Umuarama

Operação Metástase: ex-deputado Kaefer pode ser o mentor do homem da mochila

Diálogos entre o secretário parlamentar exonerado Valdecir Miester e o ex-deputado federal Alfredo Kaefer fazem parte do conjunto de provas levantadas pelo Ministério Público (MP) do Paraná para deflagrar a Operação Metástase, que apura a movimentação ilegal de R$ 19 milhões do Fundo Municipal de Saúde, em Umuarama.

Kaefer é visto como o mentor político de Miester, o homem da mochila. 

Em uma conversa telefônica interceptada pelo MP na manhã do dia 14 de junho de 2020, um domingo, o ex-deputado liga para Miester e diz que precisa conversar pessoalmente com ele para ver se “andam” com alguma coisa.

Miester então comenta que terá de ir a Umuarama na segunda-feira (15/6), para “fazer uma defesa”. Kaefer pergunta se houve algum problema e Miester responde: “Teve e tô tendo, fui querer ajudar o (prefeito) Celso (Pozzobom) lá e fazer uma dispensa, quase R$ 600 mil”.

Na sequência, Miester explica que vem tendo um “desgaste de imagem”, mas que não há nada ilegal. Kaefer então pergunta: “E a verbinha lá, como é que fica?”. Miester então afirma que vai conversar com Kaefer nos próximos dias.

Para o Ministério Público, a conversa deixa nítido que “Kaefer é conhecedor e, quiçá, beneficiário dos esquemas na região”.

Contratação de agentes de endemias

O desgaste a que Miester se referia com o provável guru pode ser a contratação, sem processo licitatório, da empresa Vani Soares dos Santos Miester ME para o fornecimento de 180 agentes de endemias à Prefeitura de Umuarama. Vani é a esposa de Miester e está em liberdade.

O fato foi denunciado pelos vereadores Ana Novais, Mateus Barreto, Jones Vivi e Deybson Bitencourt ao próprio MP, que decidiu abrir inquérito civil público para apurar os fatos. Ana e Barreto foram reeleitos em 2021. Deybson não disputou a eleição e Vivi não conseguiu votos suficientes para seguir no Legislativo municipal.

Miester é um dos sete presos na Operação Metástase, deflagrada no último dia 5 pelo MP através do Gepatria (Grupo Especializado na Proteção ao Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa) e do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado). 

Horas depois da prisão, Miester foi exonerado do cargo de secretário parlamentar do deputado federal Roberto de Lucena (Podemos-SP). 

Cargo de fachada para comandar quadrilha

O trabalho na Câmara seria apenas uma fachada para manter vínculos em um robusto esquema criminoso. Como assessor, Miester não chegava a receber R$ 5 mil líquidos mensais. Ele apresenta um patrimônio milionário. Só um terreno que diz ter em Cascavel chegaria a R$ 40 milhões.

O MP defende que Miester possivelmente seja o chefe da provável quadrilha instalada em Umuarama. Ele usava uma mochila para passar nas empresárias participantes do esquema e recolher dinheiro em espécie, fruto de desvios e superfaturamentos.

Para acelerar o atendimento aos pacientes de Covid, foram autorizadas as contratações de produtos e serviços através de dispensa de licitação.

Dinheiro na mochila

Os agentes do Gaeco fotografaram Miester entrando na Prefeitura de Umuarama com uma mochila contendo pequeno volume. Na saída, porém, o acessório estava cheio. A suspeita é que dentro da mochila estariam R$ 100 mil, resultado da divisão de ganhos ilícitos.

A Prefeitura é o lugar onde o servidor Cícero Laurentino dava expediente até ser preso, na quinta-feira (5). Ele ocupava o cargo de diretor interinstitucional e era ligado diretamente ao gabinete de Pozzobom.

O prefeito nega que tinha conhecimento do esquema criminoso e disse ser o maior interessado no desenrolar das investigações. O MP refuta essa afirmação.   

Nesta segunda-feira (10) o juiz Leonardo Marcelo Mounic Lago, da 1a Vara Criminal de Umuarama, negou o pedido de liberdade feito por Miester.

Ele segue preso em Brasília. As outras seis pessoas foram transferidas para o mini presídio de Campo Mourão, onde estão prestando depoimentos.

Deputado mais rico do Brasil

Alfredo Kaefer foi deputado federal por dois mandatos. Em 2014, foi o candidato mais rico a ser eleito para a Câmara, com um patrimônio declarado de R$ 108,6 milhões. Kaefer não se elegeu em 2018 mas ainda mantém fortes vínculos no poder.

O político teria perdido boa parte de seu patrimônio nos últimos anos, principalmente após a separação da mulher. O hoje ex-deputado tem condenações por crimes contra o sistema financeiro. 

OBemdito não conseguiu contato telefônico com o Alfredo Kaefer. O espaço está aberto para a manifestação do ex-deputado.

Leonardo Revesso

Graduado em Direito pela Unipar, mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e especializando em Neurociência do Consumo pela ESPM. Tutor da Olívia, da Ludi e da Mila. Está no jornalismo há 27 anos (iniciou aos 15). No OBemdito escreve sobre política e consumo.

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