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Desembargador vê indícios de que Pozzobom tinha voz ativa em esquema criminoso

Desembargador vê indícios de que Pozzobom tinha voz ativa em esquema criminoso
Agentes do Gaeco acompanham Pozzobom na escadaria da Prefeitura, no dia 5 de maio, quando a operação Metástase foi deflagrada. FOTO: OBEMDITO
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Publicado em 17 de setembro de 2021 às 20h51 - Modificado em 22 de maio de 2025 às 22h16

Ao decidir preventivamente pelo afastamento de Celso Pozzobom no final da tarde da última quarta-feira (15) o desembargador Laertes Ferreira Gomes, do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) considerou a acusação do Ministério Público (MP) de que o prefeito coordenava e tinha voz ativa no desvio de recursos do Fundo Municipal de Saúde.

“Há indicativos que o requerido possuía voz de liderança sobre os demais investigados, dado que valia-se de servidores públicos comissionados estrategicamente nomeados, dentre outros comparsas, que o blindavam, no intuito da perpetuação das práticas criminosas investigadas”, diz trecho da decisão ao qual o G1 teve acesso.

O processo corre em segredo de justiça. Nenhum outro veículo de comunicação teve acesso ao conteúdo, exceto o portal G1 e a RPC (Rede Paranaense de Comunicação).

O próprio advogado de Pozzobom, Alessandro Silvério, disse que não tido acesso às fundamentações até o início da tarde desta quinta-feira (16) e que aguardava o material para definir sobre a defesa.

Operação Metástase

O MP acusa Pozzobom por organização criminosa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Os crimes resultaram na operação Metástase e, uma vez confirmados, se converterão no maior escândalo de corrupção da história de Umuarama.

Os promotores sustentam que as fraudes e desvios investigados aconteciam mediante o superfaturamento de contratos públicos e manejo de notas fiscais frias que justificavam a emissão de cheques por entidades filantrópicas de saúde pública.

Ainda na decisão liminar (não definitiva) de Laertes Ferreira Gomes à qual o G1 teve acesso, Pozzobom pode ter quitado parcelas de um apartamento no valor de R$ 120 mil, com dinheiro desviado dessas entidades. O pagamento teria sido confirmado por outro investigado no esquema, conforme o MP.

Afastamento preventivo

O afastamento de Celso Pozzobom é preventivo. Diante dos fatos narrados pelo Ministério Público, o desembargador Laertes Gomes entendeu que a permanência do prefeito no cargo permitiria a continuidade das práticas ilícitas e até a possibilidade de adulteração de provas importantes para a investigação.

OBemdito não conseguiu contato telefônico com a defesa do prefeito afastado. A chamada foi realizada às 20h30.

O vice-prefeito Hermes Pimentel assumiu o cargo interinamente no final da tarde desta quinta-feira (16), praticamente no mesmo momento em que Pozzobom dava entrada no hospital Nossa Senhora Aparecida, com forte dores abdominais.

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Leonardo Revesso

Graduado em Direito pela Unipar, mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e especializando em Neurociência do Consumo pela ESPM. Tutor da Olívia, da Ludi e da Mila. Está no jornalismo há 27 anos (iniciou aos 15). No OBemdito escreve sobre política e consumo.