Umuarama, em parceria, estão promovendo aulas de capoterapia para pessoas com mais de 50 anos [ainda há vagas].

A iniciativa tem inscrito cerca de 15 homens e mulheres que participam semanalmente das atividades, conduzidas pela professora Joziane Karina Barbosa Almeida, 35 anos, ou a estagiária Jozy, como é chamada no grupo.

As aulas são dinâmicas, divertidas e prometem uma série de benefícios à saúde física e mental dos praticantes. Entre eles, estão a melhora da flexibilidade, do equilíbrio, da coordenação motora e da concentração.

Além disso, a capoterapia estimula a disposição, contribui para o fortalecimento da autoestima e pode auxiliar na prevenção e no combate à depressão, porque, segundo Jozy, a proposta vai além do movimento físico.

Aula especial: praticantes tiveram oportunidade de experimentar os instrumentos

“A capoterapia é uma forma de cuidar do corpo e também da mente; para isso, trabalhamos com música, ritmo, alegria e convivência”, explica a estagiária, que joga capoeira desde a adolescência.

Para ela, que faz esse trabalho como voluntária, o mais importante é ver as pessoas se sentindo bem, mais dispostas e felizes depois de cada encontro. “Eu fico realizada quando isso acontece”, exclama a estagiária.

Dona Sebastiana, de 83 anos, uma das integrantes mais animadas da turma

Capoterapia não é jogo, mas é ginga

Criado há mais de vinte anos, o método capoterapia é baseado na capoeira, mas adaptado para que todos possam participar sem esforço excessivo.

“Não há golpes de luta: em vez disso, os encontros são marcados por canções, som de instrumento de percussão e coreografias simples que, além de movimentar o corpo, ativam a memória por meio das músicas tradicionais”, explica Jozy.

Movimentar o corpo imitando – mesmo que discretamente – a ginga dos capoeiristas e cantar é regra básica. E a socialização também é um dos objetivos do projeto.

“Mais do que exercício físico, a capoterapia oferece aos praticantes momentos de convivência e lazer, reforçando a importância do aspecto lúdico no processo de envelhecimento saudável”, enfatiza Jozy.

Projeto em Umuarama é uma iniciativa da Academia Chora Menino

Quem participa, recomenda

A aposentada Sebastiana Aguiar, 83 anos, chega sorrindo nas aulas de capoterapia. Ela vem acompanhada da filha e diz estar amando a interação que a atividade promove. “A gente canta, se movimenta e conhece novas pessoas. É muito alegre!”.

Ela reconhece a importância do projeto: “É muito bom! Eu gosto muito de fazer atividade física… Já fiz musculação, já fiz taekwondo… Agora estou conhecendo a capoterapia; ainda não entrei no ritmo porque estou me recuperando de um cateterismo, mas espero logo poder me entrosar de vez”.

O comerciante Nivaldo Palomo, 56 anos, é outro que chega animado para o dinâmico mexe-remexe que a capoterapia impõe. “Decidi aderir porque sou sedentário e tenho artrose… Acredito que essa atividade vai me ajudar a melhorar”, afirma.

No entanto, admite que “se cansa, um pouco”: “É que sou fumante, quando o exercício é mais puxado, sinto falta de ar, mas não desisto… Tenho que melhorar meu condicionamento físico… Estou enferrujado!” [risos]

Mestre Chacal, que coordenou a aula especial

Aula especial com capoeiristas

OBemdito acompanhou a aula de sexta, 23, que foi especial: contou com a participação de líderes da academia de capoeira Chora Menino. Aliás, eles ensinaram os participantes a manusear e a tocar os instrumentos.

O trio formado pelo Mestre Chacal [Marcos Almeida] e os instrutores Rogério Ângelo da Silva e Júnior Augusto dos Santos, junto com a Jozy, deram um show de ritmo e canto, bem como, tocando os emblemáticos instrumentos afro-brasileiros.

E dedicaram um tempo para que cada participante da aula desse uma palinha no pandeiro, atabaque, caxixi, agogô e, claro, no ‘astro’ principal das rodas de capoeira, o berimbau.

Entre cantos e movimentos: com a estagiária Jozy, Rogério, Mestre Chacal e Júnior

Eles também fizeram uma breve palestra sobre as origens da capoeira, que inspirou a capoterapia, um método centrado no compromisso de ser inclusiva [surgiu do projeto ‘Capoeira para todos’, do Mestre Gilvan de Andrade]. 

“O Mestre Gilvan sistematizou e criou a capoterapia para beneficiar pessoas que não têm o hábito de praticar atividades físicas, especialmente idosos; agora ela é ministrada em várias cidades do Brasil”, mencionou.

Exercício e socialização: participantes em clima de descontração

Capoterapia em Umuarama, uma iniciativa da Chora Menino

Em sua fala, o Mestre Chacal destacou a história e os objetivos da Academia de Capoeira Chora Menino, que atua em Umuarama desde 1988.

De acordo com o mestre, “a Chora Menino é referência em Umuarama pela atuação cultural e social”. Além disso, ele informou que a academia mantém aulas gratuitas em diferentes bairros da cidade [Dom Pedro, Sol Nascente e Parque das Laranjeiras, atendendo crianças, jovens e adultos].

“Com a Capoterapia, agora passamos a contemplar também a terceira idade”, orgulha-se o Mestre. Ele lembra que a missão da Chora Menino é promover inclusão, disciplina e convivência comunitária, além de valorizar a tradição afro-brasileira.

Música, ritmo e saúde: instrumentos de percussão atiça a curiosidade dos participantes

Um outro projeto que realça a atuação da Chora Menino em Umuarama é o ‘Capoeira Fest’. O evento anual reúne mestres e praticantes de várias regiões do Brasil. O deste ano está agendado para o domingo de 28 de setembro.

== Quer participar das aulas de capoterapia? Tem vaga. Informe-se pelo whatsapp 9 9964-9906.

== Acompanhe a Chora Menino no Instagram (clique aqui).

Graça Milanez

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