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Anvisa alerta que uso de melatonina em gomas e fitas não é permitido no Brasil

Pessoa prestes a mascar goma.
Foto: Divulgação via Anvisa
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Publicado em 5 de novembro de 2026 às 14h01 - Modificado em 5 de novembro de 2026 às 14h01

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta sobre a comercialização de melatonina em formatos como gomas mastigáveis, fitas e filmes sublinguais, frequentemente divulgados nas redes sociais como soluções rápidas para a insônia. Segundo a agência, essas apresentações não possuem avaliação específica de segurança e eficácia para as formas de uso anunciadas.

Conhecida como o hormônio do sono, a melatonina é produzida naturalmente pelo organismo e participa da regulação do ciclo de sono e vigília. No entanto, a Anvisa ressalta que a popularidade dos suplementos não significa que seus benefícios para tratar dificuldades para dormir estejam comprovados.

No Brasil, a melatonina é autorizada como ingrediente de suplementos alimentares desde 2021, mas com restrições. O consumo é permitido apenas para adultos a partir de 19 anos, com dose máxima de 0,21 miligrama por dia.

A agência também esclarece que não existem evidências suficientes de que essa quantidade autorizada produza efeitos diretos na regulação do sono.

Melatonina não é tratamento aprovado para insônia

Apesar de ser frequentemente anunciada como uma alternativa para dormir melhor, a melatonina comercializada como suplemento alimentar não possui autorização da Anvisa para apresentar alegações de prevenção ou tratamento da insônia.

Para que um fabricante possa divulgar benefícios específicos relacionados ao sono, é necessário apresentar estudos científicos que comprovem a segurança e a eficácia do produto nas condições de uso propostas.

A melatonina é produzida principalmente pela glândula pineal, localizada no cérebro. Sua liberação aumenta durante a noite, contribuindo para sinalizar ao organismo que é hora de descansar.

A substância também pode ser encontrada naturalmente, em pequenas quantidades, em alimentos como morango, cereja, uva, banana, tomate, cereais, carnes e derivados do leite.

Por que a Anvisa alerta sobre gomas e fitas de melatonina?

A preocupação da agência está relacionada às diferentes formas de apresentação e absorção da substância.

Produtos sublinguais, como filmes e pastilhas colocados debaixo da língua, podem apresentar características de absorção diferentes das formas convencionais de suplementos.

Segundo a Anvisa, essas apresentações não passaram por avaliações específicas que permitam determinar sua segurança, a quantidade absorvida pelo organismo e os possíveis efeitos associados ao consumo.

A ausência desses estudos também dificulta a avaliação de riscos relacionados à ingestão de doses superiores às recomendadas.

Em fevereiro de 2026, a agência determinou o recolhimento e a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição, importação, propaganda e uso do produto Melatonina Sublingual em Gotas Sabor Maracujá, da empresa Vita Be Cosméticos Ltda., conhecida como Renova Be.

A medida foi motivada pelo uso de um ingrediente sem avaliação para administração sublingual e pela divulgação de alegações terapêuticas não autorizadas, como prevenir a insônia e regular o ciclo do sono.

Quem não deve consumir melatonina?

A Anvisa estabelece que suplementos alimentares com melatonina não devem ser consumidos por determinados grupos da população.

Entre eles estão:

  • Crianças e adolescentes menores de 19 anos;
  • Gestantes;
  • Mulheres que estão amamentando;
  • Pessoas que realizam atividades que exigem atenção constante, como dirigir veículos.

Essas restrições devem constar nos rótulos dos suplementos autorizados.

A agência também alerta para produtos importados ou comercializados sem procedência conhecida, especialmente aqueles que apresentam concentrações superiores ao limite permitido no Brasil.

Como identificar produtos irregulares?

Antes de comprar suplementos de melatonina, a recomendação é verificar as informações presentes na embalagem e desconfiar de propagandas que prometem resultados imediatos.

Expressões como “acabar com a insônia” ou “dormir em minutos” não representam benefícios terapêuticos autorizados para suplementos de melatonina no Brasil.

O consumidor deve conferir se o produto está identificado como suplemento alimentar, se respeita o limite de 0,21 mg por dia e se apresenta os alertas obrigatórios.

Também é importante verificar a procedência do fabricante e consultar eventuais restrições sanitárias divulgadas pela Anvisa.

Pessoas que enfrentam dificuldades persistentes para dormir devem procurar avaliação médica, já que a insônia pode estar associada a diferentes condições de saúde e exigir tratamentos específicos.

Mais informações sobre as regras de comercialização podem ser consultadas no portal oficial da Anvisa.

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Luiz Fernando

Luiz Fernando é estudante de Jornalismo na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e trabalha há cinco anos no portal OBemdito auxiliando na cobertura de notícias em Umuarama e região.