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AGU pede ao STF suspensão de decisões que obrigam INSS a devolver descontos

A Advocacia-Geral da União (AGU) protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para que a Corte suspenda todas as decisões judiciais que estão condenando o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) à restituição imediata de valores descontados indevidamente dos beneficiários. A solicitação inclui, também, a suspensão da contagem da prescrição dessas ações.

Além da suspensão das decisões judiciais, a AGU pede que seja autorizado um crédito extraordinário destinado ao custeio dos reembolsos aos segurados vítimas de fraudes. A justificativa apresentada é a imprevisibilidade da situação, que, segundo o órgão, exige uma solução célere, mas com segurança jurídica. A União afirma que está comprometida em restituir os valores, mas deseja fazê-lo de forma organizada e sem comprometer a sustentabilidade do sistema previdenciário.

Leia também: INSS: como identificar descontos ilegais e solicitar a devolução

PP aciona STF e cobra devolução imediata dos valores

A atuação da AGU ocorre na mesma semana em que o Partido Progressistas (PP) ajuizou uma ação no STF pedindo que o Judiciário determine ao INSS a “restituição integral dos valores descontados indevidamente”, com a “concreta indicação dos valores estimados e da respectiva fonte de custeio”.

A legenda defende que os segurados têm direito à devolução dos valores retidos por entidades fraudulentas, e que o governo deve apresentar uma solução clara e definitiva para o caso. O partido argumenta que há omissão do poder público diante da gravidade da situação enfrentada pelos aposentados e pensionistas.

AGU critica multiplicidade de decisões e judicialização em massa

Em sua manifestação, a AGU aponta que existem obstáculos para estabilizar um modelo seguro e ágil de ressarcimento. Entre os entraves citados estão as decisões judiciais divergentes quanto à responsabilidade do Estado e as contestações relacionadas à instrução normativa publicada em maio de 2025, que trata da devolução dos valores indevidamente descontados.

“Pretende-se enfrentar as causas que têm dificultado a estabilização de uma sistemática célere e segura de restituição de valores indevidamente descontados, dentre eles a existência de decisões judiciais com interpretações conflitantes a respeito dos requisitos de extensão de responsabilidade estatal pelos danos aos segurados e as contestações que têm sido lançadas em face do teor da instrução normativa de maio de 2025, tendo como preocupação central a preservação de preceitos fundamentais da segurança jurídica e da integridade do sistema previdenciário”, afirma a AGU.

Para o órgão, as ações judiciais “compartilham um inegável quadro de controvérsias constitucionais comuns” e, por isso, deveriam tramitar sob uma supervisão centralizada. A AGU defende que, por uma questão de racionalidade processual, as demandas relacionadas ao tema sejam tratadas de forma unificada.

A ação destaca ainda que, enquanto o governo federal vinha adotando medidas administrativas para solucionar o problema — como o bloqueio de bens dos fraudadores e a elaboração de mecanismos para ressarcir os prejudicados —, foi surpreendido por uma judicialização em massa, que estaria prejudicando ainda mais os aposentados e colocando em risco o equilíbrio da previdência pública.

“Enquanto o governo federal adotava todas as providências para a solução administrativa do problema, buscando medidas aptas ao bloqueio de bens dos fraudadores e adotando medidas para restituição das vítimas, foi impactado com a notícia de uma judicialização sem precedentes que está inundando o Poder Judiciário com ações das mais diversas, além de notícias sobre litigância abusiva, que está a prejudicar ainda mais os aposentados e colocar em grave risco a previdência pública”, pontua o texto da AGU.

Jorge Messias: “Não podemos lesar duas vezes o Estado”

Nesta quinta-feira (5), o advogado-geral da União, Jorge Messias, comentou o caso em um vídeo publicado nas redes sociais. Segundo ele, a medida busca “acelerar o pagamento a aposentados que tiveram descontos indevidos provocados por entidades fraudulentas”.

Messias reforçou que o governo está comprometido com a reparação dos prejuízos sofridos pelos segurados, mas ressaltou que o processo precisa ser feito com responsabilidade fiscal. “A União precisa garantir o ressarcimento, mas sem lesar duas vezes o Estado brasileiro”, afirmou o ministro.

A discussão agora está nas mãos do STF, que deverá analisar os pedidos da AGU e do Partido Progressistas. O caso tem como relator no Supremo o ministro Dias Toffoli.

(OBemdito com informações AGU)

Stephanie Gertler

Fotógrafa há mais de 16 anos, graduada em Jornalismo pela Universidade Tuiuti do Paraná, em Curitiba. Atualmente, atua como jornalista no OBemdito.

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