Umuarama

Preso em operação foi flagrado com bolsa cheia na saída da Prefeitura de Umuarama

Preso em operação foi flagrado com bolsa cheia na saída da Prefeitura de Umuarama
Leonardo Revesso
OBemdito
10 de maio de 2021 18h54

O ex-secretário parlamentar Valdecir Miester é apontado como provável líder do esquema criminoso que, conforme o Ministério Público, pode ter desviado R$ 19 milhões do Fundo Municipal de Saúde, em Umuarama. Miester seria o homem do dinheiro.

O que você vai ler a partir de agora, uma vez confirmado, é revoltante. As principais transações ilegais que resultaram na cifra milionária teriam as digitais de Mister, um dos sete presos na Operação Metástase, desencadeada na última quinta-feira (6).

Também estão na cadeia pública de Campo Mourão os servidores públicos Cícero Laurentino, ligado ao gabinete do prefeito Celso Pozzobom, e Renata Figueiredo Campagnoli de Oliveira, número 2 da Secretaria Municipal de Saúde, além de quatro empresários contratados com dispensa de licitação para oferecer produtos e serviços à Prefeitura na área de saúde.

Em uma das escutas telefônicas autorizadas pela justiça, Miester conversa com o cunhado Antenor dos Santos, e explica a forma como age. “Para cada um dos caras aqui eu dou 7, 8, até 10%, mas o cara (sic) me dão preço cheio, entendeu, Antenor”.

Preço cheio significa valores sem desconto, no maior parâmetro possível.

Entre as fotos juntadas pelo Ministério Público do Paraná está uma em que Miester deixa a Prefeitura de Umuarama, pela porta dos fundos, restrita aos funcionários, carregando uma mochila cheia no ombro direito. 

Os promotores envolvidos na operação desconfiam que dentro havia a quantia de R$ 100 mil em espécie. O valor é calculado com base em escutas telefônicas. Detalhe: Miester entrou no prédio da Prefeitura com a mesma mochila, vazia.

A data em que a foto foi feita não foi informada, mas consta do período das investigações que resultaram na Operação Metástase.

 Depósitos e transações financeiras ilícitas nas contas bancárias de pessoas físicas e jurídica de Valdecir Miester e de sua esposa Vani Soares dos Santos Miester superam R$ 2,3 milhões, de acordo com o Ministério Público.

Vani Miester tem contratos celebrados por dispensa de licitação com outras prefeituras da região. A dispensa foi autorizada neste período de pandemia para não atrasar a compra de suprimentos e serviços essenciais no tratamento de doentes.

O dinheiro desviado em Umuarama daria para vacinar toda a população de Umuarama e ainda beneficiar os moradores de municípios vizinhos.

Pegou táxi e avião e foi ao supermercado positivado pelo vírus

Os investigadores estavam há vários meses no encalço de Miester. Não só satisfeito em surrupiar recursos públicos que deveriam ser destinados para o tratamento da Covid-19, ele se lança em espalhar o vírus. 

Mesmo sabendo que estava positivado para o coronavírus, o homem da mochila usou vários táxis em Brasília e no Paraná e fez compras no supermercado Muffato, de Cascavel. A movimentação de Miester está registrada em uma sequência de fotos anexadas pelo MP.

Na mesma conversa com o cunhado, que durou cerca de uma hora e meia, Valdecir Miester apresenta seu poderio financeiro e cita a negociação de um terreno de R$ 40 milhões nas proximidades do Shopping JL, também em Cascavel, e afirma estar entrando com suas empresas na cidade, onde teria boa relação com o prefeito Leonaldo Paranhos e o vereador Alécio Espínola, presidente da Câmara.

As informações relatadas por OBemdito fazem parte do parecer do Ministério Público, datado do último sábado (8) para refutar o pedido de liberdade provisória de Miester à justiça. 

Juiz negou pedido de liberdade

O juiz substituto Leonardo Marcelo Mounic Lago, da 1a Vara Criminal de Umuarama, se manifestou nesta segunda-feira e negou o pedido de Miester, que seguirá na cadeia. 

A operação Metástase é realizada pelo Ministério Público do Paraná através do Gepatria (Grupo Especializado na Proteção ao Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa), núcleo de Umuarama, e do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), núcleo de Cascavel. 

Para manter-se como servidor da Câmara Federal, em Brasília, Miester deixou sua esposa no comando da empresa, localizada em Boa Vista da Aparecida, próximo de Cascavel.

Ao que tudo indica, o cargo no gabinete do deputado Roberto de Lucena (Podemos-SP), era mera fachada, uma vez que o salário para o cargo não ultrapassava R$ 5 mil. Miester foi exonerado assim que a polícia bateu na porta dele. Detalhe: Lucena é deputado pelo Estado de São Paulo.

OBemdito não conseguiu contato com nenhum dos nomes citados na reportagem até o momento. O espaço está aberto para as manifestações. 

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