Área da Fazenda Tiburi, em Perobal, onde integrantes do MST estruturaram acampamento - Foto Danilo Martins/OBemdito
Uma crise agrária se intensificou nesta semana em uma área vinculada ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) na Fazenda Tiburi, localizada na Estrada Pinhalzinho, em Perobal (PR). Até o fim da tarde desta sexta-feira (16), cerca de 150 pessoas ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupavam uma área marginal da propriedade, elevando o clima de tensão no local.
A Fazenda Tiburi possui 215 hectares reconhecidos judicialmente como de domínio do Incra. O órgão federal informou a OBemdito, que o imóvel deve ser destinado à criação de um projeto de assentamento no âmbito do Programa Nacional de Reforma Agrária. Apesar disso, até a publicação desta reportagem, duas famílias permaneciam no local de forma irregular, cultivando mandioca.
Nesta quinta-feira (15), servidores do Incra estiveram na propriedade para notificar as duas famílias, acompanhados pela Polícia Federal (PF). A presença da PF foi restrita ao acompanhamento administrativo, sem registro de confronto ou remoção forçada no momento da diligência.
No entanto, no fim da tarde desta sexta-feira, novas pessoas ingressaram na fazenda com o objetivo de estruturar um acampamento dentro da propriedade, ampliando a ocupação já existente. Não houve, até o fechamento desta reportagem, ação de desocupação por parte das autoridades.
Procuradas, lideranças do MST recusaram-se a comentar a movimentação de seus integrantes na Fazenda Tiburi, que teve início no começo deste mês. A Polícia Militar do Paraná (PMPR) também foi questionada sobre a ação de fiscalização na área para prevenir crimes e manter a ordem pública, mas não se manifestou até o momento.
Em nota oficial a OBemdito, o Incra afirmou que a Fazenda Tiburi é um imóvel rural “judicialmente reconhecido como de domínio do Incra” e reiterou que ali deverá ser implantado um projeto de assentamento.
O órgão classificou a atual ocupação como irregular e informou que os ocupantes “não possuem perfil para serem atendidos pela política pública de reforma agrária”.
Segundo o Incra, a situação está sendo acompanhada e, “oportunamente”, serão adotadas medidas para desocupação do imóvel, a fim de permitir a continuidade do processo de implantação do assentamento destinado a agricultores familiares com perfil socioeconômico compatível com o Programa Nacional de Reforma Agrária.
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