Luiz Fernando Publisher do OBemdito Presidente do Paraguai renuncia ao cargo após crise bancária pelo colapso do Ueno Bank
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia ao cargo na manhã desta quinta-feira (5), em meio à crise política e financeira provocada pelo colapso do Ueno Bank, uma das maiores instituições bancárias do país. O pedido foi encaminhado ao Congresso paraguaio, que precisa aprovar a renúncia para que ela seja efetivada.
A decisão foi comunicada por Peña em um vídeo publicado nas redes sociais. O anúncio ocorreu poucas horas depois de parlamentares da oposição apresentarem pedidos de impeachment contra o presidente, responsabilizando politicamente sua administração pela crise bancária.
O colapso do Ueno Bank deixou cerca de 3 milhões de clientes sem acesso às contas, provocando protestos, filas em agências bancárias e preocupação com a segurança dos depósitos no Paraguai.
Em seu pronunciamento, Peña afirmou que tomou a decisão considerando a estabilidade do país, a paz social e a preservação das instituições democráticas.
Crise do Ueno Bank pressionou governo
A crise começou após o Banco Central do Paraguai determinar a intervenção no Ueno Bank, diante de problemas relacionados à situação financeira da instituição e ao descumprimento de exigências de solvência.
A medida provocou a suspensão de serviços bancários e impediu milhões de clientes de movimentar seus recursos.
O caso ganhou repercussão política devido às antigas relações comerciais de Santiago Peña com o grupo controlador do banco. O presidente foi acionista do Grupo Vázquez, ligado à instituição financeira, até março de 2025.
Na quarta-feira (4), deputados da oposição apresentaram pedidos de impeachment contra Peña e o vice-presidente Pedro Alliana. Os parlamentares levantaram acusações de conflito de interesses e questionamentos sobre a atuação do governo e dos órgãos reguladores.
A pressão aumentou nesta quinta-feira, quando setores do próprio Partido Colorado, legenda do presidente, passaram a apoiar o processo de destituição.
O ex-presidente Horacio Cartes, dirigente do partido, também manifestou apoio ao impeachment, ampliando o isolamento político de Peña.
O que acontece após a renúncia de Santiago Peña?
Apesar do anúncio, Santiago Peña não deixa automaticamente a Presidência do Paraguai. O pedido de renúncia precisa ser analisado e aprovado pelo Congresso Nacional.
Caso a saída seja formalizada, a sucessão presidencial deverá seguir as regras previstas na Constituição paraguaia, com o vice-presidente Pedro Alliana na linha imediata de sucessão.
A Constituição também prevê a condição de senador vitalício para ex-presidentes que deixam o cargo sem terem sido destituídos por impeachment. A função possui características diferentes das cadeiras parlamentares obtidas por eleição.
Até a formalização da renúncia, Peña permanece no exercício da Presidência.
Milhões de clientes aguardam solução para depósitos
Enquanto a crise política se intensifica, milhões de clientes do Ueno Bank aguardam informações sobre a recuperação de seus recursos.
O governo paraguaio e as autoridades financeiras anunciaram medidas para viabilizar a devolução de depósitos protegidos pelo sistema de garantia bancária.
A intervenção também provocou mudanças na direção do Banco Central do Paraguai, incluindo a saída de Carlos Carvallo da presidência da instituição.
A situação segue sendo acompanhada pelas autoridades paraguaias, diante dos impactos econômicos e políticos provocados pelo colapso do banco.
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